Bom dia! Hoje é 5 de outubro. Nesse mesmo dia, a história dos negócios e da tecnologia registrou um duplo marco extraordinário: o nascimento de alguém que mudaria para sempre a lógica do consumo rápido de alimentos e a morte de alguém que mudou a humanidade com suas inovações.
Em 5 de outubro de 1902, nascia Ray Kroc, o empreendedor visionário que transformou uma pequena hamburgueria de bairro no gigante global McDonald’s Corporation. Kroc revolucionou a indústria do varejo ao introduzir um padrão rigoroso de escala, eficiência logística e franchising, redefinindo por completo o comportamento do consumidor e a forma como o mundo se alimenta fora de casa.
Já em 5 de outubro de 2011, o mundo se despedia de Steve Jobs, cofundador da Apple, que faleceu aos 56 anos. Visionário e obstinado pelo design e pela simplicidade, Jobs transformou radicalmente a cultura humana ao redefinir múltiplos setores, da computação pessoal e indústria fonográfica aos telefones celulares e à animação digital, deixando um legado que moldou para sempre a nossa relação com a tecnologia.
A Corrida da Super Inteligência.
Elon Musk acaba de dizer que vai trocar o nome da SpaceXAI para SpaceXSI. O “AI” dá lugar ao “SI”, de Super Intelligence. A decisão acontece poucos dias depois de Donald Trump começar a pressionar pela adoção do termo “Super Intelligence” no lugar de “Artificial Intelligence”.
Pode parecer apenas uma guerra de palavras. Mas acompanhe o dinheiro. O domínio .si, que pertence à Eslovênia, virou objeto de uma pequena corrida do ouro digital. Em setembro, as compras de domínios .si cresceram 2.199%. Só em 30 de setembro foram registrados cerca de 11 mil novos endereços. Nas 24 horas seguintes, quase 13 mil. Na Hostinger, o .si chegou a se tornar a segunda extensão mais popular, atrás apenas do .com.
A lógica lembra bastante o que aconteceu com .ai. A extensão pertence a Anguilla, mas ganhou valor porque o mundo decidiu que aquelas duas letras significavam Inteligência Artificial. Agora, investidores, empresas e especuladores estão apostando que SI pode ser o próximo AI.
E talvez essa seja a parte mais interessante dessa história. Antes mesmo de sabermos quem vai construir a superinteligência, já começou a corrida para ocupar o território ao redor dela. Primeiro muda a linguagem. Depois mudam as marcas. Depois vêm os domínios, os produtos e o dinheiro. A tecnologia talvez ainda seja AI. Mas a corrida pelo SI já começou.
A Nova Onda do GLP-1 nas Farmácias.
Durante algum tempo, a grande história das canetas emagrecedoras foi o preço. Ozempic, Wegovy, Mounjaro: medicamentos caros, margens relevantes e uma demanda maior do que a oferta. Essa fase está acabando.
Com a queda da patente da semaglutida, novos fabricantes estão chegando, os genéricos deverão custar pelo menos 35% menos que os medicamentos de referência e a disputa começa a migrar de preço para volume. A XP estima preço médio próximo de R$ 430 por caneta.
Mas acho que estamos olhando para o lugar errado. O maior impacto do GLP-1 para as farmácias talvez não esteja na margem da caneta. Está na frequência. Pense no que acontece quando milhões de consumidores passam a comprar, todos os meses, um medicamento para uma condição de tratamento prolongado.
A farmácia deixa de receber aquele cliente eventualmente e passa a ter uma relação recorrente com ele. E junto da caneta começam a orbitar proteínas, vitaminas, suplementos, produtos para massa muscular, saúde intestinal, pele, monitoramento, exames e dezenas de outras categorias.
Os GLP-1 já representam cerca de 6% do faturamento das farmácias brasileiras e foram responsáveis por uma parcela relevante do crescimento recente do setor. Agora imagine esse mercado com medicamentos 30%, 40% ou 50% mais baratos.
A receita por caneta pode cair. Mas o número de pessoas usando pode explodir. Por isso, talvez a próxima guerra das farmácias não seja para descobrir quem ganha mais dinheiro vendendo Ozempic. Será para descobrir quem consegue transformar o usuário de GLP-1 em um cliente de saúde para os próximos 10 anos. A caneta é apenas a porta de entrada.
Anúncios no ChatGPT. E agora?
Até aqui, muita gente se acostumou a enxergar a IA como uma espécie de “oráculo neutro”: você pergunta, ela responde; você pede ajuda, ela organiza. Mas no momento em que aparece o botão de anúncio dentro da conversa, nasce uma nova camada de interesse. A resposta deixa de competir apenas por qualidade. Ela passa a conviver com a lógica da monetização.
Isso não significa, automaticamente, que a IA deixará de ser boa. Mas significa que a discussão sobre isenção muda de patamar. Porque a pergunta já não é só “qual é a melhor resposta?”, e sim “qual é a melhor resposta dentro de um ambiente que também precisa vender?”. Foi exatamente isso que aconteceu com a internet, com a busca e com as redes sociais. Primeiro veio a utilidade. Depois veio a publicidade. E, logo em seguida, veio a disputa pela atenção.
O ponto mais importante é que a IA não será apenas um novo canal de mídia. Ela tende a virar o principal intermediário entre empresas e consumidores. Se hoje marcas brigam por espaço no Google, no Instagram e no TikTok, amanhã vão brigar para aparecer dentro da resposta da IA. Isso muda tudo: marketing, aquisição de clientes, reputação e até a forma como produtos serão desenhados para serem “recomendáveis” por máquinas.
A IA não precisa deixar de ser útil para se tornar menos isenta. Basta passar a ter incentivos. E toda vez que incentivos entram em cena, a resposta nunca mais é só resposta. Ela também passa a ser negócio.
O Problema Não Foi a Queda. Foi a Surpresa.
Em pouco mais de uma semana, RD Saúde, Pague Menos e Panvel perderam juntas cerca de R$ 1,6 bilhão em valor de mercado. O gatilho foi o Mercado Livre. A empresa anunciou a expansão da venda de medicamentos, incluindo produtos com receita, a entrada de farmácias parceiras no marketplace e entregas que podem chegar a 60 minutos.
O mercado se assustou. E é justamente isso que me chama atenção. Porque a entrada do Mercado Livre nesse mercado não deveria ser tratada como um raio em céu azul.
A empresa comprou uma farmácia em São Paulo ainda em 2025. Começou a vender medicamentos isentos de prescrição. O Congresso aprovou mudanças permitindo que farmácias utilizassem plataformas digitais e serviços de entrega. E o Mercado Livre já tinha praticamente todos os ativos necessários para avançar: milhões de clientes, pagamentos, logística, tecnologia, recorrência e uma capacidade brutal de distribuição.
Faltava entrar. Entrou.
Talvez este seja um dos grandes problemas das empresas (e também dos investidores) hoje: confundimos imprevisibilidade com falta de atenção. Muitas rupturas parecem repentinas apenas porque estávamos olhando para o lugar errado.
O Mercado Livre não acordou numa quarta-feira e decidiu vender remédio. Esse movimento vinha sendo construído. E talvez exista uma lição ainda maior aqui: o seu próximo concorrente pode não ser uma empresa parecida com a sua. Ele pode vir de outro setor carregando distribuição, tecnologia, dados, audiência e capital suficientes para redesenhar o seu. A queda das farmácias foi rápida. Os sinais, não.
O problema não foi a queda. Foi a surpresa.






