Renda Alta Universal, Robô Maratonista, Ganhos com Big Techs e Anthropic no B2B
Bom dia. Hoje é 20 de abril. Nesse mesmo dia, em 1902, Marie Curie conseguiu isolar com sucesso o cloreto de rádio. Esta descoberta foi fundamental para o avanço da física nuclear e da medicina.
Se correr, o robô pega
O corpo humano sempre foi o limite, a referência. O parâmetro máximo de desempenho em provas de resistência. Pelo menos foi assim até agora.
Um robô humanoide chamado Lightning completou a meia maratona de Pequim em 50 minutos e 26 segundos. Para efeito de comparação, o recorde mundial humano, de Jacob Kiplimo, é de 57 minutos e 20 segundos. Mais de 6 minutos de diferença. Em uma prova onde cada segundo importa.
Isso não é sobre corrida. É sobre o fim de uma fronteira que parecia intocável: a biológica. Máquinas não sentem dor, não acumulam fadiga, não oscilam. Quando o hardware encontra a inteligência certa, o limite deixa de ser físico e passa a ser técnico. E essa técnica está só no começo.
A pergunta não é mais “se” as máquinas vão superar os humanos. Isso já aconteceu. A pergunta agora é: em quantas outras áreas estamos prestes a descobrir que o nosso melhor… já não é suficiente?
A visão dos analistas
Analistas de mercado projetam retornos relevantes para o próximo ano, no que diz respeito às empresas de tecnologia. Como ações caíram, eles acham que os ganhos podem ser grandes com a recuperação dos papéis.
Na visão deles, há um destaque para Oracle, que pode subir +67% em 12 meses. A Microsoft deve disparar +58% e a Nvidia +52%. O setor de tecnologia é o que pode, eventualmente, trazer mais retornos. Várias empresas têm potencial acima de +30% nos próximos 12 meses, como Broadcom, Meta, Micron e Amazon.
Já nomes mais maduros do mercado, em outros segmentos, aparecem com retornos menores no mesmo período, como Walmart (+10%), Costco (+7%) e J&J (+3%). No extremo oposto, a Exxon Mobil (-3% em 12 meses) é a única com expectativa negativa, um reflexo de um setor de energia mais pressionado.
Essa visão é baseada no consenso dos analistas de mercado, com base nos preços-alvo projetados para os próximos 12 meses. A lógica é: essas empresas de tecnologia já estiveram lá em cima e agora estão “baratas”. Mas com a potência da IA em diversas frentes, acredita-se que eles voltem ao topo. Esta análise foi feita pela Bloomberg.
Um foguete chamado Anthropic
A disputa pela infraestrutura da inteligência artificial está ficando mais clara. E mais apertada. Os dados mostram que empresas nos EUA estão acelerando a adoção de IA paga, com “Any AI” já passando de 50% de penetração. Dentro disso, a OpenAI aparece na casa dos 35%, mas o movimento que chama atenção é outro: a Anthropic saiu praticamente do zero em 2023 para algo próximo de 30% em 2026.
Isso não é crescimento normal. É curva de adoção típica de infraestrutura crítica sendo plugada dentro das empresas. Não estamos mais falando de teste, experimento ou curiosidade. Estamos falando de dependência operacional.
Enquanto isso, nomes como Google, xAI e DeepSeek ainda aparecem com participação muito menor nesse recorte. O que sugere que essa primeira camada de distribuição está sendo capturada por quem conseguiu entrar antes… e integrar melhor.
No fim, essa corrida não é sobre quem tem o melhor modelo. É sobre quem vira padrão dentro das empresas. É no B2B que está o “dinheiro grande”. E quando isso acontece, trocar deixa de ser decisão técnica e vira quase impossível.
Renda Alta Universal?
Elon Musk fala abertamente sobre uma “renda universal elevada”, com pagamentos diretos do governo para compensar o impacto da IA e da robótica no emprego. Na visão dele, em 10 ou 20 anos, o trabalho pode se tornar opcional, com até 80% de chance de vivermos em um cenário onde humanos simplesmente não precisem mais trabalhar para sobreviver.
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O ponto central não é social, é econômico. Se a inteligência artificial realmente entregar abundância em escala, o jogo muda completamente. Produção deixa de ser limitada, custo marginal tende a zero em vários setores e a lógica de escassez, que sustenta o sistema atual, começa a perder força. Não é só sobre renda, é sobre redefinir o que dá valor ao dinheiro.
E é aqui que a provocação fica mais desconfortável. Musk sugere que poupar pode deixar de fazer sentido. Isso bate de frente com tudo que aprendemos sobre construir patrimônio, investir e proteger o futuro. Se o futuro for de abundância, guardar dinheiro pode ser tão irrelevante quanto estocar água no meio do oceano.
A questão não é se ele está certo. A questão é: e se estiver? Porque se esse cenário acontecer, não estamos falando de uma mudança incremental. Estamos falando da maior ruptura econômica da história, onde trabalho, renda e valor deixam de ter o mesmo significado que tiveram até aqui.






