Jobs na Cura do Câncer, Nubank é Banco Global, OpenAI vs Apple na Justiça e o Luco das Memórias
Bom dia! Hoje é 13 de julho. Nesse mesmo dia, 1992, as gigantes IBM, Toshiba e Siemens formalizaram uma aliança histórica de US$ 1 bilhão para co-desenvolver chips de memória dinâmica de acesso aleatório de 256 megabits. Essa união foi um divisor de águas no ecossistema de negócios de tecnologia: ela provou que, diante dos custos astronômicos de pesquisa e desenvolvimento, até mesmo concorrentes ferozes precisavam cooperar para acelerar a inovação global.
Hoje, 24 anos depois, os chips de memória voltam ao protagonismo tecnológico com muito mais potência. Se antes o gargalo para o avanço da IA eram as GPUs da Nvidia, agora é a falta de memórias para que a inteligência artificial siga em frente. E, nesse contexto, uma nova empresa ocupa o lugar de destaque: a Micron.
Um Banco Global?
O Nubank acaba de receber a autorização definitiva para operar como banco no México. Não é apenas uma licença regulatória. É mais um passo na transformação de uma fintech brasileira em uma instituição financeira continental.
A empresa nasceu no Brasil, expandiu sua presença para México e Colômbia e agora também avança nos Estados Unidos, onde já recebeu uma aprovação condicional para estabelecer uma operação bancária.
Aos poucos, o Nubank deixa de ser apenas um banco brasileiro com operações internacionais. Começa a se tornar um banco das Américas, presente em alguns dos maiores e mais relevantes mercados financeiros do continente.
O desafio agora é provar que seu modelo pode ser exportado. Operação digital, estrutura mais leve, experiência simples e capacidade de atender milhões de clientes sem carregar o peso dos bancos tradicionais.
No Brasil, o Nubank mostrou que era possível desafiar instituições centenárias. No México, começa uma nova etapa. E, nos Estados Unidos, poderá enfrentar o teste mais difícil de todos.
Talvez ainda seja cedo para chamar o Nubank de banco global. Mas já não parece exagero dizer que ele está construindo um dos primeiros grandes bancos digitais verdadeiramente pan-americanos.
Espionagem Corporativa?
A Apple abriu uma guerra contra a OpenAI. A empresa entrou com um processo acusando a criadora do ChatGPT e dois ex-funcionários de se apropriarem de informações confidenciais para acelerar o desenvolvimento de novos dispositivos de inteligência artificial.
Já conhece a Rádio Entrelinhas? Agora você pode ouvir tudo o que escrevemos por aqui. No carro, na academia ou em qualquer lugar. Acesse por aqui!
Segundo a acusação, ex-executivos teriam acessado documentos internos, informações sobre produtos ainda não lançados e detalhes estratégicos da cadeia de fornecedores. A Apple afirma até que candidatos foram orientados a levar componentes e materiais proprietários para entrevistas na OpenAI.
A OpenAI nega as acusações. Mas o processo revela que a disputa entre as duas empresas ficou muito maior do que a IA dentro do iPhone. A OpenAI está entrando no território mais valioso da Apple: o hardware. Depois de incorporar a startup de Jony Ive e contratar centenas de ex-funcionários da fabricante do iPhone, a empresa parece determinada a criar uma nova categoria de dispositivos pessoais baseados em IA.
Nesse jogo, contratar talentos não significa apenas contratar pessoas. Significa absorver conhecimento sobre materiais, fornecedores, processos industriais, design, engenharia e produção em escala. É justamente aí que termina a mobilidade profissional e pode começar a espionagem corporativa. A fronteira entre as duas coisas será decidida pela Justiça.
Mas existe algo ainda maior por trás desse processo. Apple e OpenAI não estão brigando apenas por segredos industriais. Estão brigando para definir qual será o dispositivo que virá depois do smartphone e quem controlará a próxima grande interface entre seres humanos e tecnologia. A Apple construiu o produto mais importante das últimas duas décadas. A OpenAI quer construir o próximo.
Um Jobs na Cura do Câncer.
Reed Jobs carrega um dos sobrenomes mais conhecidos da tecnologia. Mas prefere não falar sobre a Apple nem viver à sombra do pai. Sua grande ambição está em outro lugar: ajudar a transformar o câncer em uma doença cada vez mais tratável.
Em 2023, ele criou a Yosemite, uma gestora dedicada exclusivamente à oncologia. O modelo combina capital de risco e filantropia para financiar pesquisas, acelerar descobertas científicas e criar novas empresas de biotecnologia.
A estratégia é entrar antes do investidor tradicional. Em vez de esperar que uma pesquisa acadêmica se transforme sozinha em uma empresa, a Yosemite ajuda a atravessar o difícil caminho entre o laboratório, os testes clínicos e o paciente.
A gestora já investiu em cerca de 25 empresas e agora busca levantar um novo fundo de US$ 350 milhões. Parte relevante do capital será destinada a negócios criados em parceria com universidades e pesquisadores.
Entre no canal Entrelinhas no WhatsApp e siga nosso Instagram: informação rápida, em tempo real, que tangibilizam as transformações.
A inteligência artificial também começa a ocupar um papel central nessa jornada, ajudando a identificar novos medicamentos, encontrar alvos biológicos e reduzir o tempo necessário para desenvolver tratamentos.
Existe uma dimensão pessoal evidente. Steve Jobs morreu de câncer, e Reed cresceu acompanhando de perto os impactos da doença. Mas sua história não parece movida apenas pelo legado do pai.
A infraestrutura abocanha o lucro
O gráfico da Bloomberg mostra uma mudança importante na economia da inteligência artificial: as maiores margens não estão necessariamente no produto final, mas nos componentes que tornam esse produto possível.
No trimestre mais recente, a Micron alcançou margem operacional de 80,4%. A SK Hynix chegou a 71,5%. A SanDisk, a 69,1%. Todas ficaram acima da Nvidia, com 65,6%. Outros fornecedores essenciais também aparecem com margens elevadas: Kioxia, 59,5%; TSMC, 58,1%; Samsung, 52,2%; e Broadcom, 48,6%.
Na outra ponta, empresas que transformam essa infraestrutura em software e serviços registraram margens menores. A Microsoft aparece com 46,3% e a Palantir, com 46,2%.
O dado revela onde está a maior pressão de demanda hoje. Memória, armazenamento, semicondutores e capacidade de processamento se tornaram recursos escassos. Com os preços subindo, os fabricantes conseguem ampliar rapidamente suas margens.
A IA pode aparecer para o cliente em forma de software. Mas, neste momento, boa parte do lucro está sendo capturada muito antes: na infraestrutura.






