Durante muito tempo, acreditamos que todos os mercados evoluíam da mesma maneira. Mas basta olhar para o setor farmacêutico ao redor do mundo para perceber que a transformação não acontece de forma simultânea.
Enquanto a China praticamente substituiu as farmácias de rua por super apps e entregas ultrarrápidas, grandes redes americanas, como a CVS, estão fechando milhares de lojas físicas. Já no Brasil, o movimento parece ser exatamente o oposto: centenas de novas unidades continuam sendo inauguradas todos os anos.
À primeira vista, esses cenários parecem contraditórios.
Talvez não sejam.
Talvez estejamos observando diferentes momentos de uma mesma trajetória.
Imagine o desenvolvimento do varejo farmacêutico como uma linha do tempo.
Cada país ocupa uma etapa diferente desse processo.
O Brasil parece viver a fase da expansão física.
Aqui, abrir novas farmácias ainda faz sentido. Em muitas cidades, especialmente fora dos grandes centros, elas representam proximidade, confiança, conveniência e acesso. A presença física continua sendo um diferencial competitivo importante.
Nos Estados Unidos, o cenário é diferente.
O mercado amadureceu.
Durante décadas, milhares de lojas foram abertas até que a cobertura territorial atingisse um ponto de saturação. Agora, com consumidores cada vez mais digitais, manter tantas unidades deixou de ser eficiente.
Fechar lojas não significa fracasso.
Significa otimização.
É a passagem para um modelo híbrido, onde o físico e o digital passam a trabalhar juntos.
A China, por sua vez, parece ter avançado para uma terceira etapa.
Lá, aplicativos como WeChat e Meituan transformaram completamente a experiência de compra. Medicamentos, produtos de saúde e itens de conveniência chegam à casa do consumidor em poucos minutos, reduzindo drasticamente a necessidade de visitar uma loja física.
Nesse estágio, a conveniência deixa de estar no endereço da farmácia.
Passa a estar no smartphone.
Quando observamos esses três mercados em conjunto, surge uma reflexão interessante.
Talvez a pergunta não seja qual modelo é melhor.
Mas em que momento da evolução cada país se encontra.
Se essa hipótese estiver correta, o Brasil não está atrasado.
Está apenas vivendo uma fase diferente.
E isso representa uma enorme oportunidade.
Porque podemos aprender com os erros e os acertos de quem percorreu esse caminho antes.
Os Estados Unidos mostram os riscos da expansão excessiva sem adaptação digital.
A China demonstra o poder de integrar logística, tecnologia e conveniência em um único ecossistema.
O Brasil ainda possui tempo para construir essa transição de forma mais equilibrada.
Isso significa que a abertura de novas farmácias continuará fazendo sentido nos próximos anos.
Mas também significa que apenas abrir lojas dificilmente será suficiente no longo prazo.
O verdadeiro desafio será transformar essas unidades em algo muito maior.
Centros de saúde.
Hubs de serviços.
Pontos de atendimento integrados a plataformas digitais.
Locais onde tecnologia e atendimento presencial coexistem de forma complementar.
Porque, no futuro, a vantagem competitiva provavelmente não estará em possuir mais lojas.
Estará em conectar melhor o físico ao digital.
Entre no canal Entrelinhas no WhatsApp e siga nosso Instagram: informação rápida, em tempo real, que tangibilizam as transformações.
No fim, talvez a maior lição seja que mercados não evoluem em linha reta.
Eles passam por ciclos.
E quem consegue identificar em qual estágio está o seu setor ganha algo extremamente valioso.
Tempo para se preparar antes que a mudança se torne inevitável.
A pergunta, portanto, não é se o varejo farmacêutico brasileiro será digital.
A pergunta é quando.
E, como acontece em praticamente toda transformação tecnológica, aqueles que começarem a construir esse futuro antes da necessidade aparecer estarão muito melhor posicionados quando o mercado finalmente virar a chave.









