Bom dia! Hoje é 14 de setembro. Foi neste mesmo dia, em 1959, que o Bank of America deu um passo decisivo para a automação do sistema financeiro. Na época, o volume de cheques crescia tão rápido que os bancos já tinham dificuldade para processar tudo manualmente. A solução foi o ERMA, sistema desenvolvido pelo Stanford Research Institute e fabricado pela General Electric, capaz de ler automaticamente os números impressos nos cheques por meio de tinta magnética e da tecnologia MICR.
Na prática, isso permitiu que máquinas identificassem contas, organizassem documentos e processassem pagamentos com muito mais velocidade. Mais do que acelerar o trabalho dos bancos, o ERMA introduziu uma ideia que está na base do sistema financeiro atual: transformar informações financeiras em dados que podem ser lidos e processados por máquinas. Décadas depois, essa mesma lógica estaria por trás de cartões, caixas eletrônicos, transferências digitais, Pix, QR Codes e APIs bancárias.
A IA Está Avançando Rápido Demais?
Quando Dario Amodei, Sam Altman e Elon Musk concordam sobre alguma coisa, vale prestar atenção. Nos últimos dias, Amodei, CEO da Anthropic, defendeu publicamente que a indústria precisa controlar a velocidade de evolução da Inteligência Artificial.
Não significa parar a IA. Nem congelar inovação. A ideia é outra: evitar que a capacidade dos modelos avance mais rápido do que nossa capacidade de testar, entender e controlar esses sistemas.
O ponto central de Amodei é que entramos numa fase diferente da corrida. Os próprios modelos já ajudam a criar modelos melhores, os ciclos de evolução ficaram mais curtos e alguns comportamentos emergentes começam a surpreender até quem constrói essas tecnologias.
Sam Altman concordou com a necessidade de avaliações independentes e disse que a OpenAI também pretende ampliar esse tipo de acesso. Elon Musk foi ainda mais direto: “Dario tem razão”. E talvez esse seja o dado mais relevante dessa história.
Anthropic, OpenAI e xAI são concorrentes diretos. Disputam talentos, chips, capital, clientes e liderança tecnológica. Quando justamente os líderes dessa corrida começam a discutir como desacelerar a fronteira, o sinal merece atenção.
Durante anos, a grande pergunta foi: como acelerar a IA? Talvez estejamos entrando numa nova fase, em que a pergunta mais importante passa a ser: qual é a velocidade que ainda conseguimos controlar?
Brasil no mapa dos robôs.
A Figure AI, uma das empresas mais avançadas do mundo em robótica humanoide, começou a contratar em São Paulo. Mas o mais interessante não são as vagas. É para que elas servem.
A Figure, avaliada em US$ 39 bilhões, está buscando profissionais ligados à coleta e operação de dados. O objetivo é capturar movimentos, tarefas e interações do mundo real para treinar seus robôs. Isso ajuda a entender uma mudança importante na IA.
Um ChatGPT aprende, em grande parte, com informação digital. Um robô humanoide precisa aprender o mundo físico: como uma pessoa pega um copo, abre uma porta, organiza uma caixa, movimenta o corpo ou reage a um ambiente imprevisível. E esses dados não estão prontos na internet.
Por isso, a Figure criou uma operação global para coletá-los. Seu projeto Index já reúne milhões de vídeos de tarefas humanas em mais de 100 países. A própria companhia diz estar numa fase em que seu avanço é limitado principalmente por duas coisas: dados e poder computacional.
A chegada a São Paulo não significa, pelo menos ainda, uma fábrica de humanoides no Brasil. Mas significa algo talvez mais interessante: antes de os robôs chegarem aqui para trabalhar, o Brasil pode começar ajudando a ensiná-los a trabalhar.
Nós já falamos sobre esse “novo emprego” aqui no Entrelinhas. Você já viu que pessoas estão sendo pagas para filmar sua rotina diária: lavar roupas, limpar a casa, dobrar lençois. Todos esses dados do mundo real são um verdadeiro “tesouro” para as empresas de robótica.
Apple e o “App do Envelhecimento”.
Talvez, em breve, a próxima grande disputa da tecnologia já não seja pela sua atenção. Seja pelos seus dados biológicos. A Apple está ampliando silenciosamente sua posição em saúde e longevidade. A nova versão do app Saúde passa a reunir informações do iPhone, Apple Watch, AirPods, exames laboratoriais e registros clínicos para construir uma visão cada vez mais contínua do usuário.
Um dos novos recursos é o Health Age: uma estimativa que compara sua idade cronológica com sinais do corpo, como capacidade cardiorrespiratória, sono, frequência cardíaca em repouso e variabilidade cardíaca.
Nos Estados Unidos, a Apple também começa a conectar essa experiência ao mundo dos exames. Usuários poderão comprar um pacote com mais de 50 biomarcadores, realizado pela Quest Diagnostics, e incorporar esses resultados ao próprio histórico de saúde. É aqui que a história fica mais interessante.
Durante anos, a Apple vendeu dispositivos capazes de medir o corpo. Agora, começa a construir uma plataforma capaz de interpretá-lo ao longo do tempo. Isso muda completamente o jogo.
O valor deixa de estar apenas no relógio, no fone ou no celular. Passa a estar na capacidade de juntar sinais que hoje vivem separados, identificar mudanças e transformar tudo isso em orientação personalizada. É uma entrada direta na “economia da longevidade”, um mercado que já movimenta trilhões de dólares.
Mas talvez exista algo ainda maior por trás disso. Se o iPhone se tornou a interface da nossa vida digital, a Apple parece querer transformar o Saúde na interface da nossa vida biológica. E, nesse mercado, quem conhece melhor o usuário talvez consiga criar o produto mais difícil de abandonar de todos: aquele que acompanha como você está envelhecendo.
Por Que Amazon e TikTok Estão Obcecados por Beleza
A Amazon aumentou em 45% seu portfólio de beleza no Brasil em 2026. O movimento faz sentido quando aparece outro dado: 48% dos brasileiros dizem já ter comprado um produto porque receberam uma recomendação de alguém na internet. É o dobro dos Estados Unidos e, segundo a Amazon, o maior índice entre os mercados pesquisados.
Agora junte isso ao que está acontecendo no TikTok Shop. Somente no primeiro semestre de 2026, beleza e cuidados pessoais movimentaram US$ 2,08 bilhões na plataforma nos Estados Unidos. Já é a maior categoria do TikTok Shop. Não parece coincidência.
Beleza talvez seja uma das categorias que melhor explica para onde o comércio está caminhando porque reúne, numa mesma jornada, quatro elementos: descoberta, demonstração, influência e compra. Antes, você percebia uma necessidade, procurava um produto, comparava opções e comprava.
Agora, muitas vezes, essa sequência começa ao contrário. Você não procura o produto. O algoritmo encontra você. Um vídeo apresenta algo que você nem sabia que queria, demonstra o resultado, oferece prova social e coloca o botão de compra a poucos centímetros de distância.
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É por isso que a disputa entre Amazon, TikTok e outros grandes players não é apenas por quem tem mais produtos. É por quem controla o momento da descoberta. O mercado brasileiro de beleza movimentou cerca de R$ 200 bilhões em 2025 e já é o terceiro maior do mundo.
Podemos estar vendo, nessa categoria, um ensaio do que acontecerá com muitas outras: o e-commerce nasceu da busca. O próximo comércio pode nascer da recomendação.







