SpaceX + Anthropic, Uber no Delivery, Sangue com IA e Data Center do Paraguai
Bom dia. Hoje é 25 de maio. Nesse mesmo dia, 2012, a nave Dragon, da SpaceX, fez história ao se acoplar com sucesso à Estação Espacial Internacional. Essa foi a primeira vez que uma espaçonave comercial privada realizou essa façanha, tarefa que antes era exclusiva de governos (como os EUA e a Rússia). Esse evento abriu as comportas para a economia espacial moderna e validou o modelo de negócios de Elon Musk.
SpaceX e Anthropic: 220 mil GPUs
A corrida da inteligência artificial está deixando de ser apenas uma disputa por modelos. O verdadeiro campo de batalha agora é infraestrutura. GPUs, energia, data centers e capacidade computacional viraram alguns dos ativos mais valiosos do planeta.
Os documentos ligados ao IPO da SpaceX revelaram uma parceria bilionária entre Anthropic e Elon Musk. A dona do Claude concordou em pagar cerca de US$ 1,25 bilhão por mês para utilizar a infraestrutura de IA ligada ao ecossistema da SpaceX. O contrato vai até 2029 e pode ultrapassar US$ 40 bilhões no período.
Por trás do acordo estão os super data centers Colossus e Colossus II, além de mais de 220 mil GPUs Nvidia dedicadas ao treinamento e operação de modelos avançados de IA. O objetivo é claro: ampliar drasticamente a capacidade do Claude, reduzir limitações de uso e sustentar a explosão global de demanda por inteligência artificial.
Existe uma entrelinha importante aqui. Durante anos, muita gente acreditou que a IA seria uma guerra de software. Mas a realidade está mostrando outra coisa: quem controlar energia, chips e capacidade computacional terá uma vantagem quase impossível de alcançar. A nova corrida do ouro não acontece mais só no algoritmo. Ela acontece nos galpões, nos cabos, nos data centers e nas usinas que alimentam tudo isso.
Uber coloca força no delivery
O mercado de delivery entrou oficialmente em modo consolidação global. E a Uber parece determinada a ocupar uma posição ainda mais dominante nesse novo tabuleiro.
A empresa apresentou uma proposta para adquirir a alemã Delivery Hero em um negócio que avalia a companhia em cerca de US$ 11,6 bilhões. A oferta prevê € 33 por ação e acontece justamente no momento em que a Delivery Hero passa por uma revisão estratégica após pressão dos próprios acionistas. Hoje, a Uber já detém cerca de 20% da empresa e ainda possui direito de ampliar sua participação em mais 5,6%.
Existe uma mudança importante acontecendo nas entrelinhas desse setor. Durante anos, o jogo do delivery foi baseado em expansão acelerada, subsídios agressivos e crescimento a qualquer custo. Mas o cenário mudou. O crescimento desacelerou, a concorrência ficou brutal e agora a lógica passou a ser escala operacional, eficiência logística e domínio regional.
Nos últimos meses, a DoorDash fechou acordo para comprar a Deliveroo. A Prosus avançou sobre a Just Eat Takeaway.com. E agora a Uber amplia seu movimento sobre a Delivery Hero. O delivery está deixando de ser uma guerra de aplicativos para se transformar numa disputa por infraestrutura, dados, frequência de consumo e presença no cotidiano das pessoas. Quem dominar isso, domina muito mais do que comida.
Exame de Sangue com IA
A medicina está entrando numa nova era. A era onde a doença deixa de ser descoberta quando os sintomas aparecem e passa a ser identificada anos antes do problema acontecer.
Pesquisadores desenvolveram um exame de sangue com inteligência artificial capaz de prever doenças cardiovasculares com até 15 anos de antecedência. O sistema usa análise “multiômica”, cruza enormes volumes de dados biológicos e procura sinais silenciosos que o corpo emite muito antes do diagnóstico tradicional.
Existe uma mudança profunda acontecendo nas entrelinhas disso tudo. Durante décadas, a medicina foi construída para reagir ao problema. A pessoa passava mal, fazia exames, recebia um diagnóstico e começava um tratamento. Agora a lógica começa a mudar. A IA transforma a saúde numa indústria de antecipação. O objetivo deixa de ser tratar a doença. O objetivo passa a ser prever o futuro biológico do paciente.
E isso muda completamente o valor dos dados de saúde. Sangue, sono, batimentos cardíacos, alimentação, movimento, genética… tudo começa a virar matéria-prima para modelos preditivos. O corpo humano está se transformando em uma gigantesca fonte de dados contínuos. E talvez uma das maiores disputas econômicas da próxima década aconteça justamente aqui: quem conseguirá interpretar esses sinais antes dos outros.
Data Center Paraguaio
O Paraguai pode estar construindo uma das estratégias mais inteligentes do mundo para atrair data centers. Enquanto muitos países disputam investimentos oferecendo incentivos fiscais, o Paraguai resolveu atacar um problema muito mais profundo: confiança jurídica. O país reúne alguns dos ativos mais desejados da nova economia digital. Energia limpa e barata de Itaipu, enorme disponibilidade de água para refrigeração, baixa incidência de eventos climáticos extremos e estabilidade operacional para infraestrutura crítica.
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Mas existe uma entrelinha ainda mais importante nessa história. O governo paraguaio entendeu que, na economia da IA, não basta apenas ter energia. É preciso oferecer segurança para os dados. E foi aí que surgiu uma solução bastante incomum: transformar determinadas áreas de data centers em estruturas com regras semelhantes às de embaixadas.
Na prática, empresas estrangeiras poderiam operar esses ambientes sob legislações do país de origem. Um data center da Microsoft, por exemplo, seguiria padrões e proteções jurídicas americanas dentro daquela área específica. A lógica é reduzir o medo de interferência regulatória, insegurança jurídica ou mudanças repentinas nas regras locais. No mundo da inteligência artificial, onde dados viraram ativo estratégico, previsibilidade jurídica começa a valer quase tanto quanto eletricidade barata.
Durante décadas, países competiam por fábricas. Agora começam a competir por infraestrutura computacional. E nessa nova corrida, energia, estabilidade política, água, clima e proteção de dados passam a funcionar como o novo petróleo da economia digital.





