Nvidia Lança Rubin, Uber Revela Robotáxi, Boston Dynamics une-se ao Google e Lego Reinventa o Brincar
Bom dia! Hoje é 6 de janeiro. Neste mesmo dia, em 1990, o engenheiro britânico Tim Berners-Lee finalizava as três tecnologias fundamentais que dariam origem à World Wide Web: HTML, URL e HTTP.
Trinta e seis anos depois, a rede que ele criou não é mais apenas um repositório de informações, mas o substrato sobre o qual inteligências artificiais aprendem, robôs simulam o mundo físico e chips definem o equilíbrio de poder entre nações.
A CES 2026 abre suas portas em Las Vegas esta semana, e o que se apresenta ali não é o futuro, é o presente se consolidando.
Nvidia projeta domínio total da infraestrutura de um novo mundo
O Presidente e CEO da Nvidia, Jensen Huang, subiu ao palco da CES 2026 para anunciar o que chamou de “estado da arte em hardware de IA”: a arquitetura Rubin, batizada em homenagem à astrônoma Vera Florence Cooper Rubin, já está em plena produção e promete redefinir os limites do que sistemas de inteligência artificial podem fazer.
Com a promessa de um desempenho 3,5 vezes superior à geração Blackwell, alcançando 50 petaflops de desempenho computacional, os novos chips não serão apenas uma evolução incremental; serão (de acordo com as espectativas) a infraestrutura sobre a qual a próxima década de IA será construída. Diante de tamanha grandeza, todos os grandes provedores de nuvem, da AWS à parceria estratégica com OpenAI e Anthropic, já reservaram suas unidades. A Nvidia, nesta era, não venderá apenas chips: mas sim o substrato material de um novo pensamento artificial.
Mas a ambição de Huang vai além dos datacenters. No mesmo evento, a Nvidia revelou um ecossistema completo para robótica, pretendendo posicionar-se, nas palavras do empresário, como o novo “Android dos robôs generalistas” - ou seja, disponibilizando uma base de modelos operacionais públicos para darem o ponta pé inicial na criação de “cérebros” nestes robôs.
Novos modelos de open source de codificação de IA, como o GR00T N1.6 e o Cosmos Reason 2, já estão sendo disponibilizados pela Nvidia na plataforma Hugging Face - um hub de modelos de inteligência artificial (IA) -, democratizando o acesso a tecnologias que antes exigiam laboratórios bilionários.
A estratégia é cada vez mais clara: se a Nvidia controlar tanto o hardware quanto os modelos fundacionais que dão inteligência aos robôs, ela se tornará indispensável para qualquer empresa que queira operar no mundo físico (ou até mesmo computacional) com autonomia. A robótica já é a categoria que mais cresce no Hugging Face, e os modelos da Nvidia lideram os downloads.
Boston Dynamics, Caterpillar, NEURA Robotics, todas já operam sobre trilhos da Nvidia. O que a empresa construiu para GPUs na era dos games, agora, deseja replicar para a era das máquinas que não só pensam, mas agem.
Uber revela seu robotáxi e prepara lançamento em São Francisco
O robotáxi colaborativo entre a Uber, Lucid Motors e Nuro deixou de ser um conceito e ganhou forma de produção na CES 2026. Construído sobre o SUV elétrico Lucid Gravity, o veículo integra câmeras de alta resolução, lidar de estado sólido e radares diretamente à carroceria do veículo.
O cérebro do sistema é o computador Nvidia Drive AGX Thor, consolidando de forma exemplificada a onipresença da empresa de Jensen Huang também no setor de mobilidade. Os testes em vias públicas já começaram, com lançamento comercial previsto para a região da Baía de São Francisco ainda este ano.
A interface do passageiro revela algo que a Uber aprendeu observando sua principal concorrente, a Waymo: telas que exibem visualizações isométricas do trajeto, representações de pedestres e veículos próximos, controles de climatização e música, e botões para suporte e parada de emergência.
