Microsoft Derrete, IPO do Anel Inteligente, Empregos em Risco e Fim do Sora
Bom dia! Hoje é 27 de março. Nesse mesmo dia, em 1899, Guglielmo Marconi enviou o primeiro sinal de rádio através do Canal da Mancha (Inglaterra para a França). Foi o nascimento comercial das comunicações sem fio, provando que a tecnologia era viável para o comércio global.
Microsoft derreteu.
A Microsoft derreteu 31% em valor de mercado nos últimos 6 meses. Ainda vale US$ 2,7 trilhões, mas o movimento chama atenção. Principalmente porque não existe, no presente, um problema óbvio.
A empresa cresceu 17% em receita e entregou US$ 38,5 bilhões de lucro no último trimestre. Os números são muito fortes, o negócio segue saudável. Mas o mercado não está olhando para o agora.
O ponto de tensão está no futuro. São US$ 120 bilhões sendo despejados em infraestrutura de IA, sem clareza de retorno. E, no meio disso, a OpenAI, seu principal ativo estratégico, fecha um acordo de até US$ 50 bilhões com a Amazon.
No fim, o mercado está tentando entender quem captura valor nessa nova cadeia. Porque investir pesado em infraestrutura não significa, necessariamente, dominar a camada onde o dinheiro de fato fica.
IPO do anel inteligente.
A Oura está prestes a fazer o primeiro IPO relevante de uma empresa de “smart rings”. E isso diz mais sobre o mercado do que sobre o produto. Não é só um anel. É mais um capítulo da corrida por dados do corpo humano.
A empresa já roda com cerca de US$ 1,3 bilhão de receita anualizada, mais que o dobro do ano anterior, e vendeu mais de 5,5 milhões de anéis desde 2015. Metade disso aconteceu só recentemente. Crescimento de startup… com cara de plataforma.
O modelo também chama atenção: hardware + assinatura. O anel custa a partir de US$ 349, mas o valor real está na recorrência dos dados: sono, estresse, batimentos, atividade física. É um sensor contínuo plugado no seu corpo.
O IPO da Oura não é sobre bilhões de dólares. É sobre quem vai dominar a camada mais valiosa da próxima década: a saúde em tempo real. O mercado da saúde é o maior do mundo. Afinal, existem 8 bilhões de humanos com uma saúde pra cuidar.
Substitui ou Transforma?
A narrativa dominante era simples: IA iria substituir pessoas. Mas os primeiros dados mostram outra coisa acontecendo. O mercado de trabalho ainda está saudável. O que está mudando não é o número de empregos, é quem performa melhor dentro deles.
Quem já entendeu como usar IA está abrindo uma vantagem brutal. E não é no uso básico. É usar como copiloto, como um “parceiro de ideias”, para iterar, decidir e produzir mais rápido. Esses profissionais estão entregando mais e ficando muito à frente.
O problema é que isso não está distribuído de forma igual. O uso mais avançado de IA está concentrado em quem já tem mais repertório, mais acesso e mais contexto. A promessa de democratização começa a falhar e o efeito pode ser o oposto: amplificar desigualdades.
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No fim, a IA pode até não tirar muitos empregos. O que ela pode fazer mesmo é criar uma nova elite operacional. Quem souber trabalhar com IA vira multiplicador de resultado. Quem não souber… vira espectador da sua própria irrelevância.
OpenAI matou o Sora.
A “IA de vídeo” da OpenAI virou febre quando foi lançada. Vídeos realistas, app no topo da App Store, milhões de usuários criando conteúdo absurdo em escala. Mas junto com isso vieram os problemas: deepfakes, uso indevido de propriedade intelectual, conteúdo tóxico e uma dor crescente de moderação que ninguém resolveu direito.
Só que o ponto mais importante não é esse. A OpenAI está mudando de jogo. Em vez de apostar em um “TikTok de IA”, decidiu concentrar energia no que realmente gera valor agora: assistentes, produtividade, código e B2B. Um movimento claro de quem está se preparando para abrir capital e precisa mostrar foco, margem e previsibilidade.
Nem tudo que viraliza vira um bom negócio. E, mais do que isso, estamos começando a ver a primeira grande poda da era da IA. Depois da fase “olha o que isso faz”, começa a fase “isso dá dinheiro?”. Sora morreu nesse exato corte.






