Do Search ao Buy: o novo jeito de vender
Durante décadas, vender bem significou dominar o search. Estar bem posicionado no Google, otimizar palavras-chave, atrair tráfego para sites e apps e convencer o consumidor a navegar, comparar e decidir. Esse modelo não morreu. Mas ele deixou de ser o centro da decisão. O que está acontecendo agora é mais profundo e mais perigoso para quem insiste no passado: a decisão de compra está saindo da busca e migrando para a conversa.
O consumidor não quer mais procurar. Ele quer resolver. Em vez de digitar, comparar abas e filtrar opções, ele expressa uma intenção. A partir daí, agentes de IA assumem o controle. Eles entendem contexto, preferências, histórico, orçamento e urgência. Avaliam alternativas. Escolhem. Compram. O cliente não navega mais. Ele autoriza. É aqui que o jogo muda completamente.
Isso cria uma ruptura enorme, quase brutal. Se antes a disputa era por cliques, agora a disputa é por ser escolhido pelo algoritmo. Não basta existir. Não basta ter um site bonito. Não basta investir em mídia. Se o seu produto, sua marca ou sua proposta não estiverem estruturados para serem lidos, entendidos e recomendados por sistemas de IA, você simplesmente deixa de participar da decisão. A venda acontece sem você.
O marketing, nesse novo cenário, não é mais sobre mensagem. É sobre contexto. A pergunta deixa de ser “como faço o cliente me encontrar?” e passa a ser “como faço o sistema me recomendar?”. Dados confiáveis, sinais claros de valor, reputação algorítmica, consistência de entrega e integração com ecossistemas passam a valer mais do que campanhas criativas isoladas. A lógica é fria, matemática e implacável. E exatamente por isso tão eficiente.
No varejo, isso é ainda mais evidente. O funil tradicional se achata. Descoberta, decisão e compra se fundem em um único fluxo conversacional. Quem entende isso começa a vender mais com menos atrito. Quem ignora continua investindo em canais que perdem relevância a cada trimestre. Não é uma discussão sobre futuro. É sobre receita nos próximos meses.
Esse novo modelo não vai pedir licença. Ele já está sendo incorporado em assistentes, plataformas, sistemas operacionais e experiências do dia a dia. Empresas que não colocarem esse tema na próxima reunião de diretoria estão, na prática, aceitando um risco claro: ficar invisíveis para o novo intermediário da economia, a IA.
Do search ao buy, sem escalas. Quem não entender esse novo jeito de vender não vai perder eficiência. Vai perder relevância. E, com o tempo, vai perder faturamento. Esse deveria ser o tema da sua próxima reunião.