O investimento de US$ 300 milhões da Uber na Lucid e o compromisso de compra de 20 mil veículos sinalizam que a empresa não pretende apenas operar robotáxis de terceiros, mas sim construir sua própria frota de forma verticalizado. O desafio, porém, é real: a Lucid enfrentou problemas de software tão graves em 2025 que seu CEO interino precisou pedir desculpas públicas aos clientes. Se esses fantasmas retornarem na versão autônoma, a reputação do serviço (e até mesmo da Uber) estará em jogo antes mesmo de começar.
Boston Dynamics e Google unem forças para criar o robô mais avançado do mundo
Ainda na CES 2026, a Boston Dynamics anunciou uma parceria estratégica com o Google DeepMind para acelerar o desenvolvimento do Atlas, seu robô humanoide de próxima geração. O objetivo declarado é ambicioso: criar “o modelo de robô mais avançado do mundo para atender às verdadeiras necessidades humanas de uso geral” - em outras palavras, robôs humanoides domésticos.
A colaboração utilizará os modelos Gemini Robotics do DeepMind, projetados para permitir que robôs percebam, raciocinem, utilizem ferramentas e interajam naturalmente com pessoas. Um protótipo do Atlas subiu ao palco demonstrando suas impressionantes capacidades de movimento, mas a Boston Dynamics reconhece que atletismo não basta: o robô precisa entender contexto social, responder a comandos ambíguos e operar com segurança em ambientes humanos imprevisíveis.
A parceria representa uma convergência de forças complementares. A Boston Dynamics domina a engenharia de hardware robótico há décadas; o DeepMind lidera a pesquisa em modelos de IA generativos multimodais. Juntas, sob o guarda-chuva da Hyundai (acionista majoritária da Boston Dynamics), as empresas podem acelerar a transição de robôs de demonstração para robôs de produção industrial - afinal, planos foram projetados pela montadora para iniciar a produção do robô em fábrica a partir de 2028 nos Estados Unidos.
Para o mercado de trabalho, as implicações (ou ameaças?) serão profundas: humanoides capazes de generalizar tarefas ameaçaram não apenas funções repetitivas, mas qualquer atividade que envolva manipulação física, mesmo que envolva raciocínio contextual - enquanto, do outro lado, a IA vem dominando a área dos cérebros, até mesmo os mais impressionantes. A promessa é de ganhos de produtividade, e a ansiedade é sobre uma Nova Ordem Mundial que definirá quem vai ficar obsoleto.
Lego prova que brinquedos físicos têm futuro, desde que conversem com o digital
A Lego encontrou uma forma engenhosa de se manter relevante na era digital sem abandonar o que a tornou icônica: o prazer de construir com as mãos. O novo sistema Smart Play, apresentado na CES 2026, mantém a experiência tradicional de encaixar peças, mas adiciona uma camada de interatividade que antes só existia em videogames. Os blocos continuam sendo físicos, coloridos e empilháveis como sempre foram. A diferença é que agora alguns deles ganham vida.
Na prática, funciona assim: ao montar um helicóptero com o novo kit Star Wars, a criança encaixa as peças normalmente, como em qualquer Lego. Mas um dos blocos especiais reconhece automaticamente o que foi construído e passa a reagir à brincadeira. Quando a criança faz o helicóptero “voar” pela sala, o bloco acende luzes, emite o som das hélices girando e até percebe se o brinquedo está de cabeça para baixo ou em alta velocidade, ajustando os efeitos sonoros. Minifiguras de Luke Skywalker e Princesa Leia podem “duelar” com sabres de luz que realmente acendem e fazem barulho. Tudo isso sem aplicativos, sem telas, sem configurações complicadas: basta montar e brincar.
O mais notável é justamente o que o sistema não exige: celulares ou tablets (telas). Em um momento em que pais se preocupam com o tempo de exposição digital de seus filhos, a Lego encontrou uma forma de agregar tecnologia ao brincar físico sem transformar o brinquedo em mais um dispositivo que compete pela atenção infantil.
A estratégia revela uma verdade mais ampla sobre o futuro dos produtos físicos: sobreviverão aqueles que souberem incorporar inteligência sem abdicar da tangibilidade. A Lego, com quase um século de história, mostra que tradição e inovação não são opostos, mas camadas que se sobrepõem.









