A Rede Social é o Novo Tabaco?
Nos últimos meses, a ideia de que as redes sociais são o “novo tabaco” deixou de ser uma metáfora de internet e virou assunto de tribunais, parlamentos e governos. Em países como a Austrália e a Espanha, leis novas estão proibindo menores de 16 anos de criar contas em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, com exigência de verificação de idade real e punições para empresas que não cumprirem.
Esse movimento vem junto de processos jurídicos nos Estados Unidos que acusam grandes empresas de tecnologia de projetarem seus produtos de modo a incentivar o uso repetido e compulsivo entre crianças e adolescentes, comparando esses designs às estratégias que a indústria do cigarro usou por décadas para ocultar riscos e manter consumidores dependentes.
No debate científico, há consenso de que certos recursos, como o scroll infinito e recomendações automáticas, incentivam tempo de uso excessivo, especialmente em jovens, mas pesquisadores ainda discutem se isso pode ser considerado “vício” no sentido clínico tradicional. Mesmo assim, as preocupações com saúde mental, sono e bem-estar impulsionam governos a agir.
O caso recente dentro da plataforma Roblox, em que mudanças na verificação de idade e restrições de chat geraram protestos de usuários adolescentes, mostra como políticas de proteção podem encontrar resistência dos próprios jovens.
O que está em jogo é como equilibrar o valor social e criativo das plataformas com a necessidade de proteger menores de riscos reais. Essa tensão pode definir como as redes sociais serão reguladas nas próximas décadas, e se o termo “novo tabaco” será apenas retórico ou uma mudança literal de responsabilidade legal e social.



