Os Quiosques da Saúde na China
A China começou a espalhar quiosques médicos com inteligência artificial em estações de metrô, centros urbanos e áreas de grande circulação. Em poucos minutos, a pessoa descreve seus sintomas, mede sinais vitais básicos e recebe uma triagem automatizada. A IA cruza essas informações com uma base gigantesca de dados clínicos e sugere hipóteses iniciais de diagnóstico. Em muitos casos, um médico remoto valida o resultado e orienta o próximo passo. Não é sobre substituir médicos. É sobre encontrar sinais de problema logo cedo e cuidar das pessoas.
O impacto real não está na máquina, mas no deslocamento da porta de entrada da saúde. O hospital deixa de ser o primeiro contato e passa a ser o lugar da complexidade. A triagem, o filtro e a orientação básica migram para a borda do sistema, onde as pessoas já estão. É o mesmo movimento que aconteceu com bancos, que saíram das agências para os apps, e com o varejo, que saiu das lojas para o bolso. A saúde começa a seguir o mesmo caminho.
Isso muda a lógica de custo e do acesso. Casos simples deixam de congestionar hospitais, profissionais ganham tempo para cuidar do que realmente exige atenção humana e o sistema passa a operar com muito mais eficiência. Ao mesmo tempo, cria-se uma nova camada de dados em tempo real sobre sintomas, padrões de adoecimento e comportamento da população.
O sinal maior é que estamos entrando numa era em que a medicina se apoia infraestrutura digital. O cuidado não começa mais no consultório, começa no cotidiano. A pergunta que fica não é se isso vai chegar a outros países, mas quem vai construir essa camada de interface entre tecnologia e saúde. Porque quem controlar a porta de entrada da saúde passa a controlar também a lógica de valor desse mercado.
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E, como eu já disse, “saúde” é o maior mercado do mundo. Se existem 8 bilhões de pessoas no planeta, existem 8 bilhões de “clientes”. A saúde é o ativo mais importante que cada um de nós carrega e tenho certeza que, diante de um problema grave, trocaríamos qualquer coisa pela cura. Não é à toa que as big techs estão investindo pesado em wearables e IAs focados nos dados de saúde.



