OpenAI Diversifica Chips, Criptos Desmoronam, Meta Patenteia a Imortalidade Digital e a Rota da IA para Órbita
Bom dia! Hoje é 13 de fevereiro. Neste mesmo dia, em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para enfrentar o tribunal da Inquisição, acusado de defender que a Terra girava ao redor do Sol. A sentença que o condenaria ao silêncio não impediu que sua verdade prevalecesse, mas apenas atrasou o inevitável.
Quase quatro séculos depois, as batalhas pelo controle da verdade e da infraestrutura que a sustenta continuam, mas agora se travam em chips, algoritmos e órbitas. O que está em jogo não é mais apenas o que sabemos, mas quem controla os sistemas que definem o que podemos saber, e, cada vez mais, o que podemos ser.
OpenAI Quebra o Monopólio da Nvidia
A OpenAI lançou, ontem, seu primeiro modelo de inteligência artificial otimizado para rodar em chips da Cerebras Systems, marcando um passo concreto na diversificação de sua cadeia de suprimentos além da Nvidia.
O GPT-5.3-Codex-Sparkv - modelo projetado especificamente para o hardware da Cerebras - é voltado para a automação de código. Desenvolvido para oferecer respostas mais rápidas e maior controle, o LLM permite que o usuário faça interrupções e redirecionamentos durante o processo de coding, sem a necessidade de aguardar o término de cálculos longos.
O movimento ocorre semanas após a OpenAI fechar um contrato de mais de US$ 10 bilhões com a Cerebras, sinalizando que a corrida por capacidade computacional está forçando até mesmo os maiores players a repensar suas dependências. A mensagem por trás desse movimento é bastante clara: a hegemonia da Nvidia no mercado de chips para IA, embora longe de ser ameaçada no curto prazo, começa a enfrentar erosão nas margens.
A OpenAI reiterou que a Nvidia permanece “fundamental” em sua infraestrutura, mas a própria necessidade de fazer essa ressalva revela a tensão implícita. Ao expandir parcerias com Cerebras, AMD e Broadcom, a empresa não busca apenas redundância operacional, mas poder de negociação em um mercado onde a demanda por GPUs supera cronicamente a oferta.
Para o ecossistema mais amplo de IA, o lançamento do Codex-Spark intensifica, também, a competição sob ferramentas de programação assistida, um segmento que Google e Anthropic também disputam agressivamente. A capacidade de oferecer modelos mais leves e ágeis para tarefas específicas pode ser o estopim para o mudança total de como desenvolvedores interagem com assistentes de código, priorizando velocidade e iteração sobre capacidade bruta. O verdadeiro teste, contudo, virá quando modelos mais pesados e generalistas precisarem rodar fora da infraestrutura Nvidia. Até lá, a diversificação permanece mais promessa do que realidade consolidada.
Como estão as Criptos?
Primeiramente, o Bitcoin já acumula uma queda de aproximadamente 45% em relação ao pico de US$ 126 mil registrado no final de 2025, arrastando consigo cerca de US$ 2 trilhões em valor de mercado global de criptoativos. Neste cenário apocalíptico para os cyberpunks, analistas do Standard Chartered já revisaram projeções ainda para baixo, alertando que a criptomoeda pode testar níveis próximos a US$ 50 mil antes de qualquer recuperação sustentável.
O movimento reflete uma aversão ao risco generalizada, com investidores migrando para ativos tradicionais como ouro e prata em meio a incertezas macroeconômicas persistentes.
As consequências mais dramáticas, porém, materializam-se nos maximalistas da moeda, exemplificadas em El Salvador. A queda acentuada reduziu o valor das reservas nacionais em Bitcoin em cerca de US$ 300 milhões, expondo de forma brutal os riscos da aposta do presidente Nayib Bukele nas criptomoedas.
Apesar das perdas, Bukele continua comprando Bitcoin, uma decisão que alarma investidores e complica as negociações sobre um empréstimo de US$ 1,4 bilhão junto ao FMI. Com isso, o risco de crédito do país aumentou, os títulos soberanos vem oscilando perigosamente e analistas alertam que as compras contínuas, combinadas ao atraso nas reformas previdenciárias, podem inviabilizar o apoio do fundo - um pilar fundamental para as finanças salvadorenhas diante de vencimentos significativos de dívida no horizonte.
Em paralelo, o Ethereum atravessa seu próprio calvário. A segunda maior criptomoeda do mundo luta para se manter acima dos US$ 2 mil, após ter beliscado os US$ 5 mil há apenas seis meses. O próprio Vitalik Buterin (co-fundador do Ethereum) contribuiu para o pessimismo ao vender quase 3 mil ETH em três dias, embora agora aposte na integração com inteligência artificial como caminho de redenção.
