Novos Trilhões, Estatização da IA, Sensores Humanos, China Protege Empregos e Remédio do TikTok
Bom dia! Hoje é 4 de maio. Nesse mesmo dia, em 1904, Charles Rolls e Henry Royce se reuniram no Midland Hotel, em Manchester. O acordo resultou na criação da Rolls-Royce, estabelecendo o padrão ouro para a engenharia automotiva e, posteriormente, para motores de aviação.
Trilhões Desconhecidos
Todo mundo olha para Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon e Meta. São elas que aparecem, que estampam manchetes, que dominam o mercado de inteligência artificial. Mas enquanto o mundo olha para o front, existe um outro jogo pesado acontecendo no back.
TSMC e Broadcom já orbitam a casa dos US$ 2 trilhões de valuation. Elas não aparecem para o consumidor B2C, mas garantem a infraestrutura de tudo. São elas que tornam possível tudo aquilo que depois vira o produto final de IA. Em silêncio, cresceram mais de 100% e 70% em um ano.
E não para por aí. ASML e Micron Technology avançam como próximas candidatas ao “Clube do Trilhão”. Uma domina as máquinas que fabricam chips. A outra, a memória que sustenta os algoritmos. Sem elas, não existe inteligência artificial.
As big techs aparecem. Mas quem sustenta o jogo está nos bastidores. E, quase sempre, é ali que nascem as maiores oportunidades. É importante olhar para quem faz a infraestrutura. O glamour está nos produtos que todo mundo usa, mas as maiores chances de ganho podem estar por trás das cortinas.
Estatização da IA?
Não é estatização. Mas é um movimento perigosamente próximo de algo maior. O que está acontecendo agora é uma convergência entre Big Tech e Estado Americano que muda completamente o jogo. Empresas como Google, OpenAI, Microsoft e Amazon estão permitindo que seus modelos sejam usados pelo Pentagon para “qualquer uso governamental legal”, incluindo planejamento militar e operações sensíveis.
Isso não significa que o governo passou a controlar essas empresas. Mas significa que o governo passou a ter acesso direto à infraestrutura mais poderosa já criada. E mais importante: com poder de ajustar limites, regras e aplicações desses sistemas.
O ponto central não é propriedade. É dependência mútua. As empresas precisam do Estado (contratos bilionários, escala, dados). O Estado precisa dessas empresas (tecnologia, velocidade, vantagem geopolítica).
E aqui entra a provocação: Não estamos vendo a estatização da IA. Estamos vendo o nascimento de algo mais complexo: uma simbiose entre poder tecnológico e poder estatal. Historicamente, isso sempre acontece nas tecnologias mais críticas. Foi assim com energia, telecom, internet… agora é com IA.
Motoristas ou Sensor Humano?
A Uber quer transformar milhões de motoristas em uma espécie de “infraestrutura invisível”. Uma rede global de sensores, instalada nos carros que rodam na plataforma, captando dados do mundo real o tempo todo. Cada carro vira um coletor de informação para treinar carros autônomos e modelos de IA.
Só que o insight não está no carro. Está no modelo de negócio. A Uber entendeu que não precisa vencer a corrida dos carros autônomos. Ela pode ser o sistema operacional que alimenta todos eles. Em vez de competir com quem constrói o carro, ela fornece o que vale mais: dados em escala absurda, contínuos, caóticos, reais.
Isso muda completamente a lógica. Motoristas deixam de ser apenas mão de obra e passam a ser “sensores humanos”. O app deixa de ser um “marketplace” e vira uma camada de infraestrutura. E, no limite, a Uber deixa de ser transporte para se tornar uma empresa de dados do mundo físico.
China protege Humanos
Uma decisão recente de tribunais na China colocou um limite claro em algo que parecia inevitável: empresas não podem demitir funcionários apenas porque a IA passou a fazer o trabalho deles. Em casos julgados em cidades como Hangzhou e Pequim, trabalhadores dispensados após automação recorreram à Justiça e venceram. O entendimento foi direto: adoção de IA não é uma “mudança imprevisível” nas condições do negócio. É uma escolha estratégica da empresa. E, sendo escolha, o risco não pode ser simplesmente transferido para o empregado.
Na prática, isso muda a lógica da automação. Antes de demitir, empresas passam a ter a obrigação de tentar realocar o profissional, oferecer requalificação ou buscar alternativas internas. Demitir apenas para reduzir custos com IA pode ser considerado ilegal, com direito à reintegração ou indenização maior.
A entrelinha aqui é mais profunda do que parece. Enquanto boa parte do mundo encara a IA como uma corrida por eficiência, a China está tratando o tema como estabilidade sistêmica. Porque uma adoção descontrolada pode gerar desemprego em massa, queda de consumo e, no limite, instabilidade social. E nenhum país sustenta crescimento com a própria base fragilizada.
A China não está desacelerando a IA. Está tentando controlar a velocidade da transição. Porque, no fim, a vantagem competitiva não será apenas de quem tem a melhor inteligência artificial, mas de quem consegue atravessar essa mudança sem romper o próprio tecido econômico e social.
Remédio da dona do TikTok
Dona do TikTok, a ByteDance agora está apresentando terapias desenvolvidas por IA em conferências científicas globais. São medicamentos candidatos reais a tratamento, inclusive para doenças autoimunes, sendo levados a eventos em centros como Boston e Barcelona.
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O fato é esse: uma empresa nascida no entretenimento está operando em biotecnologia avançada, com cientistas vindos de gigantes farmacêuticas e uma estrutura global dedicada à descoberta de medicamentos.
A ByteDance não está mudando de setor. Está aplicando seu ativo central em outro campo: dados, modelos e capacidade de aprendizado em escala. Antes, isso servia para entender comportamento e capturar atenção. Agora, serve para entender moléculas e acelerar a criação de drogas.
E isso muda tudo. Porque quando IA reduz drasticamente o tempo e o custo de desenvolver medicamentos, quem domina IA passa a competir com a indústria farmacêutica. No limite, quando uma empresa de conteúdo começa a criar remédio, fica claro que as fronteiras entre indústrias deixaram de existir.







