QI em queda. QIA em ascensão
Durante quase todo o século XX, acreditou-se que a humanidade estava ficando progressivamente mais inteligente. Esse fenômeno ficou conhecido como Efeito Flynn. Em média, o QI das populações subia cerca de 3 pontos por década. Melhor nutrição, mais anos de educação, maior complexidade no trabalho e mais estímulos cognitivos ajudaram a explicar esse avanço contínuo.
Mas algo curioso começou a acontecer nas últimas duas décadas. Diversos estudos em países como Noruega, Reino Unido, Finlândia e Estados Unidos passaram a detectar uma reversão dessa curva. As pontuações médias de QI pararam de subir e, em alguns casos, começaram a cair. Alguns pesquisadores chamam isso de Efeito Flynn Reverso.
As hipóteses são várias. Menos leitura profunda. Mais estímulos curtos. Terceirização cognitiva para tecnologia. GPS substituindo orientação espacial. Google substituindo memória. Smartphones substituindo atenção prolongada.
Em outras palavras, o cérebro humano passou a exercitar menos algumas das funções que os testes de QI tradicionalmente medem. Mas há um novo fator entrando na equação. Talvez estejamos deixando de viver na era do QI para entrar na era do QIA: Quociente de Inteligência Artificial.
Se antes inteligência significava aquilo que o cérebro humano conseguia fazer sozinho, agora ela passa a ser uma combinação entre capacidade humana e capacidade algorítmica.
O indivíduo que sabe perguntar melhor, interpretar melhor e combinar melhor as respostas da IA passa a operar com uma inteligência ampliada. Um cérebro conectado a modelos de linguagem, bases de dados globais e sistemas de decisão pode produzir resultados que nenhum humano isolado conseguiria.
Isso cria uma nova pergunta. A IA vai acelerar o processo de emburrecimento humano, porque terceirizamos cada vez mais nossas capacidades cognitivas? Ou vai nos tornar a geração mais inteligente da história, justamente porque ampliamos nossas habilidades através das máquinas?
Curte meus insights? Entre no canal Entrelinhas no WhatsApp e receba os conteúdos e bastidores das empresas antes de todo mundo. Clique aqui.
Talvez a resposta esteja no meio. Assim como a calculadora não destruiu a matemática, mas mudou a forma de ensiná-la, a IA provavelmente não eliminará a inteligência humana. Ela reconfigurará o que significa ser inteligente.
A inteligência do futuro pode não ser medida apenas pelo que você sabe ou memoriza. Mas pela sua capacidade de orquestrar inteligência. Nesse mundo, a capacidade de operar com um alto QIA será extremamente relevante, tanto quanto ter um QI alto.
E a pergunta que fica não é apenas se estamos ficando mais inteligentes ou mais burros. A pergunta real é outra. Estamos aprendendo a pensar com as máquinas ou estamos deixando que elas pensem por nós?



