Walmart no Clube do Trilhão, Intel Desafia Nvidia, EUA e UE Contra a China e o Esporte da Geração TikTok
Bom dia! Hoje é 4 de fevereiro. Neste mesmo dia, em 2004, Mark Zuckerberg lançava o Facebook de um dormitório em Harvard, iniciando uma revolução que redefiniria conexões humanas, publicidade e poder político.
Vinte e dois anos depois, a lógica que ele ajudou a criar permeia setores que pareciam imunes: do varejo tradicional ao esporte profissional. O que era tecnologia tornou-se a gramática universal dos negócios.
Walmart Entra para o Clube do Trilhão
O Walmart atingiu US$ 1 trilhão em valor de mercado, tornando-se a primeira varejista tradicional a ocupar um território até então reservado a gigantes como Nvidia, Apple e Alphabet. A marca, apesar de simbólica, em suas entrelinhas, nos mostra que o caminho que a levou até ali não é diferente das outras trilionárias: uma transformação digital que converteu a maior rede de lojas físicas do mundo em uma plataforma tecnológica de consumo em escala planetária.
A fórmula usada pela gigante não foi contra a tendencia atual, muito pelo contrário, o Walmart seguiu corretamente a cartilha de usar tecnologia para ampliar vantagens estruturais pré-existentes em seu modelo. Deste modo, ao incorporar inteligência artificial no gerenciamento de estoques, na previsão de demanda para seu e-commerce e na precificação dinâmica de seus produtos, a companhia começou a operar sob um novo sistema de tomada de decisões automatizadas que processam dados em tempo real para orquestrar toda sua operação com máxima eficiência.
A ilustração desta virada de chave tecnológica pode ser vista diante da parceria da empresa de supermercados com a Alphabet para integrar compras de seu website ao Gemini, e seu acordo com a OpenAI para a realização de transações completas dentro do próprio ChatGPT - mostrando que a realidade agora é a de que produtos cada vez mais migram de prateleiras e mecanismos de busca para interfaces conversacionais.
Ou seja, quando um consumidor pede ao ChatGPT uma recomendação e finaliza a compra sem sair da conversa, o Walmart captura uma demanda que jamais passaria por seu aplicativo ou site. Assim, claramente, a inteligência artificial nos mostra que já deixou de ser uma ferramenta apenas operacional, para se tornar um novo canal de aquisição.
O ingresso do Walmart no clube do trilhão reconfigura expectativas para todo o setor, afinal, umas das mais tradicionais varejistas, com 62 anos de trajetória, conseguiu se reinventar como empresa de tecnologia. Isso demonstra apenas que o fato resultante disso tudo é que o varejo inteligente se tornará tão sistêmico quanto a cloud - é só uma questão de tempo.
Intel Desafia a Nvidia
Enquanto o Walmart prova que transformação digital pode vir de onde menos se espera, a Intel demonstra que, às vezes, ela chega tarde demais - ou no momento certo, dependendo da perspectiva geopolítica. O CEO Lip-Bu Tan anunciou que a empresa começará a produzir GPUs, as unidades de processamento gráfico que se tornaram o coração pulsante da revolução em inteligência artificial.
O movimento é simultaneamente ambicioso e revelador: ambicioso porque desafia a Nvidia em seu território mais rentável; revelador porque expõe um projeto maior de soberania tecnológica americana.
O anúncio não é apenas uma decisão corporativa, nas entrelinhas, ele também faz parte de um movimento geopolítico-industrial. GPUs são hoje o coração da economia da IA, e a hegemonia da Nvidia transformou a empresa em um ponto de dependência para os Estados Unidos (muito por sua localidade: Taiwan). Diante disso, sendo este um dos “primeiros atos” patrióticos de Trump, em 2025, o governo americano adquiriu participação na Intel como parte de um esforço deliberado de reindustrialização de seu território, reconhecendo que a dependência de fabricantes taiwaneses representa uma vulnerabilidade inaceitável.
Portanto, produzir GPUs e chips competitivos em solo americano não é apenas questão de market share, mas é uma questão de segurança nacional. Se a Intel conseguir entregar chips de IA fabricados domesticamente, os Estados Unidos ganham uma alternativa concreta à cadeia de suprimentos que hoje passa obrigatoriamente por Taiwan e pela TSMC.
