Bom dia! Hoje é 31 de agosto. Nesse mesmo dia, em 1955, a General Motors apresentou o Sunmobile, um pequeno carro experimental movido a energia solar. Com apenas cerca de 38 centímetros, o protótipo usava células fotovoltaicas para gerar eletricidade e alimentar um motor elétrico. Era uma demonstração simples, quase didática, mas carregava uma ideia que hoje parece extremamente familiar: usar energia limpa para mover veículos.
O mais interessante é perceber o intervalo entre a invenção e a adoção. Setenta anos antes da atual corrida por eletrificação, baterias e energia renovável, uma das maiores montadoras do mundo já testava esse caminho. A tecnologia, porém, ainda não estava pronta para transformar aquela visão em mercado. É um bom lembrete de que algumas revoluções não começam quando uma ideia surge, mas quando custo, infraestrutura, tecnologia e comportamento finalmente se encontram.
Chegaram mais 4 chineses.
Mais quatro marcas de carros chineses acabam de anunciar ou detalhar sua entrada no mercado brasileiro: BAIC, iCAUR, DFM e IM. Com elas, o Brasil já passa de 20 marcas de origem chinesa com presença ou operação comercial no país.
Há poucos anos, para a maioria dos brasileiros, carro chinês era praticamente sinônimo de duas ou três marcas e qualidade duvidosa. Agora, eles estão em todos os lugares. E não estão chegando apenas com carros importados.
A BAIC fala em fábrica no Brasil, 150 pontos de venda e 10 modelos até 2028. A DFM pretende abrir 60 lojas e já planeja produção local. A iCAUR é mais uma ofensiva do gigantesco grupo Chery. E a IM, controlada pela SAIC, vem atacar o mercado de luxo.
Mas talvez o número mais impressionante esteja fora das concessionárias: entre janeiro e julho de 2026, as importações de veículos vindos da China cresceram 105,4% e já representaram mais da metade de todos os carros importados pelo Brasil.
Durante muito tempo, quando falávamos sobre a chegada de carros chineses, a disputa se resumia a preço. Agora, os “ecossistemas” é o que melhor define: tecnologia, baterias, software, velocidade de desenvolvimento, distribuição e, cada vez mais, produção local.
E há outra diferença importante. Os chineses não estão escolhendo um único segmento para atacar. Há carros de entrada, SUVs, picapes, híbridos, elétricos e modelos de luxo. A competição não está vindo por uma porta. Está entrando por todas.
Mounjaro para Cabelo?
Depois da febre das canetas emagrecedoras, Wall Street parece estar tentando antecipar a próxima grande onda da indústria farmacêutica: a calvície. A Veradermics já valorizou quase 500% desde seu IPO, enquanto a Absci mais que dobrou de valor em 2026.
Pode ser apenas euforia. Mas também pode ser antecipação de sinal. A alopecia afeta centenas de milhões de pessoas, os principais medicamentos usados hoje existem há décadas e uma nova geração de tratamentos começa a avançar nos testes clínicos. Um deles tem potencial estimado de US$ 4 bilhões em vendas anuais.
Só que existe uma segunda entrelinha aqui: a IA pode estar começando a encurtar o ciclo de criação de medicamentos. O ABS-201, candidato da Absci contra a queda de cabelo, foi desenvolvido com IA generativa. A empresa diz ter conseguido levá-lo do conceito à clínica em cerca de 2 anos, contra os 5 ou 6 anos tradicionalmente necessários nessa etapa.
Talvez estejamos vendo duas curvas se encontrarem. De um lado, mercados gigantescos esperando soluções melhores. Do outro, uma tecnologia capaz de aumentar drasticamente o número de moléculas testadas e reduzir o tempo necessário para encontrar novos medicamentos.
O Mounjaro pode ter sido mais do que um fenômeno farmacêutico. Pode ter mostrado ao mercado o tamanho da recompensa para quem descobrir primeiro a próxima solução que milhões de pessoas desejam. E a IA pode fazer essas descobertas chegarem cada vez mais rápido.
Cerveja e IA no Cardápio do Bar.
Em Pequim, um bar resolveu adicionar uma coisa diferente ao cardápio: inteligência artificial ilimitada. No AGI Bar, o cliente compra uma bebida e ganha acesso gratuito a tokens para usar diferentes modelos de IA.
A cerveja mais vendida custa só 9,9 yuans, cerca de US$ 1,47. Depois de pedir, muitos clientes abrem o notebook, conectam no Wi-Fi e configuram seus agentes. O bar mantém até o DeepSeek-V4-Flash rodando localmente em dois Nvidia DGX Spark.
Pode parecer apenas uma ação de marketing. Mas existe uma entrelinha interessante: tokens estão começando a virar infraestrutura. Durante anos, bares e cafés atraíram clientes oferecendo Wi-Fi gratuito. Agora, na China, já existe lugar oferecendo capacidade computacional e acesso à IA como parte da experiência.
Talvez seja mais um sinal de como a adoção realmente acontece. Primeiro, a tecnologia é cara e restrita. Depois vira produto. Em seguida, vira serviço. Até chegar ao momento em que simplesmente esperamos que ela esteja disponível em todo lugar. O Wi-Fi já foi motivo para escolher um café. Talvez, daqui a pouco, a quantidade de tokens seja.
Anthropic cria “USB” para IA.
A Anthropic acaba de apresentar o MHS - Model Hardware Standard. Parece complicado, mas a ideia é simples: imagine um USB universal para a inteligência artificial se conectar a máquinas do mundo físico.
Hoje, um microscópio, um braço robótico e uma máquina de laboratório normalmente falam “línguas” diferentes. Para fazê-los trabalhar juntos, engenheiros precisam criar integrações específicas que podem levar semanas ou meses. O MHS cria uma linguagem comum. A Anthropic diz que algumas dessas integrações podem cair para horas ou minutos.
E aí começa a parte realmente importante. Com as máquinas conectadas, um agente pode receber uma ordem como: “execute este experimento”. Ele pode controlar equipamentos, acompanhar resultados, mudar parâmetros e coordenar várias máquinas ao mesmo tempo. Em um teste com a Genentech, Claude chegou a operar equipamentos de laboratório, analisar os resultados e ajustar sozinho a forma como o experimento era executado.
E isso pode representar algo bem maior para a Anthropic. Antes, a empresa criou o MCP, um padrão que permite que a IA se conecte a coisas do mundo digital, como arquivos, bancos de dados, softwares e ferramentas. Pense nele como uma espécie de tomada universal para a IA conversar com sistemas digitais.
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Agora, com o MHS, a Anthropic quer levar essa mesma lógica para o mundo físico. Em outras palavras: o MCP conecta a IA ao software. O MHS quer conectar a IA às máquinas. Isso pode colocar a Anthropic em uma posição muito maior do que simplesmente vender o Claude.
Se esses padrões forem amplamente adotados, a empresa pode ajudar a definir como as IAs vão se conectar tanto ao mundo digital quanto ao mundo físico. E aí está a grande entrelinha. Os agentes de IA começaram lendo documentos, acessando sistemas e usando softwares. O próximo passo é controlar microscópios, robôs, equipamentos industriais e linhas de produção.






