Delivery e Viagens, iPhones Indianos, Ônibus da BYD e Demissões na Meta
Bom dia! Hoje é 16 de março. Nesse mesmo dia, em 1985, a empresa de computadores Symbolics registrou symbolics.com, o primeiro domínio .com da história. Na época quase ninguém imaginava o que viria depois. Hoje existem centenas de milhões de domínios, e o .com se tornou o território padrão da economia digital.
Do delivery para as viagens
A parceria entre iFood e Decolar começa a mostrar números que chamam atenção: 14% da receita da Decolar no Brasil já vem de clientes que chegaram pelo iFood. Um aplicativo criado para pedir comida passou a ser também um canal relevante para vender passagens, hotéis e pacotes de viagem.
Isso acontece porque distribuição virou um dos ativos mais valiosos da economia digital. O iFood tem cerca de 70 milhões de clientes, acessados com altíssima frequência. Ao plugar seus produtos dentro desse fluxo, a Decolar passa a vender viagens para pessoas que originalmente entraram no app apenas para pedir jantar.
Os números mostram que a estratégia está funcionando. Cerca de 1,5 milhão de usuários do iFood já aderiram ao Passaporte Decolar, e a jornada de compra também começa a ser mediada por IA. A assistente Sofia já participa de 30% das interações de viagem, gerando mais de 1 milhão de conversas por mês.
No fundo, isso revela uma transformação maior. As fronteiras entre categorias estão desaparecendo. O aplicativo onde você pede comida pode virar também o lugar onde você planeja sua próxima viagem. Na economia das plataformas, quem controla a relação diária com o usuário ganha algo poderoso: a capacidade de vender quase qualquer coisa.
1/4 dos iPhones já vem da Índia
A Apple começou há anos um movimento silencioso para reduzir sua dependência da China. Agora os números mostram o resultado: cerca de 25% dos iPhones do mundo já são produzidos na Índia. Em 2025, foram aproximadamente 55 milhões de aparelhos montados no país, um salto de 53% em relação ao ano anterior.
Essa mudança não aconteceu por acaso. Durante décadas, a China foi praticamente a “fábrica do iPhone”. Mas tensões geopolíticas, tarifas comerciais e riscos na cadeia de suprimentos levaram a Apple a adotar a estratégia conhecida como “China + 1”, diversificando sua produção para outros países. A Índia virou a grande alternativa.
Hoje, o país já abriga fábricas de gigantes como Foxconn, Tata e Pegatron, que montam desde modelos antigos até as versões mais recentes do iPhone. E não apenas para consumo local. Grande parte desses aparelhos é exportada para mercados globais, incluindo os Estados Unidos.
O que estamos vendo aqui não é apenas uma mudança industrial. É uma reconfiguração geopolítica da cadeia global de tecnologia. Durante décadas, a China concentrou a produção de eletrônicos do planeta. Agora, aos poucos, o mundo começa a redesenhar esse mapa.
Ônibus da BYD em São Paulo
A chinesa BYD começou a operar em São Paulo um novo ônibus elétrico articulado de 22 metros, modelo BC22, equipado com a bateria Blade, uma das tecnologias mais avançadas da empresa. O veículo foi desenvolvido para corredores de alta demanda e pode rodar até 350 km com uma única carga, com recarga entre 1h30 e 2 horas dependendo da infraestrutura.
A chegada faz parte de um lote de mais de 110 novos ônibus elétricos incorporados ao sistema de transporte da capital, sendo 25 unidades da BYD. Entre eles estão também os modelos D9W, já usados na cidade e capazes de transportar até 80 passageiros com autonomia de cerca de 250 km por carga.
O grande destaque é o articulado BC22. Com 22 metros de comprimento, ele foi projetado para linhas com grande volume de passageiros, ampliando a capacidade do transporte coletivo sem aumentar o número de veículos nas ruas. É também o primeiro ônibus elétrico articulado em operação no Brasil com a bateria Blade, tecnologia criada pela própria BYD.
A eletrificação do transporte urbano começa a ganhar escala real. Em cidades gigantes como São Paulo, a troca de ônibus a diesel por modelos elétricos não é apenas uma inovação tecnológica. É também uma mudança estrutural na forma como as metrópoles vão se mover nas próximas décadas.
A Meta é 20%?
A Meta estuda um novo corte massivo de funcionários. Segundo reportagem da Reuters, a empresa pode demitir mais de 20% da sua força de trabalho, o que significaria algo perto de 16 mil pessoas, considerando que a companhia tinha cerca de 79 mil empregados no fim de 2025.
O motivo não é crise de receita. É investimento. A Meta está colocando bilhões de dólares em infraestrutura de IA, data centers e talentos especializados, tentando acelerar sua posição na corrida global por IA. Para financiar essa transição e aumentar eficiência interna, a empresa avalia operar com menos pessoas e mais automação baseada em IA.
Se confirmada, essa seria a maior rodada de demissões da história da empresa, superando os cortes de 2022 e 2023, quando cerca de 21 mil funcionários foram desligados durante o chamado “ano da eficiência”.
O que está acontecendo aqui revela algo maior do que uma reestruturação corporativa. A corrida pela IA não está apenas criando novas empresas e tecnologias. Ela também está redefinindo o tamanho das organizações. Paradoxalmente, as mesmas ferramentas que prometem aumentar produtividade podem permitir que empresas gigantes operem com muito menos gente.






