The Next Now: o futuro é agora
Existe uma ideia confortável de que o futuro é algo que vem depois. Amanhã, no próximo ciclo. Na próxima tecnologia disruptiva ou na próxima geração de consumidores. A NRF 2026 desmontou essa lógica com uma expressão simples e poderosa: The Next Now. O futuro não está à frente. Ele já encostou no presente.
O intervalo entre o “agora” e o “daqui a pouco” praticamente desapareceu. O que antes levava anos para se materializar hoje leva meses, às vezes semanas. A inovação deixou de ser um evento pontual para se tornar um fluxo contínuo. E, nesse cenário, o tempo deixa de ser apenas um fator estratégico e passa a ser um custo existencial. Atrasar-se não significa perder eficiência. Significa perder relevância.
O ponto central de The Next Now não é velocidade pela velocidade. É consciência. É entender que presente e futuro já estão sobrepostos. As decisões tomadas hoje já operam em condições de amanhã. Os clientes de agora já se comportam como os clientes do futuro. A tecnologia que parece experimental hoje já define padrões invisíveis de expectativa, conveniência e experiência.
Isso cria uma tensão interessante. De um lado, a ansiedade de correr atrás de tudo o que é novo. Do outro, o risco de paralisia diante de tantas mudanças simultâneas. O equilíbrio está em reconhecer que nem tudo precisa ser adotado, mas tudo precisa ser entendido. Estratégia, agora, não é prever o futuro distante. É interpretar corretamente os sinais que já estão ativos no presente.
Empresas que prosperam nesse contexto não são as que tentam adivinhar o que vem depois, mas as que conseguem encurtar seu tempo de reação. Elas experimentam mais, aprendem mais rápido e corrigem o curso em movimento. Trocam planos rígidos por arquiteturas flexíveis. Trocam certezas por hipóteses testáveis.
The Next Now também muda a liderança. Liderar deixa de ser conduzir pessoas rumo a um horizonte distante e passa a ser ajudar times a navegar um presente em transformação constante. Exige menos controle e mais leitura de contexto. Menos discurso e mais decisão. Menos apego ao que funcionou e mais disposição para desaprender.
No fundo, essa expressão carrega um alerta e uma conclusão ao mesmo tempo. O alerta é claro: quem trata o futuro como algo distante está, na prática, ficando para trás agora. A conclusão é inevitável: o futuro não está chegando. Ele já chegou, silenciosamente, embutido nas escolhas que fazemos hoje.
O futuro está acontecendo agora.