Para Buterin, o Ethereum deveria se tornar a camada de liquidação padrão para interações entre agentes de IA. Ele adverte, contudo, contra a aceleração desenfreada: em vez de apenas construir sistemas mais poderosos, o objetivo deveria ser orientar a IA para proteger a liberdade humana e distribuir poder de maneira equitativa.
A tensão entre aceleração e prudência, que define o debate sobre IA, agora permeia também o futuro das criptomoedas.
A Meta que Rescucitar os Mortos?
A Meta obteve uma patente que descreve o uso de modelos de linguagem para simular a atividade de usuários em redes sociais, inclusive após a morte. A tecnologia permitiria que um “clone digital” continuasse interagindo com amigos e seguidores, respondendo mensagens, curtindo publicações e até participando de chamadas de áudio e vídeo, tudo baseado em dados históricos do usuário: comentários, curtidas, posts e padrões de comportamento acumulados ao longo do tempo.
A justificativa apresentada pela empresa é reveladora (e controvérsia) em sua lógica: a ausência de um usuário, seja por um período de detox digital ou pela morte, “afeta a experiência dos demais, que sentem falta de sua presença online”. A ferramenta, portanto, seria especialmente útil para influenciadores e criadores de conteúdo que dependem das plataformas para sua renda, permitindo manter perfis “ativos” mesmo em longos afastamentos.
A Meta ressaltou que “não tem planos de avançar com esse exemplo” e que a concessão de uma patente não significa implementação. Mas a mera existência do documento levanta questões que transcendem o tecnológico. Afinal, o que está em jogo aqui não é apenas privacidade ou consentimento, mas a própria natureza da presença digital. Se perfis podem ser mantidos artificialmente ativos, a distinção entre interação humana e simulação algorítmica se dissolve.
Portanto, a pergunta que permanece é menos sobre se a tecnologia será implementada e mais sobre o que significa viver em ecossistemas onde a autenticidade se torna indistinguível da simulação, e onde a presença humana pode ser perpetuada indefinidamente por algoritmos que nunca conheceram a pessoa que simulam.
Diante disso, será que todos os perfis que vemos são realmente pessoas de verdade?
O que Está por Trás das Astro-Política?
Recentemente, a SpaceX solicitou autorização regulatória para construir data centers orbitais movidos a energia solar, distribuídos em até um milhão de satélites, com capacidade de transferir até 100 GW de poder computacional para fora do planeta. Elon Musk teria sugerido até mesmo que alguns de seus satélites de IA serão construídos na Lua.
A visão, inspirada na ficção científica de Iain Banks sobre naves espaciais sencientes, agora encontra capital e infraestrutura para se tornar realidade. A recente fusão com a xAI permite que a SpaceX estabeleça posições tanto em data centers terrestres quanto orbitais, observando qual cadeia de suprimentos se adapta mais rapidamente às demandas exponenciais da inteligência artificial.
Musk não está sozinho nessa aposta. O chefe de computação da xAI teria apostado com seu colega da Anthropic que 1% da capacidade computacional global estará em órbita até 2028. O Google anunciou o Projeto Suncatcher, que lançará protótipos em 2027. A Starcloud, uma startup norte-americana, apoiada pela NVIDIA e focada no setor de tecnologia espacial, apresentou planos para uma constelação de 80 mil satélites. Até mesmo Jeff Bezos já declarou que este é o futuro.
E, no plano geopolítico, em conjuntos com os interesses dos mais entes privados do mundo, os Acordos Artemis vem ganhando cada vez mais força como o arcabouço que moldará essa nova fronteira. Mais de 60 países, incluindo o Brasil, já aderiram a esse conjunto de princípios que, embora não constituam um tratado formalmente vinculante, funcionam como motor de soft power americano. Ao definir regras sobre uso de recursos espaciais, zonas de segurança e interoperabilidade, os Estados Unidos consolidam um modelo que favorece a exploração comercial e atrai aliados com promessas de cooperação tecnológica.
Antagonicamente, a parceria China-Rússia planeja sua própria Estação Lunar Internacional de Pesquisa. Ou seja, a corrida espacial do século XXI não é apenas por território ou recursos terres, mas pelo controle das extensões espaciais e as oportunidades nelas contidas. Quem dominar a órbita ganhará exponencialidade tecnológica e, possivelmente, uma vantagem estratégica militar sem precedentes.









