Caneta e Roleta, McDonald's Low Carb, IA no AirBnB, Novela da Netflix
Bom dia! Hoje é 16 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval. Nesse mesmo dia, em 1968, foi realizada a primeira ligação para o 911 (serviço de emergência nos EUA). Isso não foi algo simples, porque exigiu alinhamento de uma cadeia de serviços para atender a chamada de urgência. Hoje os serviços de emergência como 192 (Samu), 193 (Bombeiros) e 190 (Polícia) ajudam a salvar vidas e evitar crimes.
Caneta e Roleta: o dinheiro mudou de lugar
Tem uma mudança silenciosa acontecendo no carrinho de compras do brasileiro. Categorias que sempre foram “sagradas” - alimentos, bebidas, higiene, limpeza - estão perdendo espaço no orçamento. Não porque as pessoas passaram a comer menos ou a se cuidar menos. Mas porque novas prioridades entraram no jogo.
As canetas emagrecedoras viraram um gasto recorrente para milhões de pessoas. Não é um gasto pequeno. É mensal, contínuo e, em muitos casos, virou parte da rotina. Na prática, parte do dinheiro que antes ia para o supermercado agora vai para a farmácia. O consumo mudou de lugar.
Do outro lado, as bets também capturam uma fatia relevante do orçamento, especialmente nas classes mais baixas. Para alguns, é entretenimento. Para outros, é quase uma tentativa de renda extra. O efeito colateral é óbvio: sobra menos para o básico. O dinheiro não some. Ele só muda de destino.
Esse é um sinal claro de como o consumo está sendo reprogramado. Não é só inflação. É comportamento. Saúde virou produto recorrente. Aposta virou hábito. E as marcas de bens essenciais vão ter que entender isso rápido. O bolso do consumidor não estica. Quando novas categorias entram, alguém sempre sai perdendo.
IA no atendimento do Airbnb
O que está acontecendo com atendimento ao cliente no Airbnb é um exemplo claro de como IA está deixando de ser “experimento” para virar parte do coração do negócio. A empresa anunciou que um terço de todas as interações de suporte nos Estados Unidos e Canadá já é feito por um sistema de IA customizado, e a ideia é levar isso para o resto dos mercados nos próximos meses. Incluindo atendimento por voz e chat em várias línguas.
Isso não é só automatizar respostas simples. Pelo que o CEO Brian Chesky explicou, a visão é que a IA faça um trabalho melhor do que humanos em resolver problemas reais de hóspedes e anfitriões, ao mesmo tempo em que corta custos e escala atendimento sem precisar aumentar equipe humana proporcionalmente.
O mais interessante disso, na minha visão, é que não estamos falando de um chatbot genérico, mas de uma IA treinada com os dados próprios da plataforma: milhares de reservas, mensagens entre usuários, avaliações e regras de serviço que podem “entender” o contexto da viagem ou problema e agir de forma mais precisa. Isso muda o papel do suporte tradicional e pode ser um ponto de vantagem competitiva importante.
Mas ao mesmo tempo, claro, isso levanta questões fortes sobre experiência do usuário real e o papel das pessoas nesse processo. Tecnologia pode ser mais eficiente, mas ainda existem situações onde empatia e julgamento humano fazem diferença. E será um ponto de atenção enorme para empresas que estão empurrando esse tipo de mudança.
McDonald's Low Carb?
O que me chama atenção nessa história do McDonald’s é o sinal claro de que a indústria de alimentos também está sentindo o efeito das mudanças no comportamento do consumidor impulsionadas por medicamentos como Ozempic e Mounjaro. Usuários desses tratamentos tendem a comer menos, preferem refeições com mais proteína e menos carboidratos, e isso está mexendo com a lógica tradicional do fast-food que sempre foi volume, impulso e tamanho das porções.
A rede não está apenas lançando um “Big Mac Low Carb” por modinha. O que está acontecendo é que o padrão de consumo está mudando e isso mexe com ticket médio, frequência de visitas e até com a forma como marcas pensam seu portfólio. Proporções menores e alimentos com perfil nutricional diferente começam a fazer sentido quando parte relevante da população altera seus hábitos por causa de efeitos fisiológicos que reduzem o apetite.
Na minha visão, isso é uma conexão direta entre saúde, comportamento e economia: remédios que alteram a forma como as pessoas comem acabam influenciando estratégias de gigantes do varejo alimentício. É um lembrete de que tendências que nascem fora do setor podem redesenhar mercados inteiros, e as empresas mais rápidas em interpretar e responder a essas mudanças vão se destacar.
Novela no Streaming?
O que está acontecendo agora é que a Warner Bros. Discovery está reavaliando uma oferta antiga da Paramount para comprar a empresa inteira, mesmo já tendo um acordo de venda com a Netflix em vigor. A Paramount não aumentou o preço por ação em si, mas fez ajustes que tiram alguns riscos financeiros da mesa, como se comprometer a pagar a taxa que a Warner teria que pagar à Netflix se cancelasse esse acordo e oferecer dinheiro extra aos acionistas por cada período em que a transação atrasar.
Na prática, isso significa que o conselho da Warner está agora debatendo se a proposta da Paramount pode ser melhor para os acionistas do que a transação com a Netflix, que até aqui vinha sendo a favorita. Essa reabertura de negociações não garante nada. Eles ainda podem simplesmente continuar com o plano atual. Mas sinaliza que a pressão está aumentando e que tem gente no mercado questionando se a primeira opção foi a melhor.
O que mais chama atenção aqui é que essa disputa não é simplesmente “quem paga mais por fora”. A Paramount está tentando tornar sua proposta mais segura e menos arriscada do ponto de vista regulatório e financeiro, justamente para reduzir o motivo pelo qual a Warner preferiu a Netflix inicialmente. Isso torna todo o processo mais complexo e mostra como pode acabar sendo mais um jogo de paciência e estratégia do que apenas cifras maiores.
No fim das contas, o que está em jogo é conta, risco e futuro do negócio de mídia. Um acordo com a Netflix cria um gigante de streaming com um catálogo enorme, mas deixa de fora os canais lineares da Warner. A Paramount, por outro lado, está disposta a assumir custos e riscos para ganhar toda a empresa. E essa disposição está tirando a Warner da zona de conforto e fazendo os acionistas pensarem duas vezes. A tendência agora é acompanhar de perto os próximos passos do conselho e dos acionistas para ver quem realmente vai levar essa.






