Motorola Desafia Apple e Samsung, Razer Constrói o Futuro Gamer com IA, Defesa Dispara com Tensões Globais e a Cruzada pela Manus
Bom dia! Hoje é 8 de janeiro. Neste mesmo dia, em 1935, nascia em Tupelo, no Mississippi, Elvis Presley. O homem que se tornaria o “Rei do Rock” não apenas transformou a música popular, mas fundiu gêneros e quebrou barreiras culturais, definindo o que significava ser um ícone global no século XX.
Nove décadas depois, sua influência ainda reverbera em cada acorde da cultura pop e na forma como consumimos entretenimento. E, seguindo essa trilha de reinvenção e impacto, hoje uma veterana do setor anuncia sua volta ao ringue.
Motorola mira sua volta ao topo do mercado de smartphones
A Motorola apresentou na CES 2026 sua aposta mais ousada dos últimos anos: sua nova linha Signature, sendo a primeira incursão da marca no segmento ultrapremium de smartphones. O movimento representa um ponto de inflexão para a empresa, que passou a última década reconstruindo sua presença no mercado após anos de declínio.
Segundo Sergio Buniac, CEO global da Motorola Mobility, o portfólio premium - que há quatro anos representava apenas 2% a 3% das vendas - hoje responde por cerca de 35% do faturamento. “Nós sentimos falta de uma franquia ultrapremium”, afirmou o executivo brasileiro. O primeiro modelo chega ao Brasil nos próximos meses por menos de R$ 10.000.
O destaque técnico frente aos concorrentes é o sistema de câmeras: quatro sensores de 50 megapixels, captura em 8K e certificação Gold Label da DXOMark com 164 pontos - posicionando o dispositivo entre os melhores do mundo em qualidade de imagem. Mas a estratégia vai além do hardware. A Motorola aposta em um modelo de serviços integrados, com política de até sete atualizações de software, concierge de suporte e integração futura com a Qira AI, plataforma de inteligência artificial da Lenovo. A visão é clara e mais atual que nunca: transformar o smartphone em uma plataforma de receita recorrente, não apenas em venda única de dispositivo.
A marca enfrenta, porém, um desafio estrutural. Apple e Samsung não dominam o segmento premium apenas por especificações técnicas, mas por ecossistemas consolidados - com relógios, fones, tablets, serviços de nuvem - que criam dependência e fidelização. Há ainda uma dimensão intangível: o status. Marcas premium vendem pertencimento, identidade, distinção social. A Apple construiu isso ao longo de décadas e a Samsung vem tentando fazer o mesmo, com um investimento massivo em marketing e design. A Motorola, associada no imaginário coletivo ao segmento intermediário, terá que reconquistar não apenas especificações, mas percepção de valor.
A empresa até responde com a linha “Moto Things” (tags, caixas de som, relógios com a Polar), mas ainda está longe da integração profunda das rivais. O lançamento do Signature é uma declaração de intenções: a Motorola quer ser levada a sério novamente no topo da pirâmide. Se conseguirá converter essa ambição em participação de mercado sustentável, só o tempo, e a execução, dirão.
Razer apresenta ecossistema completo de IA
A Razer - a marca líder mundial em estilo de vida para gamers - transformou sua apresentação na CES 2026 em uma demonstração de força sobre o futuro da inteligência artificial aplicada aos jogos eletrônicos. O primeiro destaque é o Project AVA, que evoluiu de um coach de eSports para um companheiro de mesa com avatar animado, personalidade adaptativa e integração com PC - um “J.A.R.V.I.S.” do mundo real. Mais do que um simples assistente de IA, o AVA se posiciona como parceiro digital, tanto para o trabalho, lazer e rotina (já disponível para reserva nos EUA).
Em paralelo, o Project Motoko apresenta um conceito de headset vestível nativo de IA, equipado com câmeras em perspectiva de primeira pessoa e microfones para percepção sonora avançada, capaz de fornecer dados visuais para treinamento de robôs e modelos de IA.
Mas o movimento mais significativo talvez seja sua nova infraestrutura feita para desenvolvedores. A Razer lançou a Forge AI Dev Workstation - uma estação de trabalho com suporte a até quatro GPUs profissionais para treinamento de modelos de IA em larga escala - e o AIKit, uma plataforma open-source para execução local de LLMs com desempenho comparável aos da nuvem.
A parceria com a Tenstorrent adiciona um acelerador compacto de IA baseado em Thunderbolt 5, permitindo capacidade de IA generativa portátil e modular. A mensagem é inequívoca: a Razer não quer mais ser a empresa que apenas vende periféricos para gamers, mas ela quer ser a plataforma onde a próxima geração de experiências interativas será construída.
