A Segunda Copa da CazéTV
A Copa do Mundo de 2026 está produzindo um fenômeno que vai muito além do futebol. Pela segunda vez consecutiva, a CazéTV se posiciona como uma das principais portas de entrada do brasileiro para o maior evento esportivo do planeta. O que começou como uma aposta ousada em 2022 agora parece ter se consolidado como um novo modelo de mídia de massa.
Fiz uma pesquisa entre os assinantes da newsletter Entrelinhas, mostra a dimensão desse movimento. A CazéTV apareceu com 59% da preferência dos respondentes, superando sozinha a soma de Globo, GE e SporTV. Mais do que uma simples liderança, o resultado sugere uma mudança de hábito de consumo que poucos imaginariam há apenas alguns anos.
O dado chama atenção porque a Globo sempre foi sinônimo de Copa do Mundo no Brasil. Durante décadas, assistir à seleção brasileira significava ligar a televisão aberta e ouvir a narração de nomes que marcaram gerações. Agora, uma operação construída sobre plataformas digitais, linguagem informal e distribuição online disputa (e em alguns públicos vence) esse espaço histórico.
A própria audiência reforça essa percepção. Na estreia do Brasil, a transmissão da CazéTV atingiu pico próximo de 13 milhões de dispositivos conectados simultaneamente. Como boa parte desses aparelhos reúne famílias, grupos de amigos e ambientes coletivos, é razoável imaginar que o número de pessoas assistindo tenha sido muito superior ao volume de telas conectadas, alcançando dezenas de milhões de brasileiros.
O mais interessante é que a CazéTV não venceu apenas pela tecnologia. Ela venceu porque entendeu que a internet não é apenas um canal de distribuição. É uma linguagem própria. A transmissão mistura entretenimento, proximidade, interação em tempo real e uma sensação de comunidade que a televisão tradicional muitas vezes tem dificuldade de reproduzir.
Outro ponto curioso da pesquisa foi o desempenho do SBT, que apareceu em segundo lugar com 21% das respostas. A presença de Galvão Bueno na cobertura pode ajudar a explicar parte desse resultado. Talvez exista um componente de nostalgia importante nessa escolha. Afinal, poucas vozes estão tão associadas à memória afetiva do futebol brasileiro quanto a dele.
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Mas a história principal continua sendo a da CazéTV. Em 2022 ela foi a novidade da Copa. Em 2026 ela já não é mais uma alternativa. Tornou-se uma potência de mídia nacional. O que estamos vendo não é apenas uma disputa por audiência esportiva, mas uma demonstração clara de como novas marcas digitais podem alcançar escala comparável (ou superior) à de grupos de comunicação que levaram décadas para construir sua posição.
A goleada da CazéTV talvez seja menos sobre futebol e mais sobre o futuro da mídia. A internet deixou de ser o lugar para onde as pessoas migram depois do evento principal. Em muitos casos, ela já se tornou o próprio evento principal. E a Copa de 2026 pode ficar marcada como o momento em que essa transformação se tornou impossível de ignorar.




