Amazon É Supermercado, Império Autônomo da Uber, Disputa das Mochilas e SpaceX Vale Metade
Bom dia! Hoje é 3 de agosto. Nesse mesmo dia, em 1492, Cristóvão Colombo iniciava sua primeira viagem. As embarcações Santa María, Pinta e Niña partiram do porto de Palos de la Frontera, na Espanha. A expedição inauguraria uma fase de contatos contínuos e em larga escala entre Europa e Américas, abrindo um longo e violento processo de conquista, colonização e transformação econômica, cultural e demográfica dos dois lados do Atlântico.
Foi nessa primeira viagem, iniciada em 3 de agosto de 1492, que Colombo chegou às América, mais precisamente a uma ilha das Bahamas, em 12 de outubro de 1492. Ele acreditava ter alcançado regiões próximas à Ásia, e não um continente até então desconhecido pelos europeus.
Amazon é o 2º maior supermercado dos EUA.
A Amazon já é o segundo maior varejista de alimentos dos Estados Unidos. Um dado impressionante para uma empresa que começou vendendo livros pela internet. Desde o início do ano, o número de clientes que compram produtos perecíveis todos os meses cresceu mais de 50%. E os pedidos com alimentos frescos têm, em média, três vezes mais itens.
Seis dos 20 produtos mais vendidos no Amazon.com já são alimentos frescos. Isso mostra que a empresa está deixando de ser apenas o destino das compras ocasionais para se tornar parte da rotina doméstica. E esse aqui talvez seja o grande segredo, porque destrava coisas importantes.
A estratégia por trás de tudo isso é inteligente e simples: você compra um celular a cada alguns anos, mas compra leite, frutas, pão e produtos de limpeza toda semana. Ao entrar no supermercado, a Amazon não conquista apenas uma nova categoria. Conquista frequência, recorrência e uma quantidade muito maior de dados sobre o cotidiano dos consumidores.
Tornar-se o segundo maior supermercado dos EUA não é algo que se faz apenas com lojas físicas. Mas sim através de uma conexão que transcende o canal e foca na conveniência. Muitos clientes compram no Whole Foods Market, mas a maioria já tem a Amazon.com como seu destino para compras do dia a dia.
O Império Autônomo da Uber.
Uber já tentou fabricar sua própria tecnologia de veículos autônomos. Investiu bilhões, criou uma divisão específica e colocou carros em testes nas ruas. Em 2020, desistiu desse caminho e vendeu sua operação. Parecia uma retirada definitiva. Mas era, na verdade, uma mudança de estratégia.
Nos últimos dois anos, a empresa fechou parcerias ou realizou investimentos em mais de 30 companhias de veículos autônomos. A lista inclui Waymo, Baidu, WeRide, Zoox, Nvidia, Lucid, Rivian, Mercedes-Benz, Volkswagen e Stellantis.
A Uber percebeu que não precisa vencer a corrida para construir o melhor carro autônomo. Precisa garantir que os melhores carros autônomos estejam disponíveis dentro de sua plataforma.
Enquanto dezenas de empresas disputam sensores, modelos de inteligência artificial, veículos e sistemas de direção, a Uber oferece aquilo que todas elas precisarão: demanda, usuários, pagamentos, operação de frotas e presença global.
É uma estratégia de neutralidade interessante. Em vez de apostar todo o futuro em uma única tecnologia, a Uber transforma antigos concorrentes em fornecedores de mobilidade. O carro pode ser da Lucid. A tecnologia, da Nuro. A inteligência artificial, da Nvidia. A operação da frota, da Hertz. Mas a corrida começa dentro do aplicativo da Uber.
A empresa deixou de querer fabricar o veículo do futuro. Agora, quer ser a plataforma pela qual todos eles serão chamados. E pode ser que o dinheiro de verdade esteja justamente nessa camada.
A Disputa Chegou na Mochila.
Poucas semanas depois de a chinesa Keeta anunciar uma modalidade de entrega dedicada, o iFood apresentou uma nova operação para alimentos mais sensíveis, como pizzas, bolos e comida japonesa.
O elemento mais visível é a Bag Pro: uma mochila rígida, impermeável e equipada com elásticos internos para impedir que os pedidos se movimentem durante o trajeto. Mas a inovação mais importante não está na mochila.
Um algoritmo identifica entregadores com melhor histórico nesse tipo de transporte e direciona automaticamente os pedidos mais delicados. A tecnologia é combinada com treinamento especializado e um equipamento desenvolvido ao longo de quase dois anos.
Em seis meses de testes com a pizzaria Bráz, o modelo reduziu em mais de 80% as ocorrências relacionadas às entregas de pizzas. Não é um detalhe pequeno: somente no primeiro semestre de 2026, o iFood realizou mais de 50 milhões dessas entregas, uma média de 195 pizzas por minuto.
A disputa do delivery começa no aplicativo, mas termina na porta do consumidor. Quando preço, prazo e variedade ficam parecidos, a vantagem competitiva passa para os detalhes: embalagem, temperatura, apresentação, treinamento, algoritmo e qualidade da última milha.
A chegada de um novo concorrente não está restrita apenas a quem distribui mais cupons. Está obrigando todo o mercado a melhorar… inclusive na mochila. E isso é muito bom para o consumidor.
SpaceX: 40 Dias e Metade do Preço.
Durante o IPO, a SpaceX parecia ter combustível infinito. A empresa chegou a flertar com uma avaliação de US$ 3 trilhões, transformando Elon Musk no primeiro trilionário da história. Pouco mais de 40 dias depois, o cenário mudou radicalmente.
As ações perderam quase metade do valor desde o pico, eliminando mais de US$ 1,5 trilhão em capitalização. Hoje, a SpaceX vale aproximadamente US$ 1,4 trilhão. A fortuna de Musk também voltou praticamente ao ponto em que estava antes do IPO. Depois de alcançar cerca de US$ 1,33 trilhão, caiu para menos de US$ 800 bilhões, algumas estimativas já apontam aproximadamente US$ 684 bilhões.
O foguete continua sendo o mesmo. O que mudou foi a expectativa. O mercado precificou rapidamente uma empresa capaz de dominar lançamentos espaciais, internet via satélite, exploração de Marte e até infraestrutura de inteligência artificial no espaço.
Depois, começou a fazer uma pergunta mais simples: quanto dessa promessa já aparece nos resultados? O IPO levou a SpaceX ao espaço em poucos dias. A realidade trouxe a avaliação de volta à Terra em pouco mais de um mês.






