Bom dia! Hoje é 19 de outubro. Nesse mesmo dia, em 19 de outubro de 1862, nascia o engenheiro Auguste Lumière, que ao lado do irmão Louis criou o cinematógrafo em 1895. Enquanto Thomas Edison apostava em caixas pesadas para exibição individual, os Lumière desenvolveram um aparelho portátil capaz de filmar e projetar imagens na parede para uma sala inteira, inventando a experiência do cinema e provando o poder comercial de reunir multidões diante de uma tela.
Em termos simples, pense que Edison tentou criar um celular para uso solitário, enquanto os Lumière inventaram a TV da sala e o telão coletivo. Essa virada definiu a indústria audiovisual até hoje: da venda de ingressos às assinaturas de plataformas como Netflix e YouTube, a lógica continua sendo exatamente a mesma que Auguste inaugurou: produzir histórias visuais e distribuí-las em massa para o maior público possível.
Demanda até 2030.
Na última semana, surgiram vários sinais importantes sobre o mercado de infraestrutura de inteligência artificial. Empresas relevantes dessa cadeia produtiva já estão ampliando seus investimentos para atender a uma demanda projetada até 2030. Isso indica que, pelo menos na visão dessas companhias, o ciclo de expansão da infraestrutura de IA ainda está longe de terminar.
A japonesa Sumitomo Bakelite, fabricante de materiais usados no encapsulamento de chips de IA, anunciou investimentos para ampliar sua produção, com a possibilidade de triplicar sua capacidade até 2030. Para simplificar, a empresa produz materiais que ajudam a formar a “capa” que protege os poderosos chips responsáveis pelo processamento dos algoritmos de inteligência artificial.
Em uma entrevista recente que fiz com Márcio Aguiar, líder da operação da Nvidia no Brasil, ele revelou que a companhia já possui pedidos firmes de clientes para pelo menos os próximos três anos. Ou seja, a maior parte da indústria não está se preparando apenas para a demanda atual, mas para um volume de negócios muito maior nos próximos anos.
Enquanto boa parte do mercado discute se estamos diante de uma bolha de inteligência artificial, empresas que fornecem os componentes essenciais dessa infraestrutura estão investindo bilhões para ampliar sua capacidade produtiva. Isso não elimina o risco de excesso de investimentos, mas revela algo importante: a corrida pela IA deixou de ser apenas uma disputa por algoritmos. Tornou-se uma gigantesca transformação industrial, com efeitos sobre semicondutores, energia, materiais, construção e infraestrutura. E seus próximos capítulos já estão sendo planejados para 2030.
Mudança no perfil de trabalho.
Um levantamento divulgado pela Anthropic, criadora do Claude, revela sinais importantes sobre como a inteligência artificial está transformando o perfil dos profissionais e a organização do trabalho. E o mais interessante é que essas mudanças já estão acontecendo dentro de uma das empresas mais avançadas em IA do mundo.
Desde o início de 2025, a participação de profissionais juniores nas equipes técnicas caiu de 21% para 14%. Entre as novas contratações técnicas, a mudança foi ainda mais expressiva: a participação dos juniores despencou de 27% para apenas 9%. Ao mesmo tempo, a proporção de funcionários técnicos no quadro geral caiu de 61% para 56%, em parte porque profissionais de outras áreas agora conseguem desenvolver soluções utilizando inteligência artificial.
Outra descoberta chama atenção. Em uma pesquisa interna, 20% dos funcionários afirmaram que seu trabalho passou de executar tarefas para gerenciar agentes de IA. E, contrariando a expectativa de que a tecnologia reduziria a necessidade de interação humana, o tempo gasto em reuniões aumentou 20% em um ano. A explicação é que, com as máquinas produzindo cada vez mais, a necessidade de coordenação, avaliação e tomada de decisões humanas também cresce.
A inteligência artificial não está apenas substituindo tarefas. Está redesenhando a composição das equipes e a própria natureza do trabalho. Profissionais deixam de ser apenas executores para se tornarem coordenadores de sistemas inteligentes. O desafio é que, se as empresas precisarem de menos profissionais iniciantes, como formarão os especialistas e líderes do futuro? Talvez uma das maiores transformações da IA não esteja nos empregos que desaparecerão, mas na maneira como as próximas gerações aprenderão a trabalhar.
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A Tesla apresentou nesta semana o novo Roadster, seu superesportivo elétrico que promete acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente um segundo e até realizar pequenos voos utilizando tecnologias desenvolvidas com a SpaceX.
Mas existe um detalhe curioso nas letras miúdas do contrato de reserva. A Tesla deixa claro que não pode garantir quando o veículo será entregue. Nem mesmo se ele será entregue algum dia. E não estamos falando de pouco dinheiro. Algumas versões exigem depósitos de até US$ 250 mil, embora os valores sejam reembolsáveis conforme as condições contratuais.
O mais interessante é que o Roadster foi anunciado originalmente em 2017, com previsão de entrega para 2020. Nove anos depois, o carro continua sem produção em série, e a nova previsão é começar a fabricá-lo em 2028.
O que chama atenção é a capacidade da Tesla de transformar uma promessa tecnológica em desejo de consumo antes mesmo de ter um produto disponível. A empresa não vende apenas um automóvel. Vende a possibilidade de participar antecipadamente de um futuro que ainda está sendo construído.
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Mas existe uma linha tênue entre antecipar o futuro e vender expectativas. E, quanto mais tempo uma promessa demora para se concretizar, maior se torna a distância entre a inovação apresentada no palco e a confiança construída no mercado.
Magalog Comendo Pelas Beiradas
Enquanto Amazon, Mercado Livre e Shopee disputam a atenção dos consumidores brasileiros, o Magazine Luiza está fazendo um movimento interessante: em vez de enfrentar todos esses gigantes, decidiu se tornar parceiro deles.
Só em 2026, o Magalu fechou acordos com Amazon, Mercado Livre e, mais recentemente, Shopee. A estratégia é aproveitar a audiência dessas plataformas para vender seus próprios produtos, mantendo o controle sobre estoques e entregas.
Mas o negócio mais interessante pode estar nos bastidores. A Magalog, operação logística do Magazine Luiza, está ganhando escala com essas parcerias. Atualmente, mais de 30% de sua receita já vem de clientes externos. E, quanto maior o volume de entregas, melhor o aproveitamento da infraestrutura e menor tende a ser o custo por pacote.
A parceria com a Shopee pode acelerar ainda mais esse movimento. O Magalu estima que 75% dos consumidores que comprarem seus produtos pela plataforma serão novos clientes. O Magalu pode estar deixando de ser apenas uma varejista que precisa atrair consumidores para se tornar também uma empresa de infraestrutura que ganha dinheiro ajudando o comércio eletrônico a funcionar.
É uma mudança importante na lógica competitiva. Em vez de disputar cada cliente com os maiores marketplaces do país, o Magalu passa a aproveitar o crescimento deles. Afinal, em alguns mercados, o melhor negócio não é ser o dono da loja, mas controlar uma parte importante da infraestrutura que faz todas as lojas funcionarem. E a Magalog está comendo pelas beiradas.






