Trump Sócio da OpenAI, Nvidia Puxando a Fila, Novos Shopping Chineses e Rejeição às Redes Sociais
Bom dia. Hoje é 8 de junho. Nesse mesmo dia, em 1998, a America Online (AOL) anunciava a compra da Mirabilis, empresa israelense dona do ICQ, por expressivos US$ 287 milhões (uma fortuna para a época). O movimento foi um marco na consolidação do mercado de internet dos anos 90 e provou o valor comercial e o potencial de engajamento que as redes de mensagens instantâneas possuíam.
A Nvidia puxa uma fila enorme
A maioria das pessoas olha para a Nvidia e vê uma empresa. Mas ela se tornou o ponto mais visível de uma cadeia gigantesca. A Nvidia projeta os chips. A TSMC fabrica os chips. A ASML fabrica as máquinas que fabricam os chips. A Nvidia é a locomotiva. Quando acelera, puxa todos os vagões junto.
Mas a história não termina nos semicondutores. Toda a indústria de IA depende de chips. E toda a indústria de chips depende de energia. Quanto mais inteligência artificial o mundo consome, mais eletricidade precisa ser gerada. Por trás de cada agente, chatbot ou modelo avançado existe uma conta de energia crescente.
E a energia também não surge do nada. Ela depende de usinas, redes elétricas, transformadores e sistemas de armazenamento. E tudo isso depende de cobre, alumínio, aço, silício, urânio, lítio e uma longa lista de recursos naturais. O que parece uma revolução digital é, ao mesmo tempo, uma enorme transformação industrial.
É por isso que olhar apenas para a Nvidia pode ser um erro. O valor não está apenas na locomotiva. Está nos vagões. E, muitas vezes, nos trilhos. A corrida pela inteligência artificial é também uma corrida por energia, infraestrutura e recursos naturais. O futuro parece digital. Mas suas fundações continuam profundamente físicas.
EUA será sócio da OpenAI?
O Estado passou anos discutindo como taxar a inteligência artificial. Agora, começa a discutir como participar dela. Donald Trump confirmou conversas sobre modelos em que os cidadãos americanos se tornam sócios das empresas de IA. A OpenAI é apontada como a principal candidata. A ideia é simples: parte do valor gerado pela tecnologia retornaria diretamente para a população.
A leitura imediata é enxergar intervenção estatal. Mas o sinal mais interessante está em outro lugar. Na mesma semana, Bernie Sanders propôs que empresas de IA paguem um imposto de 50% em ações. Trump quer participação. Sanders quer participação. Quando extremos políticos convergem para o mesmo instrumento, normalmente a discussão deixou de ser sobre o princípio e passou a ser sobre o tamanho da participação.
A pergunta importante é outra: por que uma empresa dividiria voluntariamente sua riqueza com toda a população? Empresas não distribuem valor por generosidade. Fazem isso quando enxergam um risco maior à frente. A hipótese implícita é que a inteligência artificial poderá reduzir a importância do trabalho como principal mecanismo de distribuição de renda. O dividendo da IA pode ser menos um programa social e mais uma tentativa de preservar estabilidade econômica e social.
A implicação mais profunda é que a IA está deixando de ser apenas um setor da economia para se tornar um ativo estratégico de Estado. Como aconteceu com petróleo, energia e sistema financeiro em outros momentos da história. E quando o governo se torna acionista de uma tecnologia, ele deixa de ser apenas regulador. Passa a ter interesse direto no seu sucesso. O que está em jogo não é apenas quem controla a inteligência artificial. É quem participa dos resultados que ela produzirá.
Os Novos Shopping Centers
Os chineses estão transformando shoppings em florestas, parques, cachoeiras, jardins suspensos e espaços de convivência. A lógica é simples: se a internet é melhor para comprar, o espaço físico precisa ser melhor para viver. O shopping deixa de ser um centro de consumo para se tornar um destino de experiência.
Esse movimento revela algo maior. Durante décadas, o varejo físico competiu com o e-commerce tentando ser mais eficiente. Agora, começa a competir tentando ser mais humano. Os novos projetos na China são desenhados para lazer, bem-estar, gastronomia, encontros, atividades culturais e convivência. Comprar passa a ser uma consequência da visita, não a razão principal dela.
O sinal fica ainda mais forte quando observamos quem frequenta esses espaços. A geração que nasceu na internet está voltando ao mundo físico. Mas não para comprar produtos. Ela busca experiências, comunidades, entretenimento, identidade e conexão social. Os shoppings mais bem-sucedidos da China descobriram que seu concorrente não é outro shopping. É o sofá de casa.
O shopping center do futuro pode se parecer menos com um centro comercial e mais com uma praça pública privatizada. Um lugar onde pessoas trabalham, encontram amigos, praticam atividades, participam de eventos, produzem conteúdo e passam horas. O varejo continua presente, mas deixa de ser o protagonista. O que a China está mostrando é que, na economia digital, os espaços físicos que sobreviverão não serão aqueles que vendem coisas. Serão aqueles que oferecem motivos para as pessoas saírem de casa.
A procura da liberdade
Existe um paradoxo silencioso surgindo diante dos nossos olhos. A Gen Z foi a primeira geração a crescer totalmente conectada. Nunca conheceu um mundo sem smartphones, redes sociais ou internet móvel. Mesmo assim, 40% dos jovens dizem que gostariam que as redes sociais nunca tivessem sido inventadas. E mais da metade já tentou abandoná-las pelo menos uma vez.
Entre no canal Entrelinhas no WhatsApp e siga nosso Instagram: informação rápida, em tempo real, que tangibilizam as transformações.
O dado mais interessante não está na rejeição à tecnologia. Está na rejeição aos algoritmos. As maiores taxas de arrependimento aparecem justamente nas plataformas construídas para maximizar engajamento, tempo de tela e consumo infinito de conteúdo. Já ferramentas mais utilitárias, como internet, aplicativos de mensagem e até o próprio smartphone, sofrem muito menos rejeição. O problema parece não ser a conexão. É a captura da atenção.
Isso revela uma mudança importante. Durante anos, as redes sociais venderam a promessa de aproximação entre pessoas. Mas, para uma parcela crescente dos jovens, elas passaram a representar ansiedade, comparação permanente, excesso de estímulos e sensação de dependência. O que começou como uma ferramenta de conexão está sendo percebido, cada vez mais, como uma ferramenta de distração.
Talvez esse seja um dos grandes sinais da próxima década. Depois de anos competindo por atenção, as empresas passarão a competir por bem-estar. O novo luxo digital pode não ser estar conectado o tempo todo. Pode ser conseguir se desconectar quando quiser. E as plataformas que entenderem isso primeiro talvez descubram que o futuro não pertence a quem captura mais atenção, mas a quem devolve mais controle para as pessoas.






