Quase tudo ao nosso redor foi acelerado. As mensagens chegam na hora. A comida em minutos. As compras, no mesmo dia. Filmes começam quando queremos. Respostas aparecem antes mesmo de terminarmos de formular a pergunta.
Nos negócios, velocidade virou virtude. Decidir rápido, testar rápido, lançar rápido, corrigir rápido. Em muitos mercados, estar certo tarde demais é quase a mesma coisa que estar errado.
Só que existe uma categoria de coisas que parece resistir a essa lógica. Não dá para acelerar uma amizade verdadeira. Não existe atalho para construir confiança. Reputação continua levando anos. Aprender alguma coisa de verdade exige repetição, erro e tempo. Uma boa conversa não melhora quando tentamos terminá-la mais rápido.
Até a leitura funciona assim. Podemos resumir um livro em cinco minutos, assistir a um vídeo sobre ele ou pedir para uma IA listar suas principais ideias. Vamos ganhar tempo. Mas talvez não ganhemos exatamente a mesma coisa. Algumas ideias precisam permanecer conosco por algum tempo antes de se tornarem nossas.
Talvez esse seja um dos paradoxos do nosso tempo: ficamos extraordinariamente bons em economizar minutos e, ao mesmo tempo, começamos a tratar como desperdício justamente os processos que precisam deles.
Entre no canal Entrelinhas no WhatsApp e siga nosso Instagram: informação rápida, em tempo real, que tangibilizam as transformações.
A tecnologia continuará comprimindo o tempo. E isso é ótimo. Provavelmente vamos esperar cada vez menos por quase tudo. Mas talvez maturidade seja também saber distinguir aquilo que deve ser acelerado daquilo que perde valor quando tentamos apressar.
Porque a velocidade virou uma vantagem competitiva em quase tudo. Menos, talvez, nas coisas mais importantes.



