O homem que criou o iPhone agora quer substituí-lo
A OpenAI pode ter dado o movimento mais simbólico e estratégico da nova corrida tecnológica: trouxe Jony Ive, o mago do design da Apple, para tentar destronar a própria Apple na próxima geração de hardware dominante.
Quando Jony Ive e Sam Altman se juntaram, após a OpenAI adquirir a empresa de design de Ive, o mercado imediatamente entendeu o sinal. Não era apenas uma contratação criativa. Era um reposicionamento estratégico. Desde então, a pergunta deixou de ser se a OpenAI faria hardware e passou a ser quando.
Essa resposta começou a ganhar contornos mais claros quando o Diretor de Assuntos Globais da OpenAI afirmou que algo nessa linha deve ser lançado no último trimestre de 2026. Não foi um anúncio formal. Mas foi suficiente para transformar especulação em expectativa concreta.
Jony Ive não é apenas mais um designer famoso. Ele é, ao lado de Steve Jobs, o responsável pelos objetos que redefiniram a relação entre humanos e tecnologia. iPod, iPhone, iPad. Produtos que não apenas funcionavam melhor, mas mudaram o que o mundo entende por design, interface e desejo. Quando alguém com esse histórico decide trabalhar fora da Apple, é porque algo grande está em jogo.
E o jogo agora é o próximo grande hardware pessoal. O sucessor do smartphone. A corrida está aberta. Há quem aposte nos óculos. Outros veem nos relógios um caminho natural. Alguns vão ainda mais longe e falam em chips cerebrais. Mas, nos bastidores do Vale do Silício, o consenso começa a se formar em outra direção.
O hardware que tornará a inteligência artificial onipresente não terá telas nem teclas. Não será algo que você olha o tempo todo, mas algo que está sempre ali. Um objeto que fica sobre a mesa, vai na mochila, acompanha você ao longo do dia. Um artefato silencioso, contextual, sempre ativo.
Aqui está o ponto central: a Apple venceu a era do smartphone porque dominou a interface. A OpenAI quer vencer a próxima era eliminando a necessidade dela. Se a inteligência artificial passa a entender contexto, a tela deixa de ser o centro da experiência. O design deixa de ser sobre botões e passa a ser sobre comportamento.
Trazer Jony Ive para esse projeto não é coincidência. É provocação. É estratégia. É a OpenAI dizendo, sem dizer, que entende que o próximo salto tecnológico não será apenas algorítmico, mas físico, emocional e cultural. Exatamente o território onde Ive sempre brilhou.
Se isso vai se materializar como esperado, ainda não sabemos. Mas uma coisa é clara: quando o criador dos objetos mais icônicos da Apple se une à empresa que lidera a revolução da inteligência artificial, não estamos falando de um gadget. Estamos falando de uma tentativa explícita de redefinir quem controla o próximo capítulo da computação pessoal.
Descobriremos em alguns meses. Mas o movimento já diz tudo.



