US$ 665 bilhões queimados, Domínio dos Robôs na Amazon, Navios Chineses e CazéTV na Copa
Bom dia. Hoje é dia 24 de fevereiro. Foi nesse mesmo dia, em 1997, que a Apple finalizou a compra da NeXT, empresa fundada por Steve Jobs. Isso marcou o retorno de Jobs à Apple, depois de ter sido demitido da empresa que havia fundado.
US$ 665 bilhões em queima de caixa.
É isso que a OpenAI projeta gastar em infraestrutura de IA para sustentar seus próprios algoritmos. Data centers, chips, energia, rede, tudo junto. Não é investimento incremental. É uma corrida armamentista de capital pesado, daquelas que mudam a geografia do poder tecnológico.
O ponto é que esse tipo de jogo não se paga rápido. O retorno vem no longo prazo, se vier. Modelos melhores geram mais uso, mais uso gera mais custo, e a conta de computação cresce junto. A economia da IA ainda não encontrou um ponto de equilíbrio claro entre escala, margem e sustentabilidade financeira.
A pergunta incômoda segue a mesma: quem banca isso tudo? Fundos de venture capital não têm bala pra tudo isso. Big techs até têm caixa, mas também têm acionistas, ciclos, pressões por margem. Em algum momento, a lógica de “crescer primeiro, pensar no lucro depois” começa a bater no teto físico da infraestrutura.
Talvez a maior disputa da era da IA não seja só por quem tem o melhor modelo, mas por quem controla a infraestrutura que sustenta esses modelos. No fim, a vantagem competitiva pode não estar no algoritmo, mas em quem consegue pagar a conta para mantê-lo rodando.
Amazon passa de 1 milhão de robôs.
Com cerca de 1,5 milhão de funcionários humanos, a relação já é de 1 robô para cada 1,5 pessoas dentro da operação. Isso muda completamente a matemática do crescimento e permite algo difícil no varejo digital: escala de margem.
Até aqui, escalar receita quase sempre significou escalar gente, galpão, turno, custo fixo. Com robôs assumindo cada vez mais tarefas repetitivas, físicas e previsíveis, a Amazon começa a destravar um modelo diferente: crescer o volume sem crescer na mesma proporção a estrutura.
O impacto real não é “substituição de pessoas”, é mudança da curva de custo. Cada novo robô que entra reduz o custo marginal de atender mais pedidos, encurta prazos, aumenta previsibilidade e cria uma vantagem competitiva que não aparece no DRE de um trimestre, mas redefine o jogo nos próximos anos.
Domínio naval chinês.
A China não “virou” potência naval. Ela já é, há tempo. Em alguns anos recentes, estaleiros chineses produziram mais navios em tonelagem do que os Estados Unidos conseguiram produzir desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Não é força de expressão. É escala industrial real, acumulada ao longo de décadas.
Hoje, mais da metade de todos os navios comerciais do mundo sai de estaleiros chineses. Em novas encomendas, a fatia chega perto de dois terços do mercado global. Enquanto isso, os EUA viraram praticamente irrelevantes na construção naval comercial. A diferença não é competitiva. É estrutural.
Isso muda o jogo geopolítico. Quem domina a construção de navios domina cadeias logísticas, rotas de comércio e, no limite, capacidade de projeção de poder no mar. A indústria civil alimenta a capacidade militar. A fronteira entre uma coisa e outra, no caso chinês, é cada vez mais tênue.
O recado é mais simples e mais incômodo do que parece. Não é sobre navios. É sobre quem controla a espinha dorsal do mundo físico num planeta que ainda depende de aço, portos, estaleiros e coisas bem pouco “digitais”. A tal da guerra industrial nunca acabou. A gente só parou de olhar para ela do jeito certo.
A Copa do Cazé.
A CazéTV, canal fundado por Casimiro Miguel em 2022 e hoje um dos maiores canais de esportes do YouTube no Brasil, vai exibir todos os 104 jogos da Copa do Mundo de graça no YouTube, algo inédito no país para o torneio mais visto do planeta.
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O impacto comercial dessa transmissão já é enorme: a CazéTV fechou cerca de R$ 2 bilhões em patrocínios para a Copa 2026, com 11 grandes marcas confirmadas comprando cotas de exibição e engajamento. Um número que coloca o canal no mesmo patamar financeiro das receitas que a Globo projeta para a cobertura do mundial.
Entre os patrocinadores estão nomes como Ambev, Coca-Cola, iFood, Itaú, Mercado Livre, Vivo e GM. Marcas que apostaram na transmissão digital e no público jovem conectado do canal. O valor por cada cota máster chegou a cerca de R$ 185 milhões.
Esse movimento não é só uma mudança de plataforma: é uma quebra de modelo histórico no Brasil. Pela primeira vez, um canal digital tem faturamento e alcance comparáveis aos dos grandes players da TV tradicional em um evento global, mostrando como esportes + internet estão transformando o mercado de mídia e publicidade no país.






