Recuar para Avançar: o fim das lojas físicas da Amazon
Nos últimos anos a Amazon vinha expandindo seus experimentos no varejo físico com duas apostas ousadas: os supermercados Amazon Fresh e as lojas de conveniência ultratecnológicas Amazon Go. Projetos que, na prática, testaram novas formas de combinar tecnologia e consumo com o objetivo de reinventar a experiência de compra física.
Nesta semana, a empresa anunciou que vai encerrar todas as suas lojas físicas Amazon Go e Amazon Fresh para concentrar esforços em duas frentes que mostram maior tração e possibilidades de escala: o crescimento do Whole Foods Market, sua já consolidada rede de supermercados orgânicos adquirida em 2017, e a expansão dos serviços de entrega rápida de mantimentos.
Esse movimento é um exemplo clássico do que muitas companhias de tecnologia e varejo aprendem no caminho entre a ideia e o modelo de negócio sustentável. Nem todo experimento se transforma em um produto em escala global. E isso não é sinal de fracasso, mas de aprendizado estratégico. A Amazon usou as lojas Go e Fresh como laboratórios de inovação: elas foram plataformas para testar tecnologias como a sua famosa “Just Walk Out” (que permite que o cliente pegue os produtos e saia sem passar por um caixa tradicional). Apesar de toda a inovação, esses formatos não alcançaram um modelo econômico capaz de justificar uma expansão massiva sob a marca principal da Amazon.
A empresa reconheceu que, embora tenha visto “sinais encorajadores” em suas lojas físicas próprias, não conseguiu criar uma proposta de valor clara e repetível com o modelo econômico necessário para escalar. Isso levou à decisão de fechar cerca de 57 lojas Fresh e 15 Go nos Estados Unidos. Algumas delas serão convertidas em lojas Whole Foods Market, onde a marca já possui uma forte fidelidade e presença consolidada. Ao mesmo tempo, a Amazon está investindo fortemente na expansão de entregas no mesmo dia, reforçando seu modelo online de varejo de mantimentos e integrando melhor sua operação física e digital.
Essa estratégia — testar, aprender, pivotar e escalar — faz parte do DNA da Amazon desde seus primeiros dias como livraria online. Ao longo de sua história, a empresa já lançou e descontinuou diversos formatos físicos, de livrarias e lojas de produtos selecionados a módulos temporários e conceitos de varejo inovadores. O que diferencia uma organização realmente orientada à inovação é a capacidade de extrair aprendizados desses testes, redirecionar recursos para onde há maior impacto e continuar investindo em iniciativas que podem realmente transformar mercados. Hoje, esse foco se traduz no fortalecimento do Whole Foods e no aprimoramento de serviços que combinam entrega rápida com uma experiência de compra conveniente e integrada.
Recuar para avançar não significa recuar da visão de varejo físico como um todo. Significa ajustar o foco para aquilo que funciona melhor, com métricas claras e potencial de escala. A Amazon passa por mais uma dessas transições, deixando para trás projetos que foram grandes aprendizados e abrindo espaço para iniciativas mais alinhadas com sua proposta central: unir tecnologia e conveniência. E, como sempre, observando cada movimento como mais um passo em direção a modelos de negócios que realmente façam sentido para milhões de clientes ao redor do mundo.



