Amazon no Físico, Fiado da NVidia, Açúcar no Ar, Varejo do Google e Frutos da SpaceX
Bom dia! Hoje é 12 de janeiro. Nesse mesmo dia, em 1904, nascia Bill Hewlett, cofundador da Hewlett-Packard (HP). A empresa é considerada a pioneira do Vale do Silício e estabeleceu parte relevante da cultura que veio depois.
Amazon ataca no mundo físico
A Amazon decidiu dar uma nova virada em sua estratégia de varejo físico nos EUA ao anunciar planos para abrir uma megaloja ao estilo do Walmart, com cerca de 21,3 mil m² de área para vender alimentos, mercadorias e refeições prontas na região de Chicago. O projeto é movimento ousado para além do modelo de supermercados e lojas pequenas que já testou no passado.
Essa iniciativa aponta para um retorno mais agressivo ao varejo presencial, uma vez que a Amazon já experimentou formatos diversos, desde livrarias e lojas com tecnologia “pegue e leve”, até supermercados. E muitos foram descontinuados ou limitados durante a pandemia por não encontrarem escala. A nova megaloja tenta combinar conveniência com um mix amplo de produtos.
Ao inspirar-se no modelo supercenter do Walmart e Target, a Amazon envia um sinal claro de que acredita na relevância do varejo físico mesmo em um mundo cada vez mais digitalizado, aproveitando seu poder de marca e logística para competir em um terreno tradicional. Isso também pode reforçar a sinergia entre online e offline, com ofertas presenciais que complementem seus serviços digitais.
Nos bastidores, essa estratégia pode refletir pressões por crescimento fora do e-commerce puro, onde a Amazon enfrenta margens apertadas e forte competição. Repensar a presença física em grande escala pode virar um diferencial competitivo e redefinir como a gigante de Seattle se posiciona contra players históricos de varejo.
Fiado só amanhã
A Nvidia agora está exigindo que clientes chineses paguem o valor total antecipadamente para garantir pedidos dos seus chips de IA H200, sem opção de cancelamento ou reembolso, mesmo antes de haver certeza sobre a aprovação regulatória de importação. Esse ajuste nos termos é um movimento defensivo em meio a um ambiente geopolítico e regulatório incerto entre EUA e China.
Até então, a empresa às vezes permitia apenas um depósito inicial. Agora a exigência de pagamento integral imediato transfere o risco financeiro para os compradores caso as importações sejam barradas ou adiadas.
Essa mudança acontece enquanto o governo chinês discute como permitir a entrada desses chips avançados, potencialmente limitando seu uso a setores comerciais não sensíveis. E chega num momento em que pedidos superam de longe o estoque disponível.
A entrelinha aqui é que a Nvidia busca proteger sua cadeia e caixa contra flutuações políticas e restrições comerciais, um reflexo de quão volátil e estratégico o mercado de semicondutores se tornou no contexto de competição tecnológica entre as duas maiores economias do mundo.
Açúcar no ar
Durante anos, o monitoramento de glicose sem agulha foi quase uma lenda urbana da indústria de wearables. Prometido, prototipado, adiado. Agora, pela primeira vez, parece que essa barreira começou a cair de verdade.
Apresentado na CES 2026, o PreEvnt Isaac propõe algo simples e poderoso: medir o açúcar no sangue sem furar a pele. O dispositivo é usado como um colar e faz a leitura pela respiração, identificando compostos orgânicos que se correlacionam diretamente com os níveis de glicose.
Se funcionar como promete, o impacto vai muito além da tecnologia. Para diabéticos, especialmente crianças e idosos, significa menos dor, menos ansiedade e mais constância no acompanhamento. Um ganho real de qualidade de vida, não apenas mais um gadget inteligente.
O sistema se conecta a um aplicativo que registra refeições, acompanha padrões e envia alertas automáticos para contatos de emergência. O que antes era um ritual invasivo tende a virar um hábito quase invisível. A entrelinha é clara: quando a tecnologia desaparece, ela finalmente cumpre seu papel.
Frutos da SpaceX
A geração de empreendedores da SpaceX está virando um fenômeno no mercado de tecnologia. Segundo levantamento, ex-funcionários da empresa fundada por Elon Musk já criaram 141 startups, que juntas somam US$ 10,6 bilhões em valor de mercado e geraram milhares de empregos.
Esse movimento mostra que a SpaceX não é só um foguete gigante, mas uma verdadeira escola de talentos: engenheiros e executivos saem da empresa carregando uma cultura de execução agressiva e pensamento prático que agrada investidores.
Entre as startups estão empresas espaciais, de mobilidade e tecnologia, algumas com avaliações bilionárias. Um sinal de que o ecossistema construído em volta da SpaceX tem impacto além do setor aeroespacial tradicional.
A visão aqui é que indústrias complexas formam empreendedores complexos: a experiência em resolver problemas extremos na SpaceX funciona como uma incubadora informal, alimentando a próxima onda de inovação em tecnologia e espaço.
O varejo na visão do Google
Sundar Pichai deixou claro como enxerga o futuro do varejo na NRF: inteligência artificial não é um acessório, é a engrenagem central da experiência do consumidor. A lógica é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: melhorar cada passo da jornada, da descoberta à entrega.
Isso ganha outra dimensão quando lembramos quem está falando. O Google é responsável por boa parte do momento mais crítico do varejo: a descoberta. Agora, com buscas cada vez mais inteligentes via Gemini, a empresa quer ser ainda mais próxima de negócios locais e globais, influenciando decisões em tempo real.
O dado ajuda a entender o tamanho do jogo: cerca de 90% dos consumidores pesquisam no Google antes de comprar. Não é só tráfego, é intenção. E intenção bem trabalhada vira conversão, receita e recorrência para quem sabe usar a ferramenta.
A entrelinha do discurso de Pichai contra concorrentes como GPT, Claude e afins é clara. O diferencial do Google não é apenas o modelo de AI, mas décadas de know-how em criar produtos que geram negócios para empresas. AI, aqui, não é fim. É meio. E um meio poderoso.







