Fomos vencidos pelas máquinas. Há 30 anos.
Em 1996, parecia impossível. O xadrez era visto como o território mais “humano” da inteligência. Estratégia, intuição, leitura psicológica do adversário. Tudo aquilo que acreditávamos ser impossível de codificar em uma máquina. Até o dia em que o Deep Blue, da IBM, sentou do outro lado do tabuleiro.
Quando a máquina venceu o maior campeão de xadrez do mundo, não foi apenas uma derrota esportiva. Foi sinal simbólico dos tempos. Pela primeira vez, um sistema artificial superava um humano no jogo que representava, talvez, o auge do raciocínio estratégico. Não era só sobre xadrez. Era sobre os novos limites.
Na época, muita gente minimizou. “É só força bruta computacional.” “Isso não se aplica ao mundo real.” O que poucos perceberam é que ali nascia um padrão: quando dados, poder de processamento e algoritmos se encontram, o impossível vira obsoleto.
O Deep Blue não foi o fim do humano. Foi o primeiro aviso de que competir com máquinas no território da lógica pura seria uma batalha perdida. Trinta anos depois, a pergunta deixou de ser “as máquinas vão nos vencer?” e passou a ser outra: em quais campos ainda insistiremos em jogar contra elas, em vez de aprender a jogar com elas?



