A Curva Exponencial dos Robôs
Nas últimas semanas, vídeos de robôs humanoides chineses viralizaram mostrando movimentos coordenados, equilíbrio fino e um nível de “presença” que até pouco tempo atrás parecia ficção científica. Muita gente viu como curiosidade. O ponto é que esses vídeos são só a vitrine de algo maior: o momento em que os robôs deixaram de ser protótipos simpáticos e começaram a entrar numa curva de produto.
Humanoides demoraram décadas para sair do laboratório porque o desafio nunca foi só “pensar”. Era dar corpo à inteligência: equilíbrio, motores, mãos, sensores, autonomia, segurança perto de humanos. O que mudou agora é que essas camadas começaram a evoluir juntas. IA mais poderosa, simulação mais realista, componentes mais baratos e uma indústria inteira testando em paralelo. Quando habilidades viram software, elas passam a se replicar em escala. A evolução deixa de ser linear e passa a parecer exponencial.
Esse mercado já tem uma disputa clara de plataformas. Na China, empresas como Unitree ganharam visibilidade global. No Ocidente, o jogo é pesado: Tesla com o Optimus, Figure AI, Apptronik, Agility, Boston Dynamics. Não é sobre “quem faz o robô mais legal”. É sobre quem domina a combinação entre corpo, IA e produção em escala. Quem acertar isso vira o sistema operacional do trabalho físico.
As projeções variam, mas o consenso é que estamos falando de um mercado que sai de dezenas de bilhões em poucos anos, entra na casa de dezenas de bilhões na próxima década e caminha para centenas de bilhões à medida que os robôs deixam a indústria e começam a ocupar serviços e tarefas do cotidiano. Não é um salto de um dia para o outro, mas é uma rampa que fica cada vez mais íngreme.
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E tem um sinal que diz muito sobre o momento. Até a Tesla já anunciou que vai reduzir a produção de milhões de carros para liberar espaço fabril e acelerar a produção de robôs humanoides. Isso não é marketing. É alocação de capital industrial. Quando uma empresa troca chão de fábrica de carro por robô, é porque enxerga uma nova categoria nascendo.
O erro comum é imaginar robôs em casa como algo distante. A história das tecnologias físicas costuma ser outra: primeiro entram onde o ROI é óbvio, tarefas repetitivas, caras ou perigosas. Depois migram para serviços. E, quando a gente percebe, passam a conviver com a gente de forma banal. Não porque viraram “humanos”, mas porque viraram economicamente inevitáveis.


