Os robôs saíram dos galpões da Amazon
A Amazon está ampliando seu foco em robótica. E não é de agora. O que vemos com a aquisição da Fauna Robotics é só a camada mais recente de um movimento que começou há mais de uma década, quando a empresa decidiu trazer a automação para dentro de casa. A compra da Kiva Systems, em 2012, por US$ 775 milhões, marcou esse ponto de virada. Desde então, vieram outras aquisições, como Zoox, por cerca de US$ 1,2 bilhão, além de empresas menores e equipes especializadas. No papel, algo próximo a US$ 5 bilhões em compras. Na prática, muito mais do que isso.
Porque o investimento real não está só nas aquisições, está na operação. A Amazon investe dezenas de bilhões de dólares por ano em infraestrutura, e uma parte relevante disso vai para automação. Ao longo dos últimos anos, esse esforço já passa com folga de US$ 50 bilhões quando você soma robótica, inteligência artificial e integração nos centros logísticos. O resultado é uma empresa que já opera mais de 1 milhão de robôs, ao lado de cerca de 1,5 milhão de funcionários humanos.
Até aqui, esse movimento estava concentrado nos bastidores. Robôs “invisíveis”, que ninguém vê, mas que sustentam a promessa de entrega rápida e custo eficiente. O que muda agora é o foco. Com a Fauna Robotics e o desenvolvimento do Sprout, a Amazon começa a olhar para robôs como produto. Sai do galpão e começa a testar a entrada dentro de casa.
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Isso é mais difícil. O ambiente deixa de ser controlado e passa a ser imprevisível. Mas também é muito mais valioso. Porque, se funcionar, a Amazon não estará apenas operando robôs. Estará vendendo robôs. E, mais do que isso, estará criando uma nova interface com o consumidor.
No fim, a entrelinha é clara. A Amazon não está apenas automatizando processos. Está expandindo seu território. Primeiro, dominou a logística com robôs. Agora, começa a explorar o próximo passo: levar essas máquinas para mais perto das pessoas.



