Meta no Agentic Commerce, Ovos Bilionários, Venda de Chips e Desinstalação do ChatGPT
Bom dia! Hoje é 3 de março. A newsletter saiu mais tarde do que o de costume, mas apareceu. Espero que você tenha uma ótima terça-feira.
A batalha do Agentic Commerce
A batalha do Agentic Commerce começou de vez. A Meta está testando uma ferramenta de compras com IA dentro do seu assistente, permitindo que o usuário peça sugestões de produtos e receba recomendações prontas para comparar e clicar. Não é só busca, é um tipo de decisão assistida. É o início da compra sendo feita dentro da conversa.
Do outro lado, o ChatGPT, da OpenAI, e o Gemini, do Google, também avançam na integração entre IA e comércio. A disputa já não é mais por atenção. É por quem vira a nova porta de entrada da internet. Quem controla a conversa, controla a decisão.
O que está em jogo é a mudança estrutural da jornada de compra. Saímos do “eu procuro” para o “a IA decide comigo”. O consumidor não quer mais abrir 15 abas. Ele quer contexto, comparação e recomendação em segundos. E, em breve, execução automática.
Para as marcas, isso muda tudo. Não basta aparecer bem no Google. É preciso ser compreendido e recomendado por um agente. Dados estruturados, reputação digital e integração técnica viram ativos estratégicos. No Agentic Commerce, quem não é escolhido pelo algoritmo simplesmente deixa de existir.
A granja dos ovos de ouro
Uma empresa de ovos avaliada em US$ 8 bilhões. Sim, ovos. A Global Eggs atingiu esse valuation após um aporte bilionário da Warburg Pincus. Em menos de um ano, triplicou de valor. Em um setor que muita gente chama de “commodity”.
Isso diz mais sobre estratégia do que sobre galinhas. A empresa construiu escala internacional, presença relevante nos EUA e na Europa e uma operação verticalizada. Não é só produção. É eficiência industrial, consolidação de mercado e disciplina de capital.
O mercado entendeu algo importante: proteína básica é previsível, recorrente e global. Em um mundo volátil, negócios com demanda estrutural, margem ajustável e capacidade de aquisição viram plataformas. E plataformas capturam prêmio.
Enquanto muitos discutem IA, chips e robôs, uma empresa de ovos chega a metade do valor de gigantes do setor de carnes. Às vezes, inovação não é sobre tecnologia. É sobre execução, consolidação e timing.
Pode vender, mas só um pouco
Os EUA estudam limitar a venda de GPUs H200 da NVIDIA para a China. A nova proposta é de que cada empresa chinesa só possa adquirir 75 mil unidades. Esse número parece enorme, mas não é. Essa proibição faz parte daquele jogo político entre EUA e China, no que diz respeito a hegemonia global da inteligência artificial. Todo mundo fica puxando de um lado e esticando do outro.
Para você ter uma ideia, há poucos meses a China tinha colocado um limite inverso: definiu um número máximo de GPUs que Alibaba e ByteDance poderia comprar dos americanos. Isso parece com aquele dilema do ovo e da galinha. Um lado precisa vender pra crescer. O outro precisa comprar para treinar algoritmos. Mas se um compra, fortalece o outro. Se não compra, enfraquece o outro, mas deixa de evoluir.
Fato é que, cada vez mais, os chips e placas ligados a inteligência artificial continuam sendo muito, muito relevantes no tabuleiro geopolítico global. Não há cenário próximo onde isso será diferente ou menor do que agora.
Debandada do ChatGPT
Após a confirmação de um contrato entre a OpenAI e o Departamento de Defesa dos EUA, a desinstalação do app ChatGPT nos Estados Unidos disparou 295% em um único dia, segundo dados de Sensor Tower. Esse salto ficou muito acima da média de diária e indica uma reação clara de parte dos usuários à parceria com o governo.
Ao mesmo tempo, os downloads do assistente concorrente Claude, da Anthropic, subiram significativamente, e o app chegou ao topo da lista de apps gratuitos na App Store dos EUA no fim de semana após a notícia.
O padrão sugere que, para muitos usuários, fatores como ética, privacidade e posicionamento frente a contratos com instituições militares passaram a influenciar diretamente a escolha da ferramenta de IA que usam no dia a dia, e não apenas recursos técnicos ou preço.
Curte meus insights? Entre no canal Entrelinhas no WhatsApp e receba os conteúdos e bastidores das empresas antes de todo mundo. Clique aqui.
Esse episódio mostra que, à medida que produtos de IA se tornam parte da vida de milhões, decisões de negócios e parcerias podem ter impacto imediato na confiança e no engajamento do público. Uma lição clara para empresas de tecnologia: reputação importa tanto quanto inovação na hora de conquistar e reter usuários.






