Polilaminina: não é milagre, é ciência
Se você tem redes sociais, certamente já viu vídeos de pessoas tetraplégicas recuperando movimentos depois do uso de uma substância nova chamada polilaminina. Aquilo parece milagre, mas é ciência. Uma ciência que buscou caminhos “não óbvios”, indo além do que já havia sido tentado antes.
Quando a medula espinhal sofre uma lesão, é como se uma estrada fosse destruída no meio do caminho. O cérebro até tenta mandar sinais, mas eles não chegam do outro lado. O problema não é só o “buraco” físico. O local da lesão vira um ambiente hostil: cicatriz, inflamação e substâncias que dificultam o crescimento dos nervos.
A polilaminina entra como um “andaime biológico”. Ela imita uma proteína natural do nosso corpo (a laminina) e cria um suporte onde os neurônios conseguem se apoiar e tentar crescer de novo. Além de servir como “chão”, esse material também envia sinais químicos que dizem para os nervos: “por aqui dá para passar”.
Pensa num trilho de trem que foi interrompido. A polilaminina não é o trem e nem o maquinista. Ela é um trecho de trilho provisório colocado no lugar para que, se o trem conseguir, volte a atravessar. Em alguns casos, os neurônios conseguem estender novos “cabos” por esse caminho e restabelecer parte da comunicação entre cérebro e músculos.
Ainda é uma abordagem experimental, em estudo. Não é milagre e não funciona igual para todo mundo. A aposta é simples e encorajadora: em vez de só lidar com as consequências da paralisia, tentar recriar condições para que o próprio sistema nervoso volte a formar conexões. Não é “voltar ao que era antes”, é dar uma chance ao corpo de reaprender caminhos.
Esse novo tratamento mostra que ainda podemos evoluir muito e que tecnologias como a inteligência artificial poderão nos ajudar a explorar justamente isso: soluções e caminhos até então desconhecidos, que agora ficarão mais expostos quando a luz da IA for projetada sobre eles.



