O Nubank passou os últimos 13 anos provando uma tese no Brasil e na América Latina. Agora decidiu fazer algo mais difícil: provar que essa tese funciona no mundo. Foi assim que David Vélez e Cristina Junqueira batizaram a nova fase da companhia: The Nu Era.
A história ajuda a entender o tamanho do movimento. O Nubank nasceu em 2013, lançou o primeiro cartão em 2014, chegou a 1,2 milhão de clientes em 2016, virou unicórnio em 2018, entrou no México em 2019, na Colômbia em 2020 e alcançou 140 milhões de clientes em 2026. Mas talvez seja um erro enxergar essa trajetória apenas como crescimento.
Existe uma cartilha de expansão escondida aí.
Primeiro, o Nubank resolveu um problema muito específico e fez isso extraordinariamente bem. Depois, ampliou a quantidade de produtos oferecidos ao mesmo cliente. Em seguida, provou que o modelo poderia atravessar fronteiras na América Latina. Só depois de construir escala, marca, tecnologia e uma operação lucrativa decidiu atacar o maior mercado financeiro do mundo.
É uma sequência simples de entender e difícil de executar: Construir. Escalar. Globalizar. A entrada nos Estados Unidos inaugura justamente essa terceira fase. O Nu começou a oferecer por lá uma conta com rendimento de 3,5% ao ano e um cartão sem anuidade com 1,5% de cashback ilimitado.
Mas há algo ainda mais interessante acontecendo. O Nubank não está apenas entrando em novos países. Está tentando fazer com as fronteiras financeiras aquilo que fez originalmente com a burocracia bancária: transformá-las em fricção desnecessária.
O Nu Global permite enviar e receber dinheiro em mais de 35 países, com transferências rápidas e gratuitas, além de uma conta multimoeda pensada justamente para pessoas cuja vida já não cabe dentro das fronteiras de um único país.
Essa talvez seja a mudança mais importante da The Nu Era. Até aqui, o Nubank levava seu modelo para novos mercados. Agora começa a construir um modelo que atravessa mercados. E existe uma última lição nessa história que não aparece em nenhuma planilha.
Eu estava no evento de lançamento, no Nu Stadium, em Miami. O que mais me chamou a atenção não foram os produtos, os números ou a dimensão do mercado americano. Foi o brilho nos olhos. David Vélez e Cristina Junqueira pareciam novamente aqueles empreendedores começando numa pequena casa na Rua Califórnia, em São Paulo.
O Nubank se tornou uma empresa gigante. Mas está tentando preservar algo que normalmente desaparece muito antes do crescimento acabar: a alma do Dia 1. Talvez essa seja a verdadeira cartilha. Crescer sem perder a capacidade de começar de novo.




