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A Amazon quer Dominar sua Cozinha

Quando pensamos na Amazon, a imagem que normalmente vem à cabeça é a de uma empresa de e-commerce.

Mas essa definição já não explica o tamanho da ambição da companhia.

A Amazon nunca quis apenas vender produtos.

Ela quer se tornar a infraestrutura invisível do cotidiano.

Cada novo movimento da empresa aponta exatamente nessa direção. O lançamento da Amazon Grocery, uma linha própria com mais de mil produtos de supermercado vendidos por menos de cinco dólares, não representa apenas a entrada em uma nova categoria.

Representa mais um passo na construção de um ecossistema onde a Amazon participa de praticamente todos os momentos da vida do consumidor.

Durante muito tempo, a empresa foi conhecida como “a loja de tudo”.

Agora, ela quer ser muito mais do que a loja.

Quer ser a marca que está dentro da sua casa.

O leite na geladeira.

O café da manhã.

Os produtos da despensa.

Os alimentos consumidos todos os dias.

Esse movimento faz ainda mais sentido quando observamos a estratégia da companhia como um todo.

A Amazon já controla uma das maiores plataformas de comércio eletrônico do planeta.

Opera uma das maiores infraestruturas de computação em nuvem através da AWS.

Está presente nas salas de milhões de pessoas com o Prime Video.

Transformou a Alexa em um ponto de contato permanente dentro das residências.

Comprou a Whole Foods.

Expandiu o Amazon Fresh.

E agora fortalece ainda mais sua presença na alimentação cotidiana.

Isoladamente, cada iniciativa parece apenas uma nova linha de negócios.

Juntas, revelam algo muito maior.

A construção de um ecossistema completo.

Esse talvez seja o maior diferencial competitivo da Amazon.

Ela não busca apenas aumentar vendas.

Busca aumentar relevância.

Quanto mais vezes um consumidor interage com a empresa ao longo do dia, maior tende a ser o vínculo criado entre marca e usuário.

Esse efeito produz algo extremamente poderoso.

A conveniência deixa de ser uma característica do serviço.

Passa a ser um hábito.

E hábitos são difíceis de substituir.

Quando a mesma empresa entrega seus pedidos, hospeda grande parte da internet, oferece entretenimento, organiza sua casa por meio de assistentes inteligentes e agora fornece até produtos básicos de alimentação, ela deixa de competir apenas por preço.

Passa a competir por presença.

E presença constante gera confiança.

Confiança gera recorrência.

Recorrência gera escala.

É exatamente esse ciclo que a Amazon vem construindo há décadas.

Talvez seja por isso que muitas análises subestimem a empresa ao enxergá-la apenas como um marketplace.

Na prática, a Amazon está desenhando uma plataforma capaz de conectar consumo, logística, computação, entretenimento, inteligência artificial e agora também alimentação.

Não são negócios independentes.

São peças de um mesmo sistema.

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No fim, talvez o objetivo nunca tenha sido ser a maior loja do mundo.

Talvez seja algo muito maior.

Ser a empresa que está presente em praticamente todas as pequenas decisões do nosso cotidiano.

Porque, quando uma companhia consegue participar de tantos momentos diferentes da vida das pessoas, ela deixa de vender apenas produtos.

Ela passa a fazer parte da rotina.

E poucas vantagens competitivas são tão difíceis de replicar quanto essa.


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