O dia em que os carros sem motorista deixaram de ser futuro
O Google divulgou ontem seus resultados do ano passado. Os números são gigantescos, mas, curiosamente, não foi a receita de mais de US$ 400 bilhões que mais me chamou a atenção. O dado que realmente importa passou quase como um detalhe na fala do Sundar Pichai.
Ele comentou que a Waymo, a operação de carros autônomos do grupo, já ultrapassou 20 milhões de corridas feitas sem motorista. Hoje, o volume semanal está na casa de 400 mil viagens em que não há ninguém ao volante. Isso já não é mais protótipo, nem demonstração tecnológica. É operação real, no mundo físico. Enquanto seguimos tratando carros autônomos como algo “do futuro”, eles já estão circulando, pegando passageiros e acumulando milhões de interações no mundo real.
Mais relevante ainda foi o tom de aceleração. Sundar deixou claro que a expansão do Waymo entra agora em outra fase. Uma rodada de investimento na casa dos US$ 16 bilhões está sendo finalizada e esse capital vai direto para crescimento e expansão da operação. Com isso, a Waymo passa a ser avaliada em cerca de US$ 110 bilhões. Isso não é um experimento qualquer dentro do Google. É uma tese estratégica pesada sobre como a mobilidade vai se reorganizar nos próximos anos.
O ponto central aqui não é só carro autônomo. É o momento tecnológico em que estamos vivendo. Modelos de IA mais maduros, sensores mais baratos, infraestrutura de dados mais robusta, capacidade computacional praticamente ilimitada. Quando essas curvas se encontram, a velocidade de transformação muda de patamar. Coisas que pareciam distantes demais começam a acontecer antes do que o mercado, os reguladores e as próprias empresas tradicionais conseguem absorver.
Talvez o maior risco agora seja continuar olhando para tudo isso como tendência, como algo que ainda vai “amadurecer no futuro”. O futuro não está mais sendo ensaiado. Ele já está rodando em produção. E, como quase sempre acontece em ondas tecnológicas desse tipo, quando a maioria percebe, o jogo já mudou.



