Bom dia! Hoje é dia 26 de outubro. Nesse mesmo dia, em 1958, a aviação deu um salto parecido com trocar uma carroça lenta por um carro de corrida. Antes desse voo da Pan Am com o Boeing 707, cruzar o oceano entre Nova York e Paris exigia aviões de hélice barulhentos, que balançavam muito e demoravam cerca de 15 horas. O novo avião a jato voava muito mais alto, acima do mau tempo, cortando o tempo da viagem pela metade e com uma suavidade que fazia parecer que o passageiro estava sentado na própria sala de casa.
A importância desse momento é que ele praticamente encolheu o planeta Terra para quem viaja ou faz negócios. Viajar entre continentes, que antes era uma aventura demorada e cansativa reservada a pouquíssimas pessoas ricas, passou a ser rápido, confiável e muito mais acessível. Esse único voo inaugurou o mundo conectado que conhecemos hoje, onde você pode tomar café da manhã na América e jantar na Europa no mesmo dia.
CTO troca Nubank pela Meta.
Eric Young, até então CTO do Nubank, está deixando o banco brasileiro para assumir a liderança de infraestrutura do Meta Superintelligence Labs, o laboratório de superinteligência da Meta, a empresa de Mark Zuckerberg.
Depois de passagens por Amazon, Google e Snap, Young chegou ao Nubank em 2025 para liderar sua operação tecnológica e ajudar a construir a infraestrutura necessária para levar a inteligência artificial à escala de milhões de clientes.
Agora, foi escolhido pela Meta para uma das missões tecnológicas mais ambiciosas do mundo: desenvolver a infraestrutura que vai sustentar seus próximos avanços em superinteligência. E essa movimentação tem duas leituras interessantes.
A primeira é que a disputa pela liderança em IA não envolve apenas cientistas e pesquisadores. Envolve também engenheiros e executivos capazes de construir infraestruturas gigantescas, eficientes e confiáveis.
A segunda é sobre o próprio Nubank. Um banco brasileiro conseguiu atrair um executivo desse calibre para desenvolver suas capacidades tecnológicas e sua própria infraestrutura de IA. Isso diz bastante sobre o nível de ambição tecnológica que a empresa alcançou.
No fim, a movimentação revela algo maior: a infraestrutura de IA está se tornando tão estratégica quanto os próprios modelos. E a disputa por quem sabe construí-la está apenas começando.
A Chegada dos Carros Autônomos.
Em 2023, os carros autônomos da Waymo fizeram aproximadamente 1 milhão de corridas. Em 2024, foram 4,4 milhões. Em 2025, ultrapassaram 15 milhões. Para 2026, a projeção do gráfico aponta 26,5 milhões. Em apenas três anos, um crescimento de 26 vezes.
Mas resolvi fazer um exercício: e se projetássemos essa expansão para os próximos cinco anos, considerando taxas de crescimento progressivamente menores? O resultado seria aproximadamente:
2027: 42 milhões de corridas
2028: 64 milhões de corridas
2029: 89 milhões de corridas
2030: 116 milhões de corridas
2031: 145 milhões de corridas
Não são projeções oficiais da Waymo. É uma simulação baseada na trajetória apresentada, com desaceleração gradual do crescimento anual. E talvez o mais interessante não sejam os números, mas suas implicações.
Estamos falando de uma transformação que pode redesenhar o mercado de transporte, a indústria automotiva, as seguradoras, os estacionamentos e até a maneira como as cidades são planejadas.
Pense em quantos negócios foram construídos sobre uma premissa aparentemente inquestionável: os carros precisam de motoristas. A Waymo está demonstrando que essa premissa já não é universal.
O Óculos que Acelera a Entrega.
A Amazon está colocando inteligência artificial literalmente diante dos olhos dos seus entregadores. A empresa desenvolveu óculos inteligentes que mostram, em tempo real, qual pacote precisa ser entregue, o caminho até a porta do cliente, instruções de acesso e até alertas sobre possíveis problemas, como animais ou endereços incorretos. Tudo isso sem precisar consultar o celular.
Os óculos também registram automaticamente a foto que comprova a entrega. Essa tecnologia já foi utilizada por centenas de motoristas de mais de 300 parceiros logísticos. A Amazon pretende distribuir 5 mil dispositivos em 2026 e ultrapassar 20 mil até o final de 2027.
Mas existe algo interessante nessa iniciativa. A Amazon não está tentando apenas fazer seus entregadores trabalharem mais rápido. Está tentando eliminar os pequenos atritos que existem entre uma tarefa e outra.
O tempo de procurar um pacote, consultar um endereço, conferir uma instrução, guardar o celular, registrar a entrega. Individualmente, parecem segundos irrelevantes. Multiplicados por milhões de entregas, podem representar um ganho gigantesco de produtividade.
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E aqui está uma das grandes oportunidades da inteligência artificial: não precisamos necessariamente reinventar uma operação inteira para transformá-la. Às vezes, basta eliminar as pequenas ineficiências que se repetem milhões de vezes.
A próxima revolução da logística talvez não esteja apenas nos caminhões autônomos ou nos robôs dos centros de distribuição. Pode estar nos poucos segundos que ninguém estava prestando atenção.
O Fim dos Vídeos Longos?
A Netflix está enfrentando um problema curioso: seus usuários estão assistindo menos conteúdo e abrindo o aplicativo com menor frequência. Segundo reportagem da Bloomberg, o tempo médio de consumo por usuário está caindo. Nos Estados Unidos, a parcela de assinantes que não abriu o aplicativo cresceu 16,6% no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O mais interessante é que a Netflix continua crescendo. O tempo total de visualização até aumentou ligeiramente, mas isso aconteceu porque a empresa conquistou mais assinantes. Individualmente, cada cliente está consumindo menos. E aqui existe um sinal que merece atenção.
Durante anos, a Netflix ajudou a transformar nosso comportamento. Saímos da programação linear da televisão para o consumo sob demanda. Depois, aprendemos a maratonar temporadas inteiras. Agora, talvez estejamos diante de outra mudança geracional.
TikTok, Instagram e YouTube transformaram o vídeo curto em um hábito de consumo praticamente contínuo. Não precisamos escolher o que assistir, acompanhar uma história ou reservar uma hora do dia. Basta deslizar o dedo.
Isso não significa necessariamente o fim dos filmes, das séries ou dos vídeos longos. O próprio YouTube demonstra que diferentes durações podem conviver na mesma plataforma. nMas existe uma diferença importante: o vídeo longo exige uma decisão. O vídeo curto muitas vezes se encaixa nos intervalos entre nossas decisões.
A Netflix está tentando reagir com esportes ao vivo, podcasts e novos formatos de conteúdo. É provável que a disputa do entretenimento esteja deixando de ser apenas sobre quem produz a melhor história e passando a ser também sobre quem consegue se encaixar melhor na rotina das pessoas.





