A frase, originária de um provérbio chinês, parece quase banal. Mas carrega uma verdade desconfortável: muitas vezes, o nosso maior problema não é desconhecer o destino. É perceber que estamos indo para o lugar errado e, ainda assim, continuar caminhando.
Isso acontece com empresas o tempo todo. Os resultados começam a piorar, os clientes mudam, novas tecnologias alteram a dinâmica do mercado, concorrentes encontram modelos melhores. Os sinais aparecem aos poucos. Mesmo assim, a reação mais comum é tentar fazer melhor aquilo que já fazíamos antes. Mais eficiência, mais esforço, mais cobrança, mais velocidade.
Só que acelerar na direção errada não melhora o destino. Apenas faz você chegar mais rápido até ele.
O mesmo vale para carreiras. Existem competências que durante muito tempo foram diferenciais e que, em algum momento, viram apenas requisitos básicos. Existem conhecimentos que envelhecem. Funções que perdem valor. Mercados que mudam de lógica. E existe um risco particularmente perigoso nisso tudo: continuar sendo muito bom em algo que está se tornando cada vez menos importante.
Talvez por isso revisar a direção seja tão importante quanto executar bem. Estratégias precisam ser questionadas. Projetos precisam ser interrompidos. Modelos precisam ser redesenhados. Competências precisam ser reconstruídas. E algumas convicções que nos trouxeram até aqui precisam, simplesmente, ser abandonadas.
Existe uma enorme diferença entre persistência e inércia. Persistir é continuar perseguindo um destino apesar das dificuldades. Inércia é continuar no mesmo caminho apenas porque já estamos nele.
De tempos em tempos, empresas e pessoas deveriam se fazer uma pergunta relativamente simples: se nada mudar, onde exatamente esse caminho vai nos levar? Porque o futuro raramente chega como uma surpresa completa. Muitas vezes, ele já está diante de nós, na trajetória que escolhemos manter.
E se você não gosta do lugar para onde está indo, talvez o primeiro passo não seja andar mais rápido. É mudar de direção.




