Salada na Churrascaria, Empregos no Japão, Nike Derrapa e GAC Acelera
Bom dia! Hoje é 6 de abril. Nesse mesmo dia, em 1992, a Microsoft lançava uma das versões mais icônicas de seu sistema operacional. O Windows 3.1 permitiu a popularização dos computadores pessoais, fazendo com que usuários “não técnicos” pudessem operar um PC.
Salada na Churrascaria
O número parece pequeno, mas não é. Quase 10% dos clientes do Fogo de Chão já vão até uma churrascaria pela salada. E, segundo o CEO, esse número vai crescer. Isso não é sobre qualidade da comida, ou algo assim. É sobre comportamento.
O consumidor não está mais comprando “carne”. Ele está comprando contexto, opção de escolha e controle alimentar. A mesma mesa agora precisa atender quem quer indulgência e quem quer leveza. E as empresas que não entenderem isso vão continuar empurrando o seu produto, enquanto o cliente está comprando outra coisa.
O mais interessante é o que isso revela nas entrelinhas. Até um dos templos da proteína está sendo reconfigurado pela lógica da saúde, do bem-estar e da personalização. O que antes era algo complementar agora pode virar vantagem competitiva vi. O “acompanhamento” está virando protagonista.
No fim, isso é um sinal claro: categorias estão perdendo rigidez. Não existe mais restaurante “de carne”, banco “digital” ou varejo “físico”. Existe entrega de valor. Quem continuar preso à definição antiga do próprio negócio corre o risco de ser substituído por alguém que entendeu melhor o que o cliente realmente quer.
O emprego que ninguém quer
Os robôs não estão vindo para substituir o trabalho. Estão vindo para substituir o trabalho que ninguém quer fazer. No Japão, isso já virou urgência nacional. A população está encolhendo, a força de trabalho está desaparecendo e setores inteiros simplesmente não conseguem operar por falta de gente. Robôs estão sendo colocados em fábricas, estoques, infraestrutura e serviços básicos para manter o país funcionando.
E onde eles entram primeiro? Nos trabalhos invisíveis. Logística pesada, picking em armazém, limpeza industrial, manutenção repetitiva, cuidado de idosos, tarefas físicas desgastantes. Aquilo que sempre teve alta rotatividade, baixo interesse e escassez crônica de mão de obra já está sendo ocupado por máquinas.
A entrelinha aqui é simples: não é que a IA está tirando empregos. É que esses empregos já estavam “vagos” há anos. A diferença é que agora existe alguém disposto a fazer… sem reclamar, sem faltar e sem parar.
E isso abre um novo jogo. Porque quando o trabalho indesejado é automatizado, o valor humano sobe de lugar. O problema é que muita gente ainda está competindo exatamente nesses espaços. E quando você disputa com uma máquina em tarefas repetitivas, previsíveis e físicas… a conta não fecha.
Nike corre menos
A Nike está vendendo menos tênis. Mas esse nem é o maior problema. O desafio está mesmo é na perda de relevância. E isso é muito mais grave. Os números vieram piores do que o mercado esperava. A empresa projeta queda de até 4% nas vendas no curto prazo, com fraqueza forte na China. Mesmo com receita estável, o crescimento travou. E quando uma marca desse tamanho para de crescer, o problema nunca é só operacional.
O ponto não é o produto. É o desejo. Durante anos, a Nike foi símbolo cultural. Mas, aos poucos, perdeu espaço para marcas mais novas, mais nichadas, mais conectadas com comunidades específicas. Enquanto isso, entrou em ciclos de promoção, excesso de estoque e dependência de canais próprios. Sinais clássicos de quem está tentando empurrar produto.
E aqui está a ponto principal: o boom dos tênis não acabou. Aliás, as corridas de rua nunca tiveram tantos apreciadores. O que acabou foi a lógica de marca dominante. Hoje, o consumidor não quer “o melhor tênis”. Quer o tênis que representa algo. Quem não consegue ocupar esse espaço vira commodity… mesmo sendo a Nike.
No fim, isso é um alerta para qualquer empresa grande: quando uma escala enorme perde a conexão com o consumidor, todo esse “colosso” vira peso. Porque no novo jogo da corrida, não ganha quem distribui mais tênis. Ganha quem significa algo.
GAC cresce no mundo
A BYD abriu a porta. Mas quem está entrando agora é um exército. A chinesa GAC, com sua linha Aion, já é hoje uma das maiores fabricantes de elétricos do mundo e avança rapidamente fora da China, com presença na Ásia, Europa e América Latina. E não está sozinha. Marcas como Nio, Xpeng, Zeekr, Chery e Leapmotor estão seguindo o mesmo caminho, com uma estratégia clara: ganhar escala global enquanto o Ocidente ainda discute transição elétrica.
O movimento é agressivo: essas empresas não competem só por preço. Competem por tecnologia, velocidade e modelo de negócio. Carros com IA embarcada, atualizações remotas, baterias mais eficientes, design global e ciclos de inovação muito mais rápidos. Em muitos casos, já estão entregando mais tecnologia por menos dinheiro do que as montadoras tradicionais.
E aqui está um ponto que pouca gente está enxergando: a BYD deixou de ser exceção. Ela agora está sendo pressionada por outras chinesas que aprenderam rápido demais. A GAC, por exemplo, já entra em mercados como o Brasil mirando diretamente os modelos mais vendidos da BYD, com novos lançamentos e planos industriais locais .
No fim, não é sobre uma única empresa. É sobre um país exportando um novo padrão de indústria automotiva. Enquanto o Ocidente ainda tenta proteger o passado, a China está construindo o futuro. E distribuindo ele para o mundo inteiro.