O que a Razer propõe, em última análise, é uma convergência entre entretenimento, produtividade e desenvolvimento de IA em um único ecossistema. Com suas cadeiras imersivas, fones de áudio espacial, controles wireless de latência ultrabaixa, ferramentas open-source para a comunidade… cada peça se encaixa em uma visão de longo prazo onde o gamer não é apenas o consumidor, mas um potencial criador. Se a aposta der certo, a Razer pode se tornar para a IA em games o que a Nvidia se tornou para datacenters: infraestrutura indispensável.
Tensões geopolíticas impulsionam ações de defesa
A intervenção dos EUA na Venezuela, as declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia e a aparente interminável guerra na Ucrânia reacenderam o debate sobre gastos militares globais - e os mercados já reagiram com velocidade. O índice Bloomberg de empresas europeias de defesa subiu 10% desde o início do ano, acumulando uma alta de 73% em 2025. O setor, que gerou cerca de 12% dos retornos do Stoxx Europe 600 (índice amplo do mercado de ações europeu) no ano passado, deixou de ser uma aposta cíclica para se tornar um tema central.
“A Europa entendeu que precisa ser capaz de agir com ou sem o apoio dos EUA”. disse Saima Hussain, analista da Alphavalue
O episódio venezuelano funciona apenas como catalisador de uma tendência já estava em curso. A Alemanha anunciou investimentos de 50 bilhões de euros em veículos blindados, mísseis e satélites, antecipando para 2029 sua meta de gastos com a OTAN. A maioria dos países da aliança se comprometeu com uma nova meta de 3,5% do PIB em defesa básica, pressionada pela relutância americana em continuar financiando a segurança europeia.
Neste cenário, as empresas como Rheinmetall, Thales e Leonardo (grandes empresas europeias do setor de defesa e aeroespacial), já se beneficiaram com um crescimento acelerado, com analistas projetando receitas maiores para 2026.
A dimensão tecnológica dessa corrida armamentista é frequentemente subestimada. Capacidades cibernéticas, vigilância por satélite, drones autônomos e sistemas de defesa aérea dependem cada vez mais de software, semicondutores e inteligência artificial.
A Europa, historicamente dependente de tecnologia americana, agora busca autonomia estratégica - e isso significa investir não apenas em tanques, mas em chips, algoritmos e infraestrutura digital. A defesa do século XXI é, antes de tudo, uma guerra de bytes - afinal, desde a segunda guerra mundial, a criptografia, por exemplo, sempre foi chave para a soberania de uma força armada sobre outra.
Quem controla a cadeia tecnológica, controla o campo de batalha.
Aquisição da Manus pela Meta enfrenta escrutínio cruzado de Washington e Pequim
A compra da Manus pela Meta, avaliada em US$ 2 bilhões, entrou em uma zona de turbulência regulatória, mas não pelo lado esperado. Enquanto autoridades americanas demonstram confiança na legitimidade do negócio, reguladores chineses analisam se a transferência da equipe principal da startup de Pequim para Singapura violou controles de exportação de tecnologia. A prática, apelidada de “lavagem de Singapura”, tornou-se rota comum para empresas chinesas de IA que buscam escapar da fiscalização interna e acessar capital ocidental.
A preocupação de Pequim é estratégica: se o acordo for concluído sem obstáculos, ele cria um precedente para que outras startups chinesas repliquem o movimento, drenando talento e propriedade intelectual para ecossistemas estrangeiros. Winston Ma, professor da Faculdade de Direito da NYU, alertou que a transação pode abrir “um novo caminho para jovens startups de IA na China” - exatamente o que o governo chinês quer evitar.
A China já utilizou mecanismos semelhantes de controle de exportação para intervir na tentativa de Trump de banir o TikTok durante seu primeiro mandato; não seria surpreendente vê-la agir novamente.
Do lado americano, a narrativa é de vitória. Analistas argumentam que a aquisição demonstra a atratividade do ecossistema de IA dos EUA, capaz de absorver talentos chineses e convertê-los em valor doméstico. Mas a realidade é mais complexa. Se a China decidir endurecer sua posição, a Meta pode enfrentar atrasos na integração da tecnologia da Manus, ou, no limite, ver fundadores e engenheiros impedidos de colaborar. O negócio de US$ 2 bilhões, celebrado como golpe estratégico na era dos agentes de IA, pode se revelar um campo minado geopolítico onde nenhuma das partes controla todas as variáveis.











