Bom dia! Hoje é segunda-feira, 12 de outubro. Nesse mesmo dia, em 12 de outubro de 1988, mesmo fora da Apple, Steve Jobs começou a construir a tecnologia que acabaria por salvar a empresa e redefinir o mundo. O lançamento do NeXT Computer introduziu o NeXTSTEP, um sistema operacional pioneiro em computação orientada a objetos que não apenas serviu de berço para Tim Berners-Lee criar a World Wide Web, mas também se provou uma obra-prima de engenharia muito à frente do seu tempo comercial.
Quando a Apple comprou a NeXT em 1996, não comprou apenas o retorno de Jobs, mas o código genético de toda a sua era moderna. O NeXTSTEP foi adaptado para se tornar o OS X e, mais tarde, miniaturizado no coração do iPhone. Até hoje, frameworks essenciais do iOS e do macOS ainda carregam o prefixo “NS” de NeXTSTEP, provando que o exílio de Jobs foi o verdadeiro ponto de partida para a revolução mobile que molda o cotidiano global.
A Embalagem do Cérebro Valorizou 80%.
A corrida da inteligência artificial continua revelando oportunidades em camadas cada vez mais profundas de sua infraestrutura. E algumas delas estão em empresas que quase ninguém conhece.
É o caso da japonesa Sumitomo Bakelite, cujas ações subiram aproximadamente 80% nos últimos seis meses. A empresa acaba de anunciar a expansão de suas fábricas na China e em Singapura, dobrando a capacidade de produção de alguns materiais e triplicando a de outros.
Mas o que ela fabrica? Simplificando bastante, a embalagem dos cérebros eletrônicos. São materiais utilizados no encapsulamento dos semicondutores, fundamentais para proteger os chips, preservar suas conexões microscópicas e garantir seu funcionamento.
Enquanto o mundo presta atenção à Nvidia, à OpenAI e aos grandes data centers, existe uma cadeia gigantesca de fornecedores menos conhecidos que também está sendo transformada pela IA. São empresas de materiais químicos, sistemas de refrigeração, energia, conexões e componentes especializados.
O sinal mais interessante está nas entrelinhas: a Sumitomo está ampliando sua capacidade para atender a uma demanda que espera encontrar até 2030. É uma aposta industrial de longo prazo, muito além das oscilações do mercado financeiro.
A inteligência artificial não está criando oportunidades apenas naquilo que vemos. Está transformando indústrias inteiras nas camadas que sustentam aquilo que vemos. E quanto mais profundamente investigamos a infraestrutura da IA, mais descobrimos que a revolução é muito maior do que as empresas que a protagonizam.
Inimigo dos EUA.
Donald Trump avisou que a Casa Branca passará a considerar um “inimigo” quem continuar chamando a tecnologia de Inteligência Artificial, em vez de Superinteligência. Sim, o presidente americano quer mudar o nome da IA. E já assinou uma ordem para que os órgãos federais adotem a nova expressão.
O argumento é curioso: para Trump, a palavra “artificial” sugere algo falso. E, como a tecnologia é real e poderosa, deveria ser chamada de Superinteligência. O problema é que, tecnicamente, são conceitos diferentes. Superinteligência descreve uma capacidade intelectual superior à humana em praticamente todos os domínios. Não é simplesmente outro nome para a IA que usamos hoje.
Mas existe algo muito interessante nas entrelinhas. Trump não está tentando mudar a tecnologia. Está tentando mudar a percepção sobre ela. Num momento em que crescem as preocupações com empregos, segurança e os impactos da IA, o governo americano está trabalhando para substituir uma palavra que sugere artificialidade por outra que transmite superioridade.
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E isso diz muito sobre o poder das narrativas. A tecnologia pode continuar exatamente a mesma, mas a maneira como as pessoas a percebem influencia sua aceitação, sua adoção e até as decisões políticas que definem seu futuro.
O iPhone 18 Encalhou?
A Apple teria reduzido entre 15% e 20% os pedidos de componentes para o iPhone 18 Pro e Pro Max, segundo informações do Nikkei Asia. O motivo seria uma demanda abaixo das expectativas. É cedo para dizer que encalhou. Mas, quando a Apple começa a diminuir encomendas tão pouco tempo depois de um lançamento, alguma coisa merece atenção.
E olha que interessante: enquanto a inteligência artificial está criando uma demanda gigantesca por chips, memórias e infraestrutura, ela também está ajudando a encarecer os smartphones. Os novos iPhones Pro chegaram custando US$ 100 a mais. Mas talvez o problema seja ainda mais profundo.
O iPhone está ficando melhor a cada geração. Mas será que está ficando suficientemente melhor para justificar a troca? Durante anos, a Apple conseguiu transformar pequenas evoluções tecnológicas em grandes acontecimentos comerciais. Só que existe uma diferença entre lançar um produto melhor e convencer milhões de pessoas de que precisam dele.
O sinal está nas entrelinhas: talvez a Apple não esteja enfrentando apenas uma demanda mais fraca. Talvez esteja encontrando os limites de um modelo baseado em atualizações incrementais, preços crescentes e ciclos anuais de lançamento. O iPhone 18 pode não ter encalhado nas lojas. Mas talvez esteja encalhando na percepção de valor do consumidor.
Educação Disfarçada de CAC?
A Anthropic anunciou um investimento de US$ 100 milhões para capacitar 10 mil engenheiros até 2027, por meio da Claude Frontier Academy. Entre as empresas participantes estão Accenture, Bain, Deloitte, McKinsey e Morgan Stanley.
Mas existe algo muito interessante nas entrelinhas dessa iniciativa. A Anthropic não está apenas ensinando engenheiros a usar inteligência artificial. Está formando profissionais que poderão influenciar as decisões tecnológicas de milhares de empresas.
Pense comigo: um engenheiro aprende a desenvolver soluções com Claude. Depois, implementa essa tecnologia nos processos da empresa. Com o tempo, outras aplicações passam a depender dela. E substituí-la por um concorrente fica cada vez mais trabalhoso.
Agora imagine um consultor da McKinsey ou da Accenture, levando esse conhecimento para dezenas de clientes. O efeito multiplicador é enorme. É uma estratégia que pode transformar educação em CAC (Custo de Aquisição de Clientes) e, ao mesmo tempo, aumentar o LTV (valor do cliente ao longo do tempo).
A Anthropic investe hoje na formação de profissionais que poderão gerar receita recorrente durante anos. Não apenas pela escolha inicial do Claude, mas pela dependência operacional que se constrói ao redor dele.
E aqui está o sinal mais importante: na corrida da inteligência artificial, talvez não vença apenas quem tiver o melhor algoritmo, mas quem formar mais pessoas capazes de construir negócios em torno dele.
No fundo, a Anthropic pode estar comprando algo muito mais valioso do que clientes: os próximos anos de preferência tecnológica das empresas. Educação, distribuição e retenção. Tudo na mesma conta.