Se bem-sucedida, essa movimentação pode alterar a balança do mercado de semicondutores. Se fracassada, reforçará uma lição dura: não basta capacidade fabril ou capital, ecossistemas tecnológicos são construídos com tempo, talento e adoção massiva. Em qualquer cenário, fica claro que chips deixaram de ser apenas produtos comerciais e se tornaram ativos estratégicos nacionais. E essa mesma lógica de soberania tecnológica está moldando alianças que pareciam improváveis apenas uma década atrás.
EUA e União Europeia Se Unem Contra o Sucesso Avassalador da China
Uma nova proposta de parceria estratégica entre Estados Unidos e União Europeia para minerais críticos está sendo redigida e negociada entre as partes. Na prática, este acordo se tratará sobretudo de um reconhecimento tardio do sucesso da estratégia chinesa - e uma admissão de que décadas de negligência industrial transformaram Ocidente e China em parceiros assimétricos.
O memorando de entendimento prevê um roteiro conjunto para diversificar fontes de terras raras, lítio, cobalto e outros elementos essenciais para semicondutores, baterias e equipamentos de defesa. É uma tentativa de corrigir uma vulnerabilidade que só se tornou evidente quando as tensões geopolíticas a expuseram.
Os números são inequívocos e alarmantes. A China controla aproximadamente 70% da mineração global de terras raras, 90% do refino e mais de 90% da produção de ímãs permanentes (componentes presentes em turbinas eólicas, veículos elétricos, smartphones e sistemas de mísseis guiados).
Esse domínio não é acidental, mas é o resultado de políticas industriais planejadas por décadas de antecedência, de investimentos em pesquisa e subsídios que tornaram a produção chinesa imbatível em custo e escala. O Ocidente, enquanto isso, terceirizou extração e processamento em nome de eficiência e menores preços no curto prazo.
Deste modo, operando sob estes modelos, as tecnologias centrais para o século XXI se tornaram diretamente dependentes de Pequim.
Portanto, este acordo entre Washington e Bruxelas é uma tentativa emergencial de fazer frente ao elefante na sala que se tornou a China. Assim, mesmo sob tensões geopolíticas claras - vistas pelas recentes declarações de Trump sobre a Groenlândia -, este tratado deve ser assinado com urgência para, ao menos, dar um suspiro de esperança ao Ocidente. Caso contrário, a alternativa será manter a dependência de um rival histórico que já demonstrou disposição para usar recursos como instrumento de coerção.
Kings League e o Esporte para a Geração TikTok
Gerard Piqué garantiu mais US$ 63 milhões em investimento para a Kings League, sua liga de futebol projetada especificamente para consumo em dispositivos móveis. Em suma, para vocês que não estão familiarizados, a proposta da liga é bastante simples e clara: a apresentação do entretenimento esportivo sob um modelo de partidas mais curtas, com regras mais flexíveis, com transmissões gratuitas na internet e, por fim, com narrativas construídas ao redor de influenciadores que funcionam simultaneamente como atletas e personagens de entretenimento.
Este modelo desafia a lógica do esporte tradicional. Enquanto ligas convencionais apostam que a competição basta como produto, a Kings League opera sob uma lógica de plataforma digital, onde engajamento contínuo importa mais que o resultado final da partida.
O investimento oriundo da Alignment Growth, reflete uma tese de mercado específica: gerações Z e Alfa (nascidas entre 1997-2012 e após 2013, respectivamente) não têm paciência para partidas de 90 minutos nem lealdade a clubes centenários. O que captura sua atenção é velocidade, personalização e identificação com figuras que habitam o mesmo ecossistema digital que elas.
Deste modo, o “produto” da Kings League não é apenas o jogo em si, mas todo o ecossistema de conteúdo antes, durante e depois da partida. É esporte tratado como plataforma de atenção - algo mais próximo de um videogame social do que de uma liga convencional.
Nesse contexto, o sucesso da Kings League reside em compreender que, na atual economia da atenção, o valor não está no evento isolado, mas na capacidade de manter o público continuamente engajado dentro de um ecossistema próprio. Ao operar o esporte como plataforma - flexível, interativa e orientada por dados - a liga se posiciona não apenas como uma inovação esportiva, mas como um modelo de negócio alinhado ao comportamento das novas gerações, o que explica tanto sua rápida adoção quanto o apetite de investidores por um produto que escala audiência, receita e relevância cultural ao mesmo tempo.









