O Arquiteto do Futuro
No dia 27 de fevereiro de 1967, nascia o designer Jony Ive. Pouca gente no mundo pode dizer que ajudou a desenhar a forma do século XXI. De 1998 em diante, ele não apenas criou produtos. Ele moldou comportamentos.
Em 1998, o iMac colorido devolveu humanidade aos computadores.
Em 2001, o iPod colocou mil músicas no bolso.
Em 2007, o iPhone não lançou um telefone. Lançou a era do touchscreen.
Em 2010, o iPad redesenhou o consumo de conteúdo.
Em 2015, o Apple Watch levou o computador para o pulso.
Em 2016, os AirPods normalizaram a invisibilidade da tecnologia.
Tudo isso dentro da Apple.
Mas talvez o mais interessante não seja o passado. É o que pode acontecer agora. Depois de sair da Apple, Ive fundou uma nova empresa se aproximou de um novo tipo de matéria-prima: algoritmos. E ao se aproximar da OpenAI, o movimento deixa de ser “de design” e passa a ser histórico.
Estamos vivendo a primeira grande revolução tecnológica que nasceu sem forma física. A inteligência artificial está em servidores, data centers, nuvens invisíveis. Ela transforma tudo, mas não tem corpo. Ela decide, mas não ocupa espaço na mesa.
Se 2007 foi o ano em que o software ganhou uma superfície elegante para tocar, 2026 pode ser o ano em que a IA ganha um objeto. Não um smartphone com ChatGPT. Mas algo nativo. Algo desenhado para algoritmos, não adaptado a eles.
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Essa pode ser a maior obra de Jony Ive. Porque transformar chips em desejo é difícil.
Mas transformar modelos de linguagem em algo tangível pode ser ainda maior. O mundo está acostumado a telas. A próxima fronteira pode ser interação ambiental, dispositivos sem interface tradicional, um hardware que assume papel importante, mas secundário, para que a IA brilhe.
Se Ive conseguir dar forma física à inteligência artificial, ele não estará apenas lançando um produto. Estará definindo como humanos convivem com máquinas que pensam. E isso é maior do que um telefone. É uma nova arquitetura de comportamento.
O arquiteto do passado desenhou o objeto que colocou a internet no bolso. O arquiteto do futuro pode desenhar o objeto que coloca a inteligência no ambiente. Se isso acontecer, 2026 não será apenas mais um lançamento. Pode ser o ano em que os algoritmos ganharam corpo.



