Google + SpaceX, Big Dinheiro na IA, ChatGPT no CarPlay, IAs no Super Bowl e Maçanetas na Mira
Bom dia. Hoje é 9 de fevereiro. Nesse mesmo dia, em 2007, a Apple entrou oficialmente no mercado de TV digital ao anunciar o Apple TV, sinalizando a estratégia de levar software, conteúdo e hardware para a sala de estar.
Retorno de 100x
Em 2015, o Google investiu cerca de US$ 900 milhões na SpaceX, quando a empresa de Elon Musk ainda era avaliada em aproximadamente US$ 12 bilhões. Na época, falar em indústria espacial privada em larga escala soava mais como ambição do que como modelo de negócio comprovado. Foguetes ainda explodiam, contratos eram incertos e o “novo espaço” estava longe de ser consenso.
Passados pouco mais de dez anos, o cenário mudou de patamar. Com Musk sinalizando um possível IPO em 2026, após uma fusão da SpaceX com a xAI, e um valuation que pode chegar à casa de US$ 1,5 trilhão, aquela aposta ganha contornos históricos. Mantida uma participação próxima da original, a fatia do Google poderia hoje valer algo entre US$ 105 bilhões e US$ 112 bilhões, mesmo considerando diluições ao longo do caminho.
Esse tipo de retorno não é apenas sorte. É visão de futuro. Não é sobre acertar timing de mercado, mas sobre enxergar, cedo, a formação de uma nova infraestrutura global, capaz de redefinir setores inteiros como telecom, defesa, logística, dados e conectividade planetária.
No fim, o caso SpaceX mostra como as maiores assimetrias de valor não surgem em mercados maduros, mas na criação de mercados novos. E quando alguém acerta o timing disso, toma risco e aposta alto, o retorno pode ser esse: 100 vezes.
Mais “big dinheiro” para a IA
As maiores gigantes de tecnologia do mundo - Google, Amazon, Meta e Microsoft - planejam algo sem precedentes: um volume combinado de US$ 650 bilhões em investimentos em 2026 voltados à inteligência artificial e à infraestrutura que a sustenta. Isso inclui construção de data centers, compra de chips, servidores e tudo que é necessário para operar IA em escala global.
Esse número não é só grande. É histórico: supera o capex anual de praticamente qualquer corporação nos últimos anos e sinaliza que essas plataformas estão apostando tudo para dominar o futuro da tecnologia.
O curioso é que, no curto prazo, essa corrida tem assustado os mercados. As ações têm sentido a pressão justamente porque o retorno desses investimentos ainda é incerto e está muito no “futuro” dos modelos de receita.
O que será que isso diz sobre a economia digital que estamos construindo? Que a infraestrutura da IA está deixando de ser um projeto experimental e se tornando o novo motor da competição global entre plataformas, mesmo que isso gere mais dúvidas do que certezas no curto prazo.
IA da Apple nos carros?
A Apple está prestes a fazer uma mudança significativa no CarPlay: em vez de ficar restrito a Siri, o sistema vai permitir, pela primeira vez, que assistentes de IA de terceiros como ChatGPT, Gemini e Claude sejam acessados diretamente pela interface do carro com comando de voz. Isso abre a porta para conversas naturais com IA enquanto você dirige, sem precisar recorrer ao iPhone.
A novidade, prevista para chegar nos próximos meses, não vai substituir a Siri nem alterar seu botão de ativação, mas vai permitir que apps de IA sejam abertos e usados rapidamente no painel do veículo, com foco em segurança e praticidade.
Essa mudança é um sinal claro de como a IA está deixando de ser um recurso isolado de celular ou desktop e se tornando parte da experiência integrada do dia a dia, inclusive no carro. Tudo indica que estamos caminhando para um futuro em que conversar com uma IA enquanto dirigimos será tão natural quanto pedir rotas ou tocar música.
Guerra de IA no Super Bowl
A guerra pelo futuro da IA saiu dos códigos e entrou no maior palco publicitário do planeta: o Super Bowl. A Anthropic, criadora do chatbot Claude, vai exibir comerciais milionários que provocam diretamente a rival OpenAI, criticando a decisão desta última de introduzir anúncios no ChatGPT e promovendo seu modelo “sem anúncios”.
O slogan é claro: “Ads are coming to AI. But not to Claude.” Uma jogada que une marketing agressivo a um posicionamento estratégico sobre modelo de monetização e confiança do usuário.
OpenAI não ficou calada. Sam Altman respondeu, classificou o ataque como “enganoso” mas até reconheceu o tom humorístico e está usando o mesmo Super Bowl para promover sua ferramenta de desenvolvimento de software.
Esse episódio mostra que a competição entre as maiores IAs hoje não é só técnica: é também sobre confiança do usuário e modelos de negócio. O que acontece quando duas visões diferentes de IA convergem para o mesmo grande público? Estamos prestes a descobrir.
A crise das maçanetas
A China se tornou o primeiro grande mercado a proibir maçanetas retráteis ou “ocultas” em carros, como as popularizadas pela Tesla, anunciando que a partir de 1º de janeiro de 2027 todos os veículos vendidos no país deverão ter maçanetas com liberação mecânica acessível tanto por dentro quanto por fora, capaz de funcionar mesmo se a energia do carro falhar.
A medida vem na esteira de relatos e investigações sobre acidentes em que veículos com maçanetas eletrônicas dificultaram ou impediram que ocupantes ou equipes de resgate abrissem as portas após colisões ou falhas, levando autoridades a priorizar a funcionalidade básica sobre estética e aerodinâmica.
A proibição afeta não só a Tesla, mas toda a indústria de veículos elétricos e modelos que usam esse tipo de design, e pode influenciar normas em outras regiões que estão observando questões de segurança semelhantes.
É um lembrete claro de que inovação estética e eficiência não podem se sobrepor à segurança em situações de vida ou morte. E que reguladores estão dispostos a intervir quando o design começa a atrapalhar o básico: sair de um carro com segurança.







