Ozempic Genérico Estréia, Manus Separa da Meta, Dois WhatsApp num só e IA Como Guru de Saúde
Bom dia. Hoje é 15 de junho. Nesse mesmo dia, em 1924, a Ford atingiu a histórica marca de 10 milhões de automóveis Model T produzidos. Esse volume absurdo para a época só foi possível graças à esteira de produção móvel introduzida por Henry Ford, uma inovação de processo que definiu o capitalismo industrial e o consumo de massa no século XX.
O Governo Mandou Desfazer
A Meta começou a desmontar a aquisição de US$ 2 bilhões da Manus, startup de IA que vinha ganhando destaque global. O motivo não foi financeiro, estratégico ou concorrencial. Segundo relatos, a decisão veio após pressão do governo chinês para que a operação fosse revertida.
O episódio revela uma mudança importante. Durante décadas, governos regulavam mercados. Agora, começam a influenciar diretamente quem pode comprar empresas, contratar talentos e acessar determinadas tecnologias. A inteligência artificial deixou de ser apenas um setor econômico. Tornou-se um ativo estratégico nacional.
O mais interessante é que a Manus havia transferido sua sede para Singapura, numa tentativa de operar com mais independência. Ainda assim, Pequim entendeu que a tecnologia e o conhecimento desenvolvidos pela empresa continuavam sendo relevantes demais para serem transferidos.
Muitos acreditam que a corrida da IA será definida por chips, modelos e data centers. Talvez. Mas casos como este mostram que governos estão entrando no jogo como participantes ativos. A questão já não é apenas quem consegue criar a melhor IA. É quem terá permissão para controlá-la.
Dois WhatsApps em um aparelho só
Durante anos, quem queria separar a vida pessoal da profissional no iPhone precisava recorrer a soluções improvisadas: usar o WhatsApp Business, carregar dois celulares ou ficar alternando contas. Agora isso finalmente está mudando.
O WhatsApp começou a liberar suporte nativo para múltiplas contas no iPhone, permitindo que dois números diferentes funcionem no mesmo aplicativo, com conversas, notificações e configurações independentes. É uma função simples, mas que resolve uma das maiores dores de milhões de profissionais.
O mais interessante não é a funcionalidade em si. É o que ela revela. O WhatsApp deixou de ser apenas um aplicativo de mensagens. Para muita gente, ele virou o principal sistema operacional dos negócios. Vendas, atendimento, suporte, cobrança, relacionamento e networking acontecem dentro dele.
Entre no canal Entrelinhas no WhatsApp e siga nosso Instagram: informação rápida, em tempo real, que tangibilizam as transformações.
Quando uma empresa decide criar uma função para separar vida pessoal e profissional dentro do mesmo app, ela está reconhecendo algo importante: o trabalho já não acontece em um lugar diferente. Ele acontece na mesma tela onde recebemos mensagens da família, dos amigos e da escola dos filhos.
Mais um sinal de que o WhatsApp está se consolidando não apenas como um aplicativo, mas como a infraestrutura digital do trabalho na América Latina.
IA como Guru
Uma pesquisa revelou que 57% dos jovens entre 9 e 17 anos já usaram ferramentas de inteligência artificial para buscar orientações sobre saúde, corpo ou questões pessoais. Mais do que isso: 81% das crianças de 9 a 12 anos e mais de 89% dos adolescentes afirmam utilizar IA de alguma forma no dia a dia.
O dado mais interessante não está na tecnologia. Está na mudança de comportamento. Durante décadas, dúvidas sobre aparência, saúde, relacionamentos ou futuro eram levadas aos pais, professores, médicos ou amigos. Agora, uma parcela crescente dessa primeira conversa acontece com um algoritmo. A IA está se tornando uma nova camada de orientação para uma geração que cresceu conectada.
Existe uma razão simples para isso. A IA está disponível 24 horas por dia, responde instantaneamente e, principalmente, não julga. Para muitos jovens, fazer uma pergunta embaraçosa para um chatbot é mais confortável do que expor uma insegurança para outra pessoa.
O sinal é maior do que parece. A geração que cresceu perguntando ao Google está sendo substituída por uma geração que conversa com a tecnologia. E quem responde às perguntas de alguém durante sua formação não influencia apenas suas decisões. Influencia também sua visão de mundo.
O início da era do Ozempic brasileiro
A partir de hoje, 15 de junho, a EMS começa a vender o Ozivy, a primeira versão nacional de semaglutida produzida no Brasil. O lançamento marca o início de uma nova fase para um mercado que, até agora, era dominado por poucos fabricantes e preços elevados.
O dado mais importante talvez não seja o medicamento em si, mas o preço. A EMS anunciou que a caneta chegará às farmácias a partir de R$ 452. Para quem aderir ao programa Vida + Leve, o custo médio ficará em torno de R$ 287 por mês durante os três primeiros meses de tratamento.
O que estamos vendo é o mesmo fenômeno que aconteceu em diversos setores da economia: uma tecnologia deixa de ser exclusiva e começa sua jornada rumo ao mercado de massa. A quebra da patente abriu espaço para concorrência, e a concorrência tende a ampliar o acesso. O resultado é que milhões de brasileiros que observavam esse mercado à distância podem finalmente entrar nele.
Mas o verdadeiro impacto não estará na indústria farmacêutica. Estará nos mercados ao redor dela. Alimentação, bebidas, varejo, moda, academias, planos de saúde e seguros podem ser afetados por uma tecnologia que ajuda pessoas a mudarem hábitos em escala. O dia 15 de junho pode acabar sendo lembrado não apenas como o lançamento de um medicamento, mas como o início da popularização daquilo que chamo de Economia da Saciedade.






