Nos negócios, muita empresa afunda tentando nadar como outra. Quer ter a cultura da Netflix, a velocidade da Amazon, o design da Apple, a eficiência da Toyota e a inteligência artificial da empresa que virou assunto na semana passada.
Olha para o concorrente, vê o que ele está fazendo e corre para fazer igual. Novo canal? Copia. Novo produto? Copia. Nova tecnologia? Copia. Novo modelo de gestão? Copia também. Benchmark é importante. Referência também.
O problema começa quando a empresa deixa de aprender com os outros e passa a querer ser os outros. Porque toda estratégia nasce de um contexto: clientes diferentes, margens diferentes, talentos diferentes, marca diferente, momento diferente.
O que acelera uma empresa pode travar outra. O que aumenta margem em uma pode destruir valor em outra. O que parece inovação para uma pode ser apenas distração para outra.
E, de tanto tentar parecer com quem admira, a empresa começa a esquecer de onde veio, o que sabe fazer bem e por que seus clientes escolheram estar ali. Esse talvez seja um dos riscos mais silenciosos da estratégia: perder identidade enquanto acredita estar evoluindo.
Estratégia não é escolher quem você quer imitar. É entender quem você é, onde joga e quais capacidades realmente precisa desenvolver. Pato nada muito bem. Galinha, não. E o problema não está em ser galinha. Está em esquecer disso e entrar no lago.



