Margens Emagrecendo, Habitação no Delivery, Nova Profissão Chinesa e Remédio na Shopee.
Bom dia! Hoje é 10 de agosto. Nesse mesmo dia, em 2015, o Vale do Silício assistiu a uma das reestruturações mais audaciosas da tecnologia: o nascimento da Alphabet Inc. Para evitar que o gigantismo do Google sufocasse sua capacidade de inovar, os fundadores Larry Page e Sergey Brin criaram uma holding. O Google tornou-se uma subsidiária focada nos produtos principais e altamente lucrativos (Busca, YouTube, Android), sob o comando de Sundar Pichai.
Enquanto isso, os projetos de fronteira e alto risco - as “Other Bets”, como a Waymo (carros autônomos) e a Verily (saúde) - ganharam independência e CEOs próprios. A jogada trouxe clareza financeira para Wall Street e garantiu agilidade de startup para os negócios do futuro.
Engorda Receita, Emagrece a Margem.
As canetas emagrecedoras estão fazendo as duas coisas ao mesmo tempo nas grandes redes de farmácias brasileiras: aumentando as vendas e pressionando a rentabilidade. Os números do segundo trimestre deixam isso bem claro.
Na RD Saúde, a receita cresceu 18%, chegando a R$ 12,8 bilhões. Os medicamentos de marca avançaram 24%, impulsionados principalmente pelos GLP-1. Mas a margem bruta caiu de 29% para 28,9%.
Na Panvel, o efeito aparece ainda mais forte: as vendas de GLP-1 cresceram 63,6% em um ano e já representam 11,3% da receita do varejo. Ao mesmo tempo, a margem bruta consolidada recuou 0,5 ponto percentual.
Ou seja: as canetas trazem muito faturamento para dentro da farmácia, mas são produtos de alto valor e margem proporcionalmente menor. Quanto maior o peso delas no mix, maior pode ser a receita… sem que o lucro acompanhe na mesma velocidade.
E agora começa um segundo capítulo. A patente da semaglutida no Brasil expirou em março e a Anvisa já começou a registrar novas versões concorrentes do medicamento. São 21 versões “genéricas” aprovadas até agora.
Isso tende a ampliar o mercado e pode fazer o volume vendido crescer ainda mais. Mas também aumenta a competição e a pressão sobre preços. Para as farmácias, portanto, pode surgir um paradoxo interessante: vender cada vez mais canetas, para cada vez mais pessoas, por preços cada vez menores. O mercado de GLP-1 pode continuar engordando a receita das farmácias. A grande questão é quanto da margem vai emagrecer no caminho.
Comprovante de Renda do Delivery.
Uma mudança aparentemente burocrática pode abrir um mercado gigantesco. A Caixa passou a aceitar extratos de plataformas de delivery como comprovante de renda para financiamento habitacional. Na prática, isso permite que entregadores de aplicativos, muitas vezes fora dos modelos tradicionais de comprovação de renda, tenham mais condições de acessar o crédito imobiliário.
A Cury resolveu testar rapidamente essa nova possibilidade. Em uma ação realizada em São Paulo exclusivamente para entregadores de aplicativos, vendeu 50 imóveis em um único dia. O resultado mostra algo interessante: talvez parte da demanda por habitação não estivesse ausente. Ela simplesmente não conseguia passar pela porta do sistema financeiro.
Agora, a construtora pretende usar essa nova modalidade de crédito também para acelerar a venda de seu estoque de imóveis de interesse social, voltados para famílias com renda de até R$ 4.863. É uma combinação positiva: de um lado, trabalhadores que passam a conseguir comprovar uma renda que já existia. Do outro, construtoras que encontram um novo público para imóveis que precisam vender.
Esse caso mostra como mercados podem mudar rapidamente quando alguém altera uma regra no meio da cadeia. A Caixa não criou novos consumidores. Apenas mudou a maneira de enxergá-los. E, quando uma renda antes invisível passa a ser reconhecida, ela pode virar crédito, financiamento e, finalmente, chave na mão.
Nova Profissão: Vendedor de Dados.
A inteligência artificial está criando um mercado curioso na China: pessoas sendo pagas para produzir dados que serão usados no treinamento de robôs humanoides. Funciona assim: trabalhadores realizam tarefas comuns - dobrar roupas, lavar louça, pegar objetos, organizar ambientes - enquanto câmeras e sensores capturam seus movimentos. Esses registros depois viram dados de treinamento para ensinar robôs a executar as mesmas atividades.
E já existe uma pequena economia em torno disso. Empresas disponibilizam equipamentos para captura dos movimentos, plataformas oferecem projetos de coleta e os trabalhadores são remunerados pela produção desses dados. Cada pessoa recebe cerca de R$ 150 por dia, por 8 horas de trabalho.
O mais interessante é que começa a surgir uma espécie de mercado de commodities do comportamento humano. Movimentos mais raros, complexos ou difíceis de encontrar podem gerar dados mais valiosos. Conforme determinado conjunto de dados se torna abundante, seu valor tende a diminuir.
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Até agora, grande parte da IA aprendeu conosco lendo nossos textos, vendo nossas imagens e ouvindo nossas vozes. Com a chegada dos robôs humanoides, ela precisará aprender também como nos movimentamos e interagimos com o mundo físico. Talvez uma das novas profissões da era da IA seja justamente essa: vender aquilo que você sabe fazer para ensinar uma máquina a fazer também.
Remédio na Shopee.
A Anvisa liberou a venda de medicamentos pela Shopee, permitindo que farmácias e drogarias usem o marketplace como mais um canal de comercialização. A Shopee entra, assim, em um movimento que iFood e Mercado Livre já começaram a fazer: transformar aplicativos que nasceram para outras categorias em plataformas cada vez mais presentes na rotina de saúde do consumidor.
E faz sentido. Medicamentos têm uma característica especialmente valiosa para qualquer plataforma: alta recorrência. Diferentemente de muitas compras ocasionais, remédio é uma categoria que faz o consumidor voltar com frequência.
É por isso que essa disputa vai muito além de vender caixas de medicamentos. Quem conquista essa categoria aumenta frequência, gera novos dados de consumo e amplia sua participação na vida cotidiana do cliente. No fim, a batalha entre marketplaces está deixando de ser apenas por preço, frete ou variedade. Está virando uma disputa por rotina.






