Quem é o verdadeiro dono da OpenAI?
Se você olhar apenas para o discurso romântico da sua criação, a OpenAI pertence à humanidade. Se olhar o estatuto, ela é controlada por uma fundação sem fins lucrativos. Mas se olhar o dinheiro, a infraestrutura e o poder real, a resposta começa a mudar.
A OpenAI nasceu como uma organização que não visava lucro, mas hoje opera por meio de uma estrutura híbrida. Existe uma entidade sem fins lucrativos que controla a governança e uma empresa com fins lucrativos onde estão os investidores e o capital. É nessa segunda camada que o jogo acontece.
Antes da rodada mais recente, a Microsoft era o maior investidor individual conhecido, com algo próximo de 24% da participação econômica. Além disso, ela não é só acionista. Ela é a infraestrutura. Os modelos da OpenAI rodam, em grande parte, no Azure. Isso significa dependência técnica e estratégica. Em empresas de tecnologia, quem controla a infraestrutura controla boa parte do poder.
Principais acionistas da OpenAI
Funcionários + investidores privados: 40,85%
Microsoft: 23,46%
OpenAI Foundation: 22,60%
Amazon: 5,95%
SoftBank: 3,57%
Nvidia: 3,57%
Agora entram Amazon, Nvidia e SoftBank com algo como US$ 110 bilhões combinados. Dependendo da avaliação usada na rodada, isso pode representar algo entre 12% e 15% adicionais do capital diluído. Se for confirmado nesses termos, a Microsoft deixa de ser a única força dominante e o captable fica mais distribuído. Mas distribuído não significa pulverizado. Significa mais gigantes sentados à mesa.
E Sam Altman? Ele não é o maior acionista. Pelo que é público, ele não tem uma participação societária relevante na OpenAI. O poder dele não vem de ações. Vem da posição de CEO, da influência política dentro do board e da capacidade de articular visão, capital e narrativa. Em empresas com estrutura híbrida, isso pode valer mais do que 10% de equity.
Então quem é o verdadeiro dono?
Se você estiver falando de controle formal, é a fundação que supervisiona a missão. Se estiver falando de retorno financeiro, são os grandes investidores. Se estiver falando de poder operacional, é quem fornece infraestrutura e capital de longo prazo. E se estiver falando de direção estratégica, hoje esse poder está concentrado na liderança executiva.
A OpenAI não tem um dono único. Ela tem um equilíbrio delicado entre capital, missão e infraestrutura. Mas uma coisa é clara: quanto mais bilhões entram, mais a empresa se aproxima do modelo tradicional de Big Tech. E nesse modelo, no fim do dia, quem banca o crescimento costuma sentar na cadeira mais forte da sala.



