Bill Gates: garoto-propaganda do Itaú Unibanco
Pouca gente lembra, mas o fundador da Microsoft já foi garoto-propaganda do Unibanco, banco que anos depois se fundiria com o Itaú para formar o que hoje conhecemos como Itaú Unibanco. Isso aconteceu no início da década de 90, quando tecnologia e sistema financeiro começavam a se aproximar de forma mais ousada no Brasil.
O vídeo é um retrato poderoso daquele momento. Nele, Bill Gates aparece promovendo o “home banking” do Unibanco, explicando que, a partir dali, seria possível ter um banco inteiro em cima da mesa de casa. Hoje essa frase soa trivial. Naquela época, era quase ficção científica.
O contexto torna tudo ainda mais interessante. De um lado, a Microsoft vivia um dos momentos mais importantes de sua história, ganhando escala global com a popularização do computador pessoal, do Windows e do Office. Do outro, o Unibanco usava a reputação da empresa mais poderosa da tecnologia para ancorar sua própria narrativa de inovação, confiança e futuro.
O ano do anúncio não foi qualquer um. Em 1995, a Microsoft lançava o Windows 95, um produto que mudou radicalmente a relação das pessoas com computadores e ajudou a levar a tecnologia para dentro das casas, dos escritórios e, indiretamente, dos bancos. A ideia de um “banco em casa” fazia sentido justamente porque o computador estava deixando de ser um objeto técnico para se tornar um eletrodoméstico intelectual.
Há ainda um detalhe curioso e simbólico: a gravata de Bill Gates. Estampada com notas de dólar, ela não parece um acaso. Era quase uma metáfora visual do que estava sendo comunicado ali. Tecnologia gera dinheiro. Computadores movimentam a economia. Software vira poder financeiro. Uma mensagem simples, direta e perfeitamente alinhada com o espírito dos anos 90.
O comercial acaba se tornando mais do que uma peça publicitária. Ele é um registro histórico de quando bancos começaram a entender que tecnologia não era apenas infraestrutura, mas narrativa, confiança e vantagem competitiva. E de quando a computação pessoal deixou de ser só produtividade para se tornar plataforma de serviços, inclusive financeiros.
No fim das contas, aquele anúncio antecipava muito do que veríamos nas décadas seguintes. Fintechs, bancos digitais, aplicativos, pagamentos invisíveis. Tudo começou ali, quando alguém ousou dizer que um banco inteiro caberia em cima da mesa de casa.


