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Avatar de Diego O. Carvalho

Boa reflexão, Bornelli! A inteligência artificial está entrando em uma fase semelhante ao que ocorreu com a computação em nuvem: primeiro veio a corrida pela adoção, depois veio a necessidade de disciplina, arquitetura e gestão. O erro de muitas organizações é tratar IA apenas como ferramenta de inovação, quando ela já está se tornando uma nova camada de infraestrutura operacional. A vantagem competitiva não estará nas empresas que simplesmente usam mais IA, mas naquelas capazes de transformar inteligência artificial em capacidade organizacional mensurável, combinando tecnologia, governança e propósito. No agronegócio, na indústria ou nos serviços, a pergunta madura não é mais “quanto custa implementar IA?”, mas “qual valor econômico, estratégico e humano cada aplicação de IA está entregando?”. A próxima fronteira da transformação digital não será apenas democratizar o acesso aos modelos; será aprender a administrar uma inteligência abundante sem transformar eficiência em desperdício.

Avatar de Yuri

Diagnóstico preciso. O paralelo com FinOps de nuvem é o melhor atalho mental que já li para explicar esse problema para quem lidera.

Há uma camada que o texto toca sem nomear. O que você descreve não é só um problema de governança operacional, é um sintoma de algo maior. O mercado ainda precifica IA como ativo de produtividade, quando na prática ela está se comportando como passivo de infraestrutura. E passivos de infraestrutura sem controle não aparecem no P&L até que seja tarde demais.

O entusiasmo com o excepcionalismo tecnológico americano foi construído sobre uma premissa implícita: que o custo marginal de escalar IA convergiria para zero. O que a Uber e os números que você cita revelam é que essa premissa está sendo revisada em tempo real. O custo unitário cai, mas o consumo cresce de forma não linear. A margem que o mercado precificou não existe da forma que foi prometida.

A rotação que estamos vendo para fora de tech e para dentro de ativos reais não é só geopolítica. É também o mercado começando a perceber que a equação de custo da IA é mais parecida com infraestrutura pesada do que com software.

O token mais barato da história pode estar sendo o mais caro que já compramos. Só que o preço não aparece na fatura de tecnologia. Aparece no múltiplo que o mercado ainda está disposto a pagar.

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