O Tom Pastel do Conteúdo Sintético
A internet está ficando cheia… e vazia ao mesmo tempo.
Nunca se produziu tanto conteúdo. Mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil encontrar algo que realmente pare para pensar, que tenha ponto de vista, que traga alguma fricção. O que cresce é um tipo específico de conteúdo: correto, organizado, bem escrito… e completamente esquecível.
Isso não é coincidência. Cerca de metade do conteúdo da internet já é gerado por IA. E essas mesmas IAs estão sendo treinadas em cima desse conteúdo. Ou seja: máquina aprendendo com máquina. Um loop. E todo loop tende à média. É o xerox do xerox, a cópia da cópia. É o fim do pensamento original, autêntico.
O resultado é o que eu chamo de “tom pastel”. Tudo certo demais, limpo demais, seguro demais. Não incomoda, não provoca, não desloca ninguém. É o tipo de conteúdo que passa por você sem deixar rastro. Não tem aresta, não tem assinatura, não tem risco. Não erra, ok. Mas também não marca. E, no fim, vira só mais um.
Só que, enquanto isso acontece, algo interessante surge. O conteúdo humano começa a destoar. Não porque é mais perfeito. Mas porque é mais imperfeito. Tem opinião. Tem viés. Tem experiência. Tem contradição. E, justamente por isso, chama atenção.
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A lógica inverte. Antes, a busca era pela escala do conteúdo. Isso agora pode ser armadilha. Quanto mais conteúdo sintético, mais valioso fica aquilo que não parece sintético. Quanto mais “correto” o texto, mais raro fica o texto que tem coragem de dizer algo de verdade.
No fim, não é sobre IA. É sobre o que sobra quando todo mundo começa a ser visto em tons pastéis. Sobra quem ainda tem contraste, quem tem voz própria, quem arrisca ter uma posição. Porque, num feed onde tudo parece igual, ser “colorido” é vantagem competitiva.



